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Capitão América | A origem nos quadrinhos

De peça de propaganda a líder dos Vingadores, o início da história do sentinela Steve Rogers

Marcelo Hessel
09.04.2014, às 15H10
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H34
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H34

Quando o Marvel Studios começou a desenvolver Capitão América - O Primeiro Vingador, executivos da Disney demonstraram preocupação em ambientar a trama no passado, na Segunda Guerra Mundial. A Marvel insistiu no filme de época, para ser fiel ao personagem - afinal, o Capitão América literalmente não existiria se não fossem os Aliados e o Eixo.

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The Shield e seu escudo triangular

Captain America Comics #1

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Captain America Comics #1

Captain America Comics #3

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Captain America Comics #3, a primeira contribuição de Stan Lee

Ao contrário de diversos super-heróis "recrutados" para combater os nazistas nos quadrinhos americanos nos anos 1940, Steve Rogers foi concebido pelo roteirista Joe Simon e pelo desenhista Jack Kirby especificamente com essa finalidade. O "Sentinela das nossas costas" - o esboço do epíteto que ficaria depois ligado definitivamente ao personagem, Sentinela da Liberdade - já estreava na capa de Captain America Comics #1 dando um soco em Adolf Hitler.

Embora tenha data de capa marcada como março de 1941, a HQ saiu pela Timely Comics - editora que depois se tornaria a Marvel - em dezembro de 1940, e vendeu quase um milhão de exemplares, número expressivo para a época. Ao longo da Segunda Guerra, o Capitão foi o personagem mais popular da Timely, e em 1944 a produtora de filmes Republic criou um seriado em preto-e-branco com o personagem, estrelado por Dick Purcell, ator que morreu semanas depois do fim das filmagens. Esse Captain America de 1944 é considerado a primeira adaptação de um super-herói da Marvel ao cinema.

Inicialmente, Joe Simon cogitou chamar o herói de Super American, mas os quadrinhos de heróis dos EUA já tinham "super" demais. Em sua autobiografia, o roteirista diz que optou por "Capitão" porque não era um título comum e porque soava bem. O jovem parceiro de Steve Rogers, Bucky, que inclusive já aparece na capa de Captain America Comics #1 foi uma homenagem de Simon a seu velho amigo Bucky Pierson, astro do time de basquete do colegial.

A ansiedade do publisher Martin Goodman de aproveitar o momento da guerra era tamanha que Simon trabalhou com um prazo apertado para a primeira edição. Descrente de que seu parceiro habitual Jack Kirby daria conta de desenhar uma edição inteira só com histórias de um único personagem, ele cogitou trazer mais dois desenhistas - Al Avison e Al Gabriele - com estilos parecidos para multiplicar esforços, nesta primeira edição. Kirby, porém, fez questão de desenhar a edição inteira. Simon escreveu o roteiro diretamente na prancheta com os primeiros esboços de Kirby.

Embora já houvesse um super-herói patriótico no mercado - The Shield, da hoje Archie Comics, cujo visual bandeiroso antecipou o Capitão América em 14 meses - só a criação de Simon e Kirby decolou de fato nas bancas. Desde o início, o único apetrecho que acompanhou o herói foi seu escudo. A princípio, quase triangular, a peça adquiriu, já na segunda edição, o formato circular famoso até os dias de hoje - uma forma de diferenciar o Capitão América do triangular The Shield.

Em momento algum, o Capitão América usou qualquer outra arma. É como se dissesse que a liberdade é um valor a ser defendido. Cabia a outros aliados, como Bucky, empunhar metralhadoras contra os inimigos dos EUA. A primeira vez que o Capitão América arremessou seu escudo como um projétil-bumerangue foi na história secundária "Captain America Foils the Traitor's Revenge", em Captain America Comics #3. A ideia foi uma contribuição do roteirista Stanley Lieber, que neste início de carreira almejava guardar seu nome de batismo para literatura "séria" e, por isso, assinou a história do Capitão com um pseudônimo, que depois viraria seu nome profissional: Stan Lee.

A popularidade do título caiu com o final da guerra, até a derradeira edição de Captain America Comics, o número 73, de julho de 1949. O Capitão América que conhecemos hoje - com o estabelecimento da mitologia consagrada, envolvendo as décadas congelado em animação suspensa e a formação dos Vingadores - foi apresentado aos leitores em The Avengers #4, de março de 1964. O resto é história.

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