Música

Artigo

Hans Zimmer: como o compositor se tornou o rockstar das trilhas sonoras

Músico é um dos responsáveis pela trilha de Blade Runner 2049

Julia Sabbaga
04.10.2017
17h52
Atualizada em
29.06.2018
02h34
Atualizada em 29.06.2018 às 02h34

Mesmo que você nunca tenha ouvido falar do nome Hans Zimmer, o que é pouco provável, você definitivamente já ouviu suas composições. Se não foi em O Rei Leão, pode ter sido em Batman Begins, Piratas do Caribe ou até em Kung Fu Panda. Agora, Zimmer é responsável pela trilha sonora de Blade Runner 2049 com Benjamin Wallfisch, músico conhecido pelos temas de terror em It, A Cura e Annabelle 2.

O alemão é, atualmente, o maior nome quando se fala de composições para Hollywood. O que o transformou com o tempo em, basicamente, um rockstar das trilhas sonoras, e isso não é exagero: logo antes de entrar no projeto de Blade Runner, Zimmer estava em turnê mundial e tocou até no festival Coachella. No mês que vem, lançará o DVD com o registro da tour.

Isso pode ser explicado, talvez, pelo seu envolvimento inicial com música. Antes mesmo de começar a fazer jingles para comerciais no início de sua carreira, Zimmer tocou em algumas bandas de new wave, como Krisma e o The Buggles. Fato curioso: o compositor pode ser visto no clipe do hit “Video Killed The Radio Star”, nos teclados:

Nos anos 80, Zimmer trabalhou em diversos filmes britânicos menores e em séries de TV. Em 88, ele fez a música do filme Um Mundo à Parte, que chamou a atenção do diretor Barry Levinson, resultando no convite para trabalhar em Rain Man. Pelo filme, Zimmer recebeu a sua primeira indicação ao oscar por melhor trilha sonora. Este, assim como Conduzindo Miss Daisy, foram dois longas do começo da carreira de Zimmer que levaram o Oscar de melhor filme.

Mas foi aos 38 anos, em 1995, que ele ganhou seu próprio oscar. O prêmio foi pelo seu trabalho inesquecível em O Rei Leão, que quase não aconteceu. Em uma entrevista à Vice, Zimmer explicou que originalmente não quis participar de uma animação da Disney porque achava que seria algo como um musical da Broadway de princesas. A Disney insistiu: “Eles continuavam falando ‘não, você é o cara certo, você fará algo diferente’. A minha filha tinha seis anos na época e eu nunca tinha levado ela a uma première de um filme meu. Então eu disse ‘ok, eu faço’, mas foi para me exibir para a minha filha”.

Com um oscar em mãos, Zimmer poderia trabalhar no que quisesse, e as escolhas do compositor sempre foram muito variadas, de Melhor é Impossível até O Gladiator passando por O Chamado e Madagascar. Sobre a versatilidade de sua carreira, Zimmer comentou ao DW: “Eu não posso sempre repetir a mesma coisa. Depois de um filme de ação, eu preciso passar para uma comédia. Depois de um filme grande, preciso compor para um filme menor. Eu sempre tento inventar coisas novas”. Talvez seja por isso que seu nome se repita em tantas trilhas sonoras atualmente.

O status de rockstar que Zimmer ganhou é apenas parcialmente explicado pela variedade em seu currículo. Outro fator, não menos importante, é a parceria com um dos mais adorados diretores da nova geração, Christopher Nolan. Marcar a trilha de filmes renomados como a trilogia do Cavaleiro das Trevas, Interestelar, A Origem e mais recentemente, Dunkirk, não é trabalho para qualquer um. Mas mesmo com a parceria garantida, ele continua marcando filmes de todos os tipos: seu nome pode ser visto também nos créditos recentes de O Poderoso Chefinho e Estrelas Além do Tempo.

Já o envolvimento de Hans Zimmer no reboot de Ridley Scott aconteceu de um modo sinistro: em julho, foi anunciado que o compositor mais frequente nas obras do diretor Dennis Villeneuve, Jóhann Jóhannsson, que já estava garantido no longa, faria uma parceria com Zimmer e Wallfisch. Em setembro, a produção anunciou que Jóhannssonn não estava mais envolvido no projeto, e proibido por contrato de comentar sua saída. Villeneuve chegou a dar uma explicação vaga no mês passado, mas os motivos da saída de Johannsson permanecem incertos. 

Zimmer e Wallfisch tem uma tarefa difícil: entregar uma trilha sonora que segue a elogiada obra de Vangelis de 1982, ainda mais com a pressão de ter substituído um renomado compositor tão em cima da hora. Mas com tanta experiência na bagagem, a escalação do alemão parece certeira.

Sobre a quantidade de trabalhos em seu currículo – que hoje ultrapassa o número de 150 trilhas de filmes compostas – Zimmer tem uma explicação simples, dada ao Slash Film: “Sabe quando você quer fazer uma criança dormir e ela quer ficar brincando com carrinhos, ou Lego, ou algo assim? Eu só nunca saí disso. A maioria dos músicos que eu conheço são assim. A gente só continua brincando. Só não deixe os adultos saberem disso”. 

Confira a nossa playlist, com trabalhos que passam por toda carreira de Hans Zimmer:

A trilha sonora de Blade Runner 2049 será lançada amanhã, dia 5 de outubro, mesmo dia em que o filme chega aos cinemas brasileiros - leia a nossa crítica.