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CCXP23 | Brigada do Norte conquista cada vez mais espaço no Artists’ Valley

Maior presença de artistas nortistas confirma capacidade da região para se tornar polo na produção de quadrinhos

Omelete
3 min de leitura
02.12.2023, às 12H49
ATUALIZADA EM 02.12.2023, ÀS 13H21
ATUALIZADA EM 02.12.2023, ÀS 13H21

Entre os diferentes sotaques que inundam o Artists’ Valley a cada ano, os vindos de Estados do Norte são cada vez mais ouvidos no espaço. Encontrar quadrinistas nortistas (geralmente no plural) nos principais eventos de HQs do país não é mais exceção – virou regra. 

A edição 2018 do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), mostra realizada em Belo Horizonte, foi uma das grandes responsáveis por dar tração à cena regional. Autores de Manaus contaram com apoio oficial do município para viajar até a capital mineira e montar um estande com a produção local. A partir dali, não foi mais possível segurar a vontade de criar. Foram organizados diversos coletivos de artistas – como o Black Eye Studio, representado na CCXP23 por um de seus fundadores, Ademar Vieira (K14) –, enquanto outros renasceram, como o pioneiro Clube de Quadrinheiros de Manaus, criado ainda na década de 1990.

A cena está tão aquecida que há espaço para iniciativas voltadas exclusivamente para a divulgação desses artistas. A jornalista Sâmela Hidalgo, por exemplo, desenvolveu o projeto Norte em Quadrinhos, responsável inclusive pela realização de cursos e eventos.

Para além do multipremiado Gidalti Jr. (K11-12), oriundo da capital paraense Belém, há toda uma nova geração de artistas levando os temas nortistas para o resto do País. “O nosso dever aqui é mostrar que a gente existe, mostrar que temos vozes”, reflete o manauara Nilberto Jorge, o Nil, da dupla Nil & Tai (F12). “Também temos nossa qualidade, tal qual os quadrinhos feitos no Sudeste. Muito embora existam as dificuldades da distância dos grandes centros, do valor da passagem, do hotel, vamos aos trancos e barrancos fazendo aquilo que gostamos. A gente vai pelo amor mesmo”. Na mesa do duo, estava a HQ Causos de Visagens para Crianças Maluvidas, indicada a dois Prêmio HQMIX este ano (nas categorias Publicação Independente Edição Única e Publicação de Aventura/Terror/Fantasia), isso sem falar na indicação de Tai (natural de Mairi, Pará) como Melhor Colorista. A obra resgata a importância familiar para a passagem do folclore local para as futuras gerações.

Também de Belém, Karipola (F12) tem a ideia de ocupar o espaço de eventos do porte da CCXP. “Eu sei que não terei um lucro muito grande quando abater os custos, mas é importante estar aqui porque é preciso estar aqui. Se não for a gente, teremos menos nomes ainda nos representando”, comenta a artista, que faz sua estreia no mundo dos quadrinhos com Quase Tudo São Flores. “É uma reflexão sobre o utilitarismo da vida, a natureza, flores e minha avó. Uma vivência amazônica te dá um contato maior com a planta, pois ela é cura, é lugar de afeto. Então, o gibi é uma contraposição a este mundo em que a gente vive, no qual tudo precisa ser útil para algo”. A publicação sai com o selo do Black Eye Studio.

Na mesa J16, mais duas representantes da região: Raquel Teixeira (de Manaus) e Thai Rodrigues (amapaense de Macapá), ambas membros do Coletivo Iukytáias. A coletânea Mizuras, publicada pelo coletivo, concorreu ao HQMIX 2023 e ao VI Prêmio LeBlanc. Raquel trouxe outros dois lançamentos – Café Amazônico – Edição Manaus e Muputira, dois zines dobráveis que se transformam em pôster –, enquanto Thai apresenta Como Sobreviver a Humanos Sendo um Gato, conto de humor envolvendo felinos. “Apesar de muita gente dizer que não acha mais necessário ir a eventos por conta das redes sociais, é um fato que, até mesmo na internet, a questão do lugar onde você está ajuda a te dar destaque”, analisa Thai. “A visibilidade vindo para cá se torna marcante: viemos ano passado e tem gente que fala ‘eu lembro de você, peguei seu contato’. O Brasil é um país muito grande e complexo. Apesar do estereótipo da Amazônia, somos sim bem diferentes, temos uma culinária, sotaques, crenças próprias. Estar aqui é desmistificar quem nós somos.”

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