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CCXP23 | Quadrinistas internacionais comentam experiência junto a brasileiros

Léa Murawiec, Juni Ba, Paul Kirchner e Box Brown são alguns dos convidados estrangeiros

Omelete
4 min de leitura
02.12.2023, às 18H37

Como em todo ano, os quadrinistas internacionais se tornam um dos grandes focos dos fãs e leitores presentes na CCXP23. Além de verdadeiros heróis do gênero de super-herói, como John Romita Jr. e Roy Thomas, ou de astros populares do porte de Junji Ito, cujas presenças são garantia de filas quilométricas, há espaço também para autores de outros tipos de obras, como você pode conferir a seguir.

EMOÇÃO CINÉTICA

Não é todo mundo que vence prêmios no Festival de Angoulême, o mais importante do mundo no ramo dos quadrinhos, realizado anualmente na França. Mais difícil ainda é ganhar um troféu por lá tendo menos de trinta anos de idade: somente alguém como a jovem prodígio francesa Léa Murawiec poderia fazer isso – no caso, o Prêmio do Público France Télévisions na edição 2022 da feira. Conhecida por um traço cinético, que remete à HQ de vanguarda japonesa dos anos 1970, ela está assinando edições de seu O Grande Vazio no espaço da editora Comix Zone, no Magic Market. Pela primeira vez no Brasil, Léa ficou encantada com a receptividade do público brasileiro a seu trabalho. “As pessoas estão muito entusiasmadas com a obra. Nunca tive uma fila tão longa para autografar, é algo maravilhoso. E muita gente chegou emocionada, dizendo que era o melhor quadrinho que leram este ano. Me sinto muito sortuda”, comenta.

EM BUSCA DAS RAÍZES

Juni Ba (D09-10), quadrinista senegalês radicado na França, já conquistou seu espaço em um dos grandes mercados de gibis no mundo, o norte-americano, desenhando para editoras como DC Comics, IDW e Boom! Studios. Mesmo assim, ele não deixa de lado sua ancestralidade. Seu gibi autoral Djeliya, lançado no Brasil pela Skript em 2021, é como se fosse a versão impressa de um desenho animado frenético, com enredo que referencia mitos e folclore de seu país natal e da Costa Oeste africana. “Não esperava a quantidade de pessoas interessadas nesse livro. O grande medo, especialmente se você vem da África, é que o interesse surja somente por esse fato, não pelo que você faz enquanto artista. Mas aqui eu encontrei todos interessados não só em mim, mas principalmente na minha arte. Fico bastante agradecido”, analisa Ba, que também faz sua estreia em um evento brasileiro.

PORTAS DA PERCEPÇÃO

Lenda da HQ underground dos anos 1980, Paul Kirchner (J19-20) tem como principal marca mergulhar seus trabalhos na arte surrealista. Sua renomada tira Ônibus (compilada no Brasil pela Risco Editora) narra as desventuras de um veículo de uma forma que daria orgulho a René Magritte ou Salvador Dalí. No entanto, outros gibis de Kirchner, como Dope Rider ou Assassinato por Controle Remoto (que conta com uma edição nacional bem antiga), enveredam para o lado da psicodelia e dos estados alterados da mente. “É até mais fácil para mim trabalhar com essas ideias. Se eu tenho uma cena e a visualização dela é um pouco maçante, posso jogar alguma coisa maluca ali pra deixá-la interessante visualmente”, revela. Inclusive, ao redor da mesa de Kirchner, deu pra ouvir o rumor de que esses dois quadrinhos têm muita chance de serem lançados por aqui em 2024. Que assim seja.

CULTURA DE MASSA NO MICROSCÓPIO

Na última década, o estadunidense Box Brown (I11-12) se firmou como uma das grandes vozes criativas do quadrinho mundial, graças a um desenho limpo e sem firulas, marcado por uma narrativa econômica e extremamente fluida. Este ano, a editora Mino, sua casa em território nacional, publicou O Efeito He-Man, responsável por mostrar como o marketing sujo da indústria de brinquedos nos EUA ajudou a moldar a mente de gerações de adultos. De estilo documental, várias obras de Brown analisam aspectos da cultura de massa norte-americana, como a indústria dos games ou a repressão à maconha, embora ele garanta que não o faz conscientemente. “Você não escolhe as coisas pelas quais sente nostalgia. De repente, em um dia, você sente saudades de alguma coisa que ficou lá atrás. Então, honestamente, vários assuntos fermentam dentro de mim por muito tempo: estava pesquisando o tema de O Efeito He-Man por, sei lá, trinta anos, sem nem fazer ideia disso. Esse é meu método: algo clica em mim e acaba virando um livro”, explica.

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