CCXP23 | (Alguns) destaques do Artists’ Valley no primeiro dia de evento

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CCXP23 | (Alguns) destaques do Artists’ Valley no primeiro dia de evento

Lançamentos incluem diário de viagem, tiras existenciais e a busca por um fotógrafo misterioso

Omelete
4 min de leitura
30.11.2023, às 21H24
ATUALIZADA EM 01.12.2023, ÀS 15H18
ATUALIZADA EM 01.12.2023, ÀS 15H18

Super-herói colorido

Adri.A (K23) gosta de retorcer o gênero de super-heróis/aventura, contando histórias com cores lisérgicas que incluem personagens LGBT. Este ano, seu lançamento na CCXP é JØ Sem Alma: Vida Após a Morte.

“Minha busca é representar a vivência LGBT e promover o protagonismo dessa comunidade dentro de um gênero que não é conhecido por isso. Eu, enquanto criador LGBT, sinto que esse protagonismo precisa existir nas minhas obras. Minhas referências foram os quadrinhos da Marvel, cresci com essa paixão, e depois acabei buscando outras inspirações, pois vi que só reproduzir aquele tipo de material não era suficiente. Hoje, busco referências no cinema e em outros artistas independentes, como a Laerte.”

Bichinhos fofinhos em crise

Gabriel Dantas (D14) se tornou famoso na internet com as tiras do Pato Gigante, mas ele brilha mesmo é nas narrativas mais longas, como em Tudo o que eu fiz Sozinho, Eu Fiz Errado, que inclui coelhos bonitinhos e o fim do mundo. 

“Por muito tempo, eu tinha coisas sobre as quais gostaria de falar, mas não me sentia preparado para isso. Então, veio meu gibi anterior, Antes Que o Universo Nos Destrua, que é sobre um período da minha vida, só que com muita ficção. E a partir dele tive coragem de falar daqueles outros assuntos, e comecei a fazer algo só pra mim. Aí de repente pensei: ‘putz, tá ficando bom pra caralho’ (risos). ‘Vou publicar e que se dane’. Me arrependi um pouco, pois quando saiu tive que fazer umas ligações (risos). Mas ao mesmo tempo pensei que existiam mais coisas da minha vida para contar. O gibi parece ser sobre invasão alienígena e romance, só que nem tem isso.”

Estudos frustrados de verão

Lila Cruz (L34), cujos trabalhos apresentam sua intimidade em meio a questões do cotidiano, mergulhou nos perrengues vividos durante uma estadia nos Estados Unidos para fazer HQ de Viagem.

“É um diário de viagem, e também um diário de minhas experiências enquanto pessoa autista viajando pela primeira vez, sozinha, pra fora do Brasil, estudando por lá. Você ser um estrangeiro, encontrar hábitos e comidas diferentes, ter a percepção da solidão, do tempo livre... Também coloquei besteira no meio, como todas as vezes em que não encontrei banheiro em Nova York (risos). Foi uma viagem para uma escola de quadrinhos em Vermont, a The Center for Cartoon Studies, de quem eu ganhei uma bolsa para um curso de verão. Foi a primeira vez que tive tempo livre para fazer absolutamente nada, a não ser pensar em quadrinhos.”

Nick Cave e o fotógrafo fantasma

Luisa Lacombe (B24), como ela mesma se define nas redes sociais, narra as tragédias da vida moderna em forma de quadrinhos. Não à toa que uma thread no Twitter (ou melhor, no X) se tornou matéria-prima para Hipotetizine 05: Esperando Por Você

“O quadrinho foi inspirado na busca pelo autor de uma foto do cantor Nick Cave, tirada na Mercearia São Pedro, em São Paulo, enquanto ele morava no Brasil. E ninguém nunca tinha descoberto quem era esse fotógrafo – até que o Fabiano Denardin, editor da editora Hipotética, descobriu e fez esse fio no Twitter. A HQ conta toda a investigação envolvida.”

A busca por si mesmo

Samuel de Gois (I28) é a prova vida de como a chama pelo fazer artístico nunca se apaga, independentemente das dificuldades para se criar arte: ele sofreu um golpe financeiro e perdeu parte do dinheiro levantado para o financiamento coletivo de seu novo quadrinho, O Mundo é um Moído. Sua participação na CCXP esteve por um fio. Paraibano, de Gois admite que estar longe dos grandes centros econômicos do País complica, e muito, a divulgação do trabalho, mesmo com a ajuda da internet. 

“O livro é uma coletânea de tiras, que reúne um mosaico de materiais antigos e novos, com temas deprê. Falo sobre saúde mental, relacionamentos – fim de relacionamentos, mais especificamente (risos) –, sobre como ser adulto é complicado. Como tiras são geralmente associadas ao humor, eu quis me desprender disso, até porque faço trabalhos mais experimentais, brincando com a linguagem. Tem uma coisa ou outra engraçadinha, porém o foco está na reflexão sobre a vida – por isso o nome, fazendo alusão à música O Mundo é um Moinho, do Cartola.”

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Confira os destaques desta última semana

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