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A importância de Chris Columbus na escalação de Daniel Radcliffe em Harry Potter

Diretor estará na CCXP18

Camila Sousa
25.05.2018
15h06
Atualizada em
29.06.2018
02h35
Atualizada em 29.06.2018 às 02h35

No começo dos anos 2000, Chris Columbus - recém-confirmado na CCXP18 - já era um diretor conhecido por filmes como Esqueceram de Mim (1990), Uma Babá Quase Perfeita (1993) e O Homem Bicentenário (1999). Porém, ele tinha em sua frente um projeto que mudaria a história do cinema: a adaptação aos cinemas de Harry Potter e a Pedra Filosofal. O que muitos não sabem é como o diretor foi importante para a escolha de Daniel Radcliffe para o papel principal da franquia.

Warner Bros./Divulgação

Naquela época, os livros de Harry Potter já eram conhecidos e o público estava curioso para saber quem daria vida ao Menino-Que-Sobreviveu. Já a autora J.K. Rowling tinha apenas uma exigência: manter um elenco britânico para o filme. Assim, a diretora de elenco Susie Figgis foi chamada e começou os testes de elenco por todo o Reino Unido. Vários nomes foram cotados: Steven Spielberg gostaria que o papel fosse de Haley Joel Osment; Liam Aiken (Desventuras em Série) entrou na lista e rumores dizem que até Jamie Bell, que tinha feito Billy Elliot na época, foi considerado, mas ele já estava muito velho para o papel.

Chris Columbus e o produtor David Heyman conheciam Daniel Radcliffe por seu trabalho na série de TV David Copperfield (1999) e queriam que ele fizesse o teste, mas Susie Figgis não conseguia convencer os pais do ator. Segundo informações da época, Marcia Gresham (também uma diretora de casting) e Alan Radcliffe tinham receio em colocar o filho em uma franquia duradoura e pensavam em deixá-lo mais afastado da atuação, já que ele trabalhava desde os cinco anos de idade.

Com essa recusa, a seleção de elenco continuou, mas ninguém parecia bom o suficiente. O processo continuou por um ano, até que Figgs decidiu pedir demissão: “Sinto que dei o meu melhor para encontrar uma criança e conhecemos algumas incríveis durante nossa procura. Mas, em última análise, é o ponto de vista e a visão do diretor”, disse em entrevista. Janet Hirshenson assumiu a função de diretora de elenco e Chris Columbus mostrou a ela uma fita da série David Copperfield: a verdade é que ele não tinha esquecido de Daniel Radcliffe e ainda tinha esperanças de conseguir pelo menos um teste com o garoto.

Em uma noite, o produtor David Heyman foi ao teatro e, por coincidência, viu Daniel com seu pai: “Eu não conseguia me concentrar na peça. Eles foram embora antes que eu pudesse conversar, então tive uma noite de pouco sono antes de ligar para Alan no dia seguinte”, disse o produtor ao The Telegraph. O garoto fez um teste que surpreendeu a todos, mas ainda tinha outro concorrente forte na disputa: “Quando nos sentamos para olhar os testes, havia outro garoto que tínhamos gostado. Chris imediatamente gostou de Daniel, mas algumas pessoas acharam o outro menino interessante. Então decidimos descansar e pensar novamente na questão depois", disse Janet Hirshenson ao Huffington Post.

Quando voltaram aos vídeos, o outro garoto expressava a vulnerabilidade de Harry em seu primeiro ano, mas não passava disso: “Harry se tornaria uma criança poderosa também. E Daniel tinha esses dois lados. O outro garoto não teria a coragem que Daniel tem”, completou. Para Columbus, a escolha foi uma mistura de alívio, orgulho e sentimento de dever cumprido: “Em alguns momentos senti que jamais iríamos encontrar a criança certa para incorporar o espírito complexo e a profundidade de Harry. Então Dan entrou na sala e eu sabia que era ele”, disse o diretor, que retornou para a direção de A Câmara Secreta em 2002 produziu O Prisioneiro de Azkaban em 2004.

Mas o carinho com a franquia e o elenco não acabaram por aí. Em uma entrevista de 2009, ele expressou a alegria de ter visto as crianças crescendo e se desenvolvendo nas telas: “Meu maior orgulho é ver as fotos hoje, e assistir os três à distância fazendo uma cena inteira de uma vez. Sério, sei que isso parece engraçado, mas antigamente - e isso quer dizer há oito anos - principalmente no primeiro filme, tínhamos vários pequenos cortes porque eles não conseguiam ir além da primeira linha do roteiro sem olhar para a câmera, rir ou olhar para as luzes”.

Chris Columbus estará nos quatro dias da CCXP18.