Cena do episódio "The Conjugal Configuration" de The Big Bang Theory/ Reprodução/ CBS

Créditos da imagem: Cena do episódio "The Conjugal Configuration" de The Big Bang Theory/ Reprodução/ CBS

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The Big Bang Theory estreia 12º ano equilibrando o velho e o novo Sheldon

Episódio marca o começo da despedida da série, que exibe sua temporada final

Rafael Gonzaga
25.09.2018
14h00
Atualizada em
25.09.2018
14h21
Atualizada em 25.09.2018 às 14h21

The Big Bang Theory retornou para sua última temporada em um primeiro episódio que mostra como Chuck Lorre e Bill Prady, dupla de criadores da comédia de sucesso, não pretendem economizar nos recursos para fazer com que a remessa final de capítulos seja realmente especial. Além de uma enxurrada de referências pop que vão desde a célebre rixa entre Katy Perry e Taylor Swift até a participação ilustre de Neil deGrasse Tyson, "The Conjugal Configuration" deu um pequeno vislumbre de Sheldon (Jim Parsons) encarando cotidianamente seu maior desafio até então: a vida de casado com Amy (Mayim Bialik).

Apesar de investir em um roteiro inteligente e em participações de peso, em momento nenhum é alardeado ao público que foi dada a largada para a despedida - "The Conjugal Configuration" é construído com a pretensão de ser apenas um bom episódio de The Big Bang Theory, sem excessos óbvios ou dispensáveis. Começando exatamente do ponto onde o público de despediu dos personagens no final do 11º ano, a série retorna com Sheldon e Amy vivendo sua lua de mel - não em nenhum lugar paradisíaco, mas em Legoland, como tinha de ser - enquanto Leonard (Johnny Galecki), Penny (Kaley Cuoco) e os demais seguem suas vidas no pós-casamento.

A ideia de mudança que incomoda tanto Sheldon também atinge parte considerável do público da série: em dado momento, a série foi acusada de se perder em suas motivações originais. Isso, é claro, porque os personagens de The Big Bang Theory não são como os de Os Simpsons, estagnados em um recorte temporal que não avança. Sheldon e os demais atravessaram uma década onde enfrentaram alguns medos, viveram novas experiências e aprenderam através da tentativa e erro. Isso, tal qual na vida real, muda as pessoas - a isso damos o nome de evolução, o que faz muito sentido em uma série que se chama The Big Bang Theory.

Enquanto as primeiras temporadas mostram o quarteto protagonista se complicando na hora de dar seus primeiros passos em relações afetivas e sexuais, dez anos depois isso já está superado e os desafios são, majoritariamente, oriundos da manutenção dessas relações já estabelecidas. A 12ª temporada finca raízes nessa dinâmica e deixa bem claro isso ao girar majoritariamente - com exceção do arco de Raj (Kunal Nayyar), o único solteirão do grupo - ao redor de tramas que mostram seus personagens discutindo, de alguma forma, suas relações conjugais.

O mais interessante é que os produtores não se desconectaram completamente de quem Sheldon, Leonard e os demais eram na primeira temporada: todos os pequenos conflitos conjugais partem de traços primários dos personagens. Enquanto Sheldon enfrenta um impasse com sua recém-esposa por conta de sua compulsão por organização e, consequentemente, falta de espontaneidade, Leonard se vê colocado contra a parede por ver sua relação com Penny - onde ele seria a parte submissa e ela seria a dominante - refletida no caótico relacionamento dos pais de Amy. O velho e o novo Sheldon, assim com a antiga e a mais recente versão do Leonard, no fim das contas, seguem sendo as mesmas pessoas - com a diferença que elas fazem expressão de estranheza quando vislumbram uma foto antiga, assim como qualquer ser humano que pensa em si mesmo há dez anos.

É claro que, ao longo do episódio, esses impasses vão se resolvendo e os casais - sim, The Big Bang Theory é, nessa altura do campeonato, mais uma série sobre casais do que sobre amigos - sobrevivem às excentricidades de suas partes. Ao que o primeiro episódio indica, a 12ª temporada da série será como um apanhado de episódios comuns de The Big Bang Theory lustrados com cuidado para reluzirem mais que a média, mas sem deixar que isso assuma pretensões megalomaníacas. Por enquanto, o tom de adeus está sendo deixado de lado - os próximos capítulos devem ser a confirmação de que Lorre e Prady devem escolher sair à francesa ao invés de dar uma festança de despedida. Faz mais sentido até, levando em conta o histórico da atração e de seus personagens que, bem ou mal, já estão deixando saudades.

A temporada final estreou em 24 de setembro de 2018 nos Estados Unidos. No Brasil, o canal pago Warner Channel se encarrega da transmissão.