CCXP18 | Autor de HQ com batalha viking fala sobre o sucesso do realismo nórdico

Créditos da imagem: Vikings: Noite em Valhala/Editora Draco/Divulgação

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CCXP18 | Autor de HQ com batalha viking fala sobre o sucesso do realismo nórdico

Vikings: Noite em Valhala, de Eduardo Kasse e Carlos Sekko, mostra a brutalidade dos guerreiros

Arthur Eloi
06.12.2018
13h02

São raras as boas representações de vikings na mídia. Normalmente, os nórdicos são retratados como selvagens impiedosos, com elmos pontudos - porém isso começou a mudar recentemente.

Tanto na literatura quanto no audiovisual, como a série de TV Vikings, o povo medieval está ganhando contos que visam explorar o verdadeiro estilo de vida deles. Vikings: Noite em Valhala, HQ do autor brasileiro Eduardo Kasse sendo lançada na CCXP18 pela Editora Draco, é um exemplo disso.

"É uma cultura que tem muito misticismo", explica Kasse ao Omelete. "Muitos aspectos que o pessoal só sabe das batalhas, das guerras. Antes de guerreiros, os vikings são guerreiros, artesãos, fabricante de barcos como não tinha na Europa. E tem a mitologia: todo mundo lembra do Thor da Marvel, mas a mitologia nórdica tem deuses muito interessantes, divinidades masculinas e femininas. É uma cultura riquíssima, por isso acho que pega até os ficcionados."

O autor é familiarizado com este mundo: em 2017, um dos seus contos integrou a coletânea Medieval - Contos de uma Era Fantástica. Desde então ele passou a expandir suas tramas nórdicas com o romance histórico Vikings: Berserker. Noite em Valhala marca a sua primeira experiência como roteirista de quadrinhos.

Vikings: Noite em Valhala/Editora Draco/Divulgação

O sucesso do seriado do History Channel foi uma grande ajuda para o trabalho de Kasse: "A série impacta de uma forma muito positiva: o pessoal, por assistir, vem conhecer meu trabalho." Ainda assim, as jornadas de Ragnar Lothbrok, Lagertha e os outros não é sempre fiel à história, ainda que mirre no realismo. Muitos fãs reclamam dessas alterações, mas o autor não considera um erro: "Vikings faz ambientação e caracterização de personagens muito boas mas, lógico, é uma série. Precisa de licensa poética e liberdade para os roteiristas criarem assuntos interessantes ao público. Ela tem bastante coisa fiel, mas também muitos desvios, por isso não é histórica e sim entretenimento. Mesmo assim, vale muito a pena assistir."

A produção do programa tem uma justificativa válida para isso: é muito difícil encontrar fontes históricas precisas sobre os nórdicos. "Além de serem escassas, muitas se contradizem: uns pesquisadores dizem que eles nunca passaram pela América e, de repente, alguém vai e encontra um artefato histórico no Canadá, por exemplo", explica Kasse. "Os nórdicos não deixavam muitos registros históricos. Tinham as runas mas elas eram mais para louvar os deuses do que para registro. Quem tem registro histórico dos vikings? Os monges da Inglaterra e França, mas como eles eram os atacados, os nórdicos eram tidos como pagãos e demônios."

Mesmo assim, o autor garante que há um prazer enorme em desmistificar os clichês associados com vikings. "Eles não usavam chapeuzinho com chifres!", brinca. "E nem todos eram guerreiros. Aliás, o termo "viking" foi cunhado muito depois - eles eram apenas nórdicos. Vikings são os povos noruegueses, dinamarqueses, islandeses que, acima de tudo, eram navegadores e comerciantes que viram na Europa - principalmente nas ilhas britânicas - a oportunidade de saquear e estabelecer terras. A terra do países nórdicos não é muito arável e fértil. Quando eles chegaram na Inglaterra e viram um monte de padre que oravam ao invés de se defenderem, eles falaram "opa!". O norte da Inglaterra foi uma sociedade nórdica. É caricato mas eles eram extremamente competentes na navegação, batalha e comércio."

Com intensas ilustrações de Carlos Sekko, Vikings: Noite em Valhala apresenta uma brutal cena de batalha. O lançamento da HQ acontece na mesa E16 do Artists' Alley na CCXP18, que acontece entre os dias 6 e 9 de dezembro no São Paulo Expo.