CCXP23 | HQs que chamaram a atenção no segundo dia

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CCXP23 | HQs que chamaram a atenção no segundo dia

Confira alguns dos destaques vistos no Artists’ Valley

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4 min de leitura
01.12.2023, às 20H30
ATUALIZADA EM 01.12.2023, ÀS 20H48
ATUALIZADA EM 01.12.2023, ÀS 20H48

Nesta sexta-feira, o espaço destinado aos quadrinhos na CCXP23 esteve ainda mais lotado que ontem. Conheça a seguir algumas HQs independentes que se destacaram e também causos sobre gráficas caseiras, como escrever para crianças e a diferença de publicar online e no impresso.

IMPRESSÃO EM CASA

Jéssica Groke (L26) surgiu na cena de quadrinhos há cerca de cinco anos, com uma das melhores estreias recentes do gibi brasileiro, Me Leve Quando Sair. Atualmente, ela continua produzindo arte, mas também se transformou em empreendedora: abriu a minigráfica Tacatinta, voltada para autores independentes.

“Comprei a impressora e os acessórios para encadernação pra viabilizar o meu trabalho. Só que como tudo era muito caro – tive até que parcelar (risos) –, pensei que poderia fazer o equipamento se pagar, e tive a ideia de oferecer esse serviço de impressão para outros artistas. Mas estourou de sucesso muito mais do que eu pensava, virou um mininegócio real. É muito trabalho nos períodos que antecedem as feiras, pois preciso me preocupar com os meus prazos e lançamentos, e também com os de todos os clientes, até porque não posso deixá-los na mão. Tem gente que pede pra entregar no próprio evento, o que economiza na logística – aqui mesmo na CCXP eu fiz isso.”

RECONEXÃO COM A CRIANÇA INTERIOR

Felipe Nunes (A18) ficou algum tempo sem fazer gibi desde seu último trabalho, Clean Break, de 2019. Ano passado, retomou a atividade com a série online Curiosas Criaturas, focada no público infanto-juvenil – mesma temática de várias de suas obras passadas. Nesta CCXP, ele divulga Curiosas Criaturas: Dinobolo, primeiro capítulo impresso desse universo de seres fantásticos.

“Todas as histórias se baseiam no Ed, um cachorro amarelo. Ele é o anfitrião de uma casa e vários visitantes esquisitos se manifestam ali. A primeira história, de apresentação do Dinobolo, é uma aventura contida sobre o Ed tendo de alimentar um dinossauro. Acho que escrever para o público infanto-juvenil é um trabalho de aprender a sintetizar as coisas, de focar no humor visual, cuja inspiração vem de desenhos antigos, como Pantera Cor-de-Rosa, Snoopy, Gato Félix – desenhos com os quais eu cresci e que representam a minha conexão com a vontade de desenhar. Diferentemente das minhas outras obras, existe aqui um desejo de ser mais direto ao ponto, de ser para todo mundo, de divertir, ao invés de passar alguma mensagem. Isso foi importante para me reconectar com a vontade de fazer quadrinhos, abrindo novas possibilidades. A ideia é lançar mais um capítulo desse universo no FIQ e outro na próxima CCXP, fazendo um ‘almanaque de férias’ no futuro, com todas as histórias juntas.”

OLHAR POLÊMICO PARA O SAGRADO

Wagner Willian (D15) é um provocador: em suas HQs, já recontou a história de Joana D’arc, utilizou lendas para mostrar o lado obscuro humano e narrou a distopia de um país que mergulha no reacionarismo (toda semelhança com o Brasil não é mera coincidência). Agora, ele reinterpreta, à sua forma idiossincrática, um texto bíblico em Não Alimente os Ursos.

“Esse lançamento é a minha primeira adaptação em quadrinhos do Livro Sagrado. Fui atrás de uma das histórias mais cabeludas, sobre o profeta Eliseu – para quem quiser procurar, é o trecho de II Reis 2. A ideia por trás de mexer com esse vespeiro maravilhoso, religioso e abençoado é justamente a de chacoalhar, sacudir as estruturas, os alicerces desta sociedade cada vez mais teocrática.”

INTIMIDADE NAS PÁGINAS

Carol Ito (L31-32) publica na internet, desde 2020, sua tira Siriricas Tristes, que acaba de ganhar uma edição em formato livro, com o nome Siriricas Tristes: E Outras (In)felicidades, pela editora Veneta. A intimidade feminina com o próprio corpo é o tema principal da obra.

“Esse compilado reúne mais de setenta tiras que produzi ao longo dos últimos três anos, sendo que, no total, tenho mais de trezentas feitas, publicadas no Instagram da revista TPM. Meu trabalho vem da internet, desde que comecei em 2014, e depois as coisas acabam virando livro, é meio que um caminho natural. Fiquei feliz quando a Veneta topou essa doideira. Para adaptar pro formato físico, eu padronizei o layout das tiras, para ficarem mais parecidas umas com as outras, e coloquei títulos nelas – é algo que pro impresso funciona bem. Criei ainda uma história inédita, chamada Manifesto Piranha Brasil, uma espécie de releitura do Manifesto Pau-Brasil, do Oswald de Andrade, com uma reflexão sobre colonialidade de um ponto de vista feminista e também ecológico. Enfim, doideiras (risos).”

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