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Quatro décadas sem Walt Disney, o mago da animação

Quatro décadas sem Walt Disney, o mago da animação

RE
15.12.2006, às 00H00.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H35


Walt Disney


Mickey? Não! É o coelho Osvaldo


Este sim é o Mickey!


Branca de Neve


Donald x Hitler


Aproximando povos


Além da animação


Além das telas


Ao infinito e além!

Muita nicotina e o ambiente tenso e competitivo de Hollywood paralisaram o coração de Walter Elias Disney em 15 de dezembro de 1966, dez dias depois de ter completado 65 anos. Uma grande perda para o cinema de animação mundial, que, graças aos seus esforços, à sua criatividade e persistência, ganhou prestígio e sofisticação.

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A trajetória de Disney na arte da animação teve início em 1922, quando realizou, em parceria com seu amigo Ub Iwerks, desenhos promocionais curtos para a empresa Kansas City Ad Company, e a série cômica Lagh-O-Grams, exibida nos cinemas da cidade antes dos filmes. Embora não contasse com muitos recursos financeiros, realizou as animações intituladas Alice in Cartoonland, estrelados pela atriz mirim Virginia Davis, que contracenava com desenhos.

Em 1923, o animador estabeleceu-se em Los Angeles. Com apoio de seu irmão, Roy Disney, fundou um estúdio e continuou com a série Alice, ainda em colaboração com o desenhista Iwerks. Três anos depois, passou a fazer desenhos do Coelho Osvaldo (Oswald, The Lucky Rabbit) - que concorriam com o Gato Félix, criado em 1914 por Otto Messmer para a produtora de Pat Sullivan. Mas, devido a uma cláusula do contrato, o personagem tornou-se propriedade do distribuidor dos filmes.

Imediatamente após a perda do Coelho Osvaldo, Disney concebeu sua principal criação, o simpático camundongo Mickey, protagonista do desenho animado O barquinho a vapor (Steamboat Willie), a primeira animação sonora, lançada em 1928, um ano depois do filme O Cantor de Jazz, produzido pela Warner, ter iniciado a era do cinema falado.

A essa inovação técnica, Disney acrescentou outras: em 1931, produziu Flores e Árvores, pioneiro no uso do sistema Technicolor, que ganhou um Oscar; com Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937, o animador provou a viabilidade do desenho animado de longa-metragem; quatro anos depois, Fantasia promoveu a integração da música clássica ao cinema de animação.

Apesar da popularidade alcançada por animações como Os Três Porquinhos e Dumbo, no início da década de 1940, Disney enfrentou o descontentamento de seus funcionários com os salários. A pedido do governo norte-americano, que tentava ganhar o apoio dos países do sul contra o nazi-fascismo, viajou pela América Latina. Dessa experiência resultaram desenhos com personagens latinos, como Zé Carioca e o galo mexicano Panchito. Além disso, produziu desenhos utilizados como propaganda pelos aliados, a exemplo de Der Fuerher´s Face, no qual o Pato Donald tem um pesadelo: sonha que vive na Alemanha sob o domínio de Hitler.

Além de curtas de animação de Mickey e seus amigos e do irritadiço Pato Donald, Disney realizou desenhos de longa-metragem baseados em contos de fadas ou em histórias infantis (Pinóquio, Cinderela, A Bela Adormecida, Peter Pan e Alice no País das Maravilhas, entre outros) e até filmes com atores, com destaque para 20.000 léguas submarinas e Mary Poppins.

Nos anos 1950, Disney percebeu que a televisão era a mídia certa para popularizar seus desenhos. Ele criou para a rede ABC, em 1954, o programa Disneylândia. No final da década, transferiu-se para a NBC e passou a transmitir em cores. Outra ousadia do produtor foi a criação de um parque temático com atrações relacionadas a seus personagens e filmes.

Conservador e moralista, inovador e perfeccionista, Walt Disney aprimorou a arte da animação e conferiu-lhe uma qualidade insuperável. Após seu falecimento, o estúdio só voltou a ganhar prestígio com as animações na década de 1990, com filmes como A Pequena Sereia e A Bela e a Fera, e com a parceria com a produtora Pixar, que resultou no aperfeiçoamento da animação digital iniciada com Toy Story.

Para ler:

  • ELIOT, Marc. Walt Disney - o príncipe sombrio de Hollywood. São Paulo: Marco Zero, 1995.
  • MOYA, Álvaro de. O mundo de Disney. São Paulo: Geração Editorial, 1996.
  • NADER, Ginha. Walt Disney: prazer em conhecê-lo. São Paulo: Maltese, 1993.

Para assistir em DVD:

Pode-se encontrar vários DVDs com animações produzidas pelo Estúdio Disney. Além de coletâneas de desenhos protagonizados por Mickey ou Donald, também merecem destaque:

  • A espada era a lei
  • Aristogatas
  • Uma cilada para Roger Rabbit
  • Os Incríveis

* Jornalista, com pós-doutorado em Comunicação pela ECA-USP, professor da Universidade IMES e autor dos livros Para reler os quadrinhos Disney (Editora Paulinas), As Teorias da Comunicação: da fala à internet (Editora Paulinas) e História em Quadrinhos Infantil: leitura para crinaças e adultos (Editora Marca de Fantasia) e organizador de O Tico-Tico 100 anos: centenário da primeira revista de quadrinhos do Brasil (Opera Graphica).

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