HQ/Livros

Entrevista

Omelete entrevista: Mike Deodato Jr.

Omelete entrevista: Mike Deodato Jr.

Érico Assis, Érico Borgo e Marcelo Forlani
04.09.2001
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h32
Atualizada em 29.06.2018 às 02h32
Domingo. Sol forte em São Paulo. Érico Borgo e Marcelo Forlani dentro de uma sala, preparados para trabalhar mesmo assim. Por e-mail, havíamos combinado de telefonar para o desenhista Deodato Taumaturgo Borges Filho. Não conhece&qt;& E de Mike Deodato, já ouviu falar&qt;&

Um dos desenhistas brasileiros mais requisitados nos States, Deodato tem se dedicado inteiramente a uma nova série na Marvel, The Witches, ainda não lançada lá fora. Atualmente com 38 anos, morando em João Pessoa (PB), o artista estava brincando com a filha na piscina quando ligamos.

Ué, mas pra que ligar&qt;& Não dava pra entrevistar por e-mail mesmo&qt;& Bom, tecnologia para isso, os dois lados tinham, mas ele preferia falar por telefone. Assim, poderia desenhar enquanto conversava com o Omelete. (ele desenha na piscina&qt;&!)

Enquanto isso, entramos em contato com nosso entrevistador oficial, Érico "Orph" Assis, que mora em Pelotas (RS). Com uma série de "gambiarras", nós, em São Paulo, conseguimos ligar o Rio Grande do Sul à Paraíba e o bate-papo foi o seguinte:

(o) Fora The Witches, no que você está trabalhando atualmente&qt;&

Agora, só Witches. Na verdade, pela primeira vez na minha vida, eu passei três meses desempregado, fazendo só coisas pra fã, pra editora pequena. Quando eu digo que é nada, é porque não tava trabalhando na mídia grande.


Proposta de Deodato para o homem-morcego

Não aparecia nada porque tive uma série de coincidências. Um editor da Marvel, que ia me passar um X-Men, saiu da editora. Apareceu um trabalho com o Batman, uma mini-série que ia levar uns três meses, que foi cancelada. Daí, por conta destes trabalhos que estavam acertados, eu já havia desistido de um monte de coisas e acabei ficando sem nada... até aparecer The Witches. E eu decidi me dedicar só a ela, para fazer um trabalho bem feito.

Agora voltou a aparecer um monte de coisas. Um outro trabalho pro Batman, um com o Stan Lee, apareceu coisa pra Dark Horse. Mas eu quero fazer um negócio diferente. Quero me concentrar só nisso, para fazer o melhor possível.

(o) Um trabalho com o Stan Lee&qt;&!&qt;&!&qt;&!

É. Era o Aquaman. Ele queria que eu fizesse o Aquaman. É daquela série das personagens de Stan Lee para a DC (leia mais sobre a série aqui).

(o) E não vai mais rolar&qt;&

Deve rolar, mas não comigo. Não sei como tá. Na hora, eu até quis fazer, mas não dava. Não dá pra fazer tudo.


O golias verde no traço de Deodato

Antes, quando eu trabalhava com o Hélcio [de Carvalho, chefe do estúdio Art & Comics e editor da Mythos], a estratégia era pegar tudo o que aparecia. Foi bom porque ganhei bastante dinheiro. Naquela época, o que aparecesse, era pra dizer sim e depois dava um jeito de fazer. Como agora eu estou solo, só eu e David [Campitti, diretor da Glasshouse Studios, agência de Deodato], eu quero fazer um negócio bem feito. Não quero saber de ganhar rios de dinheiro. O trabalho decaiu um bocado naquela época, principalmente quando eu fazia Elektra e Hulk, acho que foi minha pior fase. Agora, eu estou querendo fazer o melhor trabalho que eu puder. Se alguém prestar atenção, ótimo. Se não, pelo menos eu estou fazendo o melhor.

(o) Agora, você está fazendo só um projeto, enquanto que em outras épocas costumava fazer duas, ou até três revistas mensais (na época em que tinha o estúdio). O artista brasileiro tinha fama de ganhar pouco em relação ao que os americanos. Dá pra se sustentar só com uma revista&qt;&

Não, não, não... só quem ganhava mais que eu na época da Marvel eram os irmãos Kubert. Foi bastante grana. Não sei como era o resto (dos brasileiros), mas imagino que não era preço baixo, não. Era preço de mercado. Se você estivesse em voga, ganhava mais. Não tinha este preconceito porque o cara era latino.

(o) E a mudança do nome&qt;& O Mike foi sugestão de quem&qt;&

Isso foi assim que eu entrei, quando fiz meu primeiro trabalho, pra Malibu (Santa Claws). Não me lembro agora quem foi o editor que sugeriu. Sei que sugeriram que eu mudasse porque, na época, não era muito aceito e o editor achou que o público americano ia torcer o nariz para um latino. Aí, ele sugeriu e eu mudei. Hoje em dia, não. Está cheio de nome estranho e ninguém liga, mas, na época, acharam que era bom e eu também não estava a fim de discutir.


a revista HQ, início de carreira

(o) Como foi o início da sua carreira&qt;& Desde que você trabalhava com quadrinho nacional até conseguir trabalho com a Glass House.

Comecei fazendo fanzine por conta própria, com meu pai, que fez a primeira revista em quadrinhos do Nordeste, em 1963, chamada As aventuras do Flama. Ele me incentivou muito, sempre comprava gibi pra mim. E me incentivou também pagando a impressão dos primeiros fanzines que eu fiz, que a gente distribuía (ninguém comprava).

Aí, publiquei alguma coisa no fanzine Historieta, de Oscar Kern e participei de um bocado de fanzine. Até que apareceu A história da Paraíba em quadrinhos, do governo daqui, que acabou sendo meu primeiro trabalho pago, em 1985. E eu fiz, nesta mesma época, por conta própria, meu primeiro álbum de ficção científica, chamado Três mil anos depois.


Três mil anos depois

Naquele tempo, o Ziraldo era presidente da Funarte e eu lhe mandei o álbum. Um tempo depois, o secretário dele me ligou e pediu para participar da Bienal de Angoulême (França), ao lado de Maurício de Sousa, Luiz Gê, Angeli, Chico e Paulo Caruso e um bocado de fera. Lá, conheci muita gente legal, como o Jô Oliveira, de Recife, que depois conseguiu vender Três mil anos depois para a Heavy Metal alemã.

Voltei de lá, achando que ia detonar. Pensei "Ah, agora vou viver de quadrinhos". Mas a realidade é diferente. Perdi o contato com o pessoal da Europa. Comecei a trabalhar para a Press, a Vecchi, tudo que é editora pequena, ganhando mixaria. E vi que não dava pra sobreviver, né&qt;& Até que, em 1988, resolvi encostar os quadrinhos por um tempo e casei.


Ramthar, personagem criado por Deodato

Em 1991, acho, o Hélcio ligou para mim, porque ele conhecia meu trabalho que tinha saído na Aventura e ficção, da Abril, e perguntou “Tá interessado em fazer uma coisa pros Estados Unidos&qt;&”, que era Santa Claws (Malibu). Eram 30 dias para fazer 30 páginas desenhadas e finalizadas. Eu disse que topava, mas achei que era enrolação. Eu estava acostumado a levar calote no Brasil, né&qt;& (risos). Como não tinha nada a perder, fiz. Eles gostaram e me passaram a arte-final de Protectors, também para a Malibu. Eu estava adorando fazer isso e larguei meus empregos, que, na época, eram três, em agências de publicidade e jornalismo. Fui largando um de cada vez, conforme foi aumentando a quantidade de trabalho.


Página de Miracleman por Deodato

Aí, comecei a fazer mais coisas. Fiz Miracleman pra Eclipse - me pagaram, não me devolveram o original. Fiz coisas pra Innovation: A Bela e a Fera, Quantum Leap, Perdidos no Espaço, Executor... tudo bem realista, no estilo que eu fazia aqui no Brasil, com fotografias. Fiz também um material para a Tundra, 2 Radd, uma edição toda colorida, aerografada, que nunca saiu. O cara me pagou, porque era honesto, mas não foi publicado.

Aí, fiz várias editoras pequenas, até que finalmente eu soube que o Rogério (Roger Cruz) estava fazendo uma edição de Hulk, ou alguma coisa pra Marvel. E Marcelo Campos, um gibi da Liga da Justiça. Fiquei doido. Liguei pro Hélcio e disse “Quero entrar (no mercado) também”. Eu achei que seria o primeiro. E ele falou que estavam procurando alguém para fazer a Wonder Woman (Mulher Maravilha). Na época, ninguém prestava atenção na revista.


Bela e a Fera, para a Innovation

Antes de Wonder Woman, fui com Hélcio aos Estados Unidos para lançarmos A bela e a fera, em 1993. Ouvi um "não" de todo mundo. Eles não queriam aquele estilo fotográfico. Mostrei para a Marvel, o Neal Adams, eles falavam que estava bom, mas que não servia para heróis. Saí de lá arrasado. Aí eu vi na banca WildC.A.T.s 3 e Spawn 2 ou 4. Fiquei doido, porque não sabia como estavam os quadrinhos. Aí eu fiz duas páginas "du caramba" coloridas, aerografadas e mandamos para Neal Adams. Ele adorou, e comecei a fazer coisas pra Continuity, a empresa dele, fiz alguns Hybrids, Samuree e o Adams adorou. Foi quando fiquei sabendo da Mulher Maravilha.

Fiz mais umas duas ou três amostras “du caramba”, bem coloridas, com balão e tudo. Aí, o povo lá adorou e peguei o trabalho. No primeiro número, ninguém notou. Ah, não. Um cara de uma rádio de lá me deu um prêmio de “Melhor revista que ninguém viu” [risos]. E a partir do terceiro, pronto, começaram a prestar atenção. Eu estava doido pra aparecer, queria mostrar serviço de qualquer jeito. Caprichava pra caramba mesmo.

Eu trabalhava demais, não parava pra nada. Acabei meu primeiro casamento talvez por causa disso também. Eu simplesmente não saía de casa, não fazia nada. Claro que, na verdade, teve mais coisa, mas isso não interessa. Naquela época, eu não parava mesmo. Hoje eu paro no domingo.

Na mesma época, na Marvel, alguém se interessou por mim. E como a política do Hélcio era não recusar nada, ele falou “vamos fazer” e eu topei. E mandaram pra gente os breakdowns (esboços) de Vingadores, com finalização do Tom Palmer. Enquanto isso, Rob Liefeld queria que eu fizesse Glory. Aí foi um estouro. Depois, a Marvel queria exclusividade e, depois de um ano, eu larguei a DC. Na época, a Valiant estava interessada em todo mundo e o Dave começou a fazer um leilão. Ele falou “a Valiant está pagando tanto”. O cara da Marvel era esquentado e falou “pago o dobro, mas não tem mais leilão!”. Foi um contrato “bom da bexiga”.


Glory, da Awesome

Só que a gente já tinha prometido uns trabalhos de Glory a Liefeld. Eu fiz e a gente deixou no contrato, uma brecha para o Deodato Studios. Poxa, quem quisesse contratar o meu estúdio seria possível também. Aí, a gente contratou um monte de desenhistas e eu coordenava, ajeitava, mandava por fax. Foi uma loucura, mas a gente atendeu todo mundo. Rob Liefeld se aproveitou disso e começou a colocar meu nome em um bocado de revista em que eu não tinha feito nada. Às vezes, era desenho de Daniel e ele sapecava meu nome lá sem consultar ninguém. Nós processamos ele, mas não ganhamos nada porque ele tem os melhores advogados lá. Mas ele usou o meu nome em um monte de coisa sem permissão, sem nem dizer que era outro cara, sem falar que quando era Deodato Estúdio, era para colocar o nome de todo mundo. Nenhum editor lá cumpriu isso.

Mas, enfim, foi isso. Como deu certo de eu desenhar mulher boazuda, aí ficou esse negócio, todo mundo só me queria para desenhar mulher, embora eu nem goste. Eu faço porque acho que faço bem feito, mas o que eu gosto mesmo é de desenhar monstro e homem. Mas calhou de todo mundo gostar e é só o que eu faço.

(o) Você disse que acabou perdendo o primeiro casamento, porque trabalhava pra caramba. Acabava trabalhando inclusive aos domingos. Só que hoje é domingo e você tá trabalhando. Voltou o ritmo de trabalhar sem parar&qt;&

Na verdade, agora eu estou fazendo um mix. Eu paro uma hora, fico na piscina com a minha filha, enrolo um pouquinho, daí eu volto aqui (no estúdio) e desenho... Agora, eu estou misturando as coisas. Por exemplo, agora dou mais atenção à minha filha do que quando eu morava com ela, porque, pelo menos, um dia inteiro, eu paro mesmo. E agora eu vou até mesmo à hidroginástica. Ainda não é o ideal, mas eu estou vivendo. Antes, eu não tinha tempo nem de cortar o cabelo.

(o) Você tem uma filha só&qt;&

É só uma. Priscilla, de dez anos. E parece que ela tem jeito pra desenho.

(o) Voltando ao assunto do Deodato Studios, só o Liefeld que usou a sua assinatura para tudo o que saía daí&qt;&


Boazudas por Deo.
Lady Death X Vampirella

Não. A Marvel também. A gente especificava que era trabalho do estúdio, ninguém ouvia e tacava lá a minha assinatura em vez do nome do estúdio. E eles não botavam o nome de ninguém e o pessoal ficava puto comigo porque achavam que eu estava sacaneando. Foi uma loucura. Confesso: eu tive culpa nisso, porque eu não queria me envolver com nada da parte de negócios. Eu só queria desenhar, fazer o melhor que eu pudesse e deixava tudo na mão do Hélcio. E ele se encarregava de arranjar o desenhista, de acertar tudo.

Eu não posso reclamar, porque ganhei um bocado de dinheiro. Provavelmente, boa parte da minha fama tenha sido por eu estar em todos os cantos, o tempo todo. Eram pelo menos duas revistas por mês, durante vários anos. Hoje, eu controlo minha carreira, que decido tudo, converso com editor e tal. Naquela época, eu não falava inglês, era meio bestão, não tinha jeito pra coisa. Enfim, acho que valeu a pena o tempo que eu estava com o Hélcio, o tempo do estúdio, essa loucura toda, mas teve um preço. Eu fiquei super-exposto, naquela época, ninguém mais agüentava falar de mim lá (nos Estados Unidos) e a arte caiu um bocado. Prostituiu mesmo. Em todo canto, tinha um Deodato Studios. Ah, e uma das conseqüências foi que depois que eu saí da Marvel, passei muito tempo sem conseguir trabalho lá, porque os editores achavam que qualquer coisa que eu fizesse, havia a possibilidade de não ser eu o desenhista. Aí, o David soube disso um dia desses. E lá foi ele explicar que, havia mais de dois anos, o estúdio não existia e teve que convencer todo mundo de que era eu mesmo que estava fazendo as coisas.

Foi um negócio em que eu tive que tomar consciência. E comecei a trabalhar devargarzinho. Comecei fazendo um Batman, passei por Xena na Dark Horse, fui pra Chaos... Foi devagar que eu fui tomando consciência que estava relaxado com o meu trabalho. Acho que agora eu estou chegando no ponto que quero. Ainda tem pra onde melhorar, mas acho que não é mais com relação ao cuidado ou com o meu ânimo, porque eu estou bem animado mesmo. Com o mesmo espírito da Mulher-Maravilha e estou tendo o maior capricho e dedicação.

(o) Dessa época que você tava fazendo tudo, teve algum trabalho que você recusou&qt;&

Não. A gente nunca recusava nada. Quando era recusado, a Deodato Studios fazia. Aí, ou era o Carlos Mota ou Ed Benes... sempre convencia alguém, mas nunca recusava trabalho.

(o) Quantas pessoas trabalharam pro seu estúdio&qt;&

Carlos Mota, Emir Ribeiro, Ed Benes, Daniel (do Rio Grande do Sul), Mozart Couto fez muita coisa... Foi bom porque todo mundo ganhou dinheiro, todo mundo trabalhou, e teve a parte ruim, não prevista, que foi os editores mau-caráteres não colocarem o nome do pessoal. Mas a parte ruim mesmo foi ver um artista como o Mozart, um cara de quem eu sou fã desde a época de Calafrios, há mais tempo até, mudar o estilo dele para se adaptar ao meu estilo. Não devia acontecer uma coisa dessas, né&qt;& Era triste ver isso e ver o cara sofrer para alcançar isso e os editores não gostarem.

(o) E os artistas que estavam trabalhando para o seu estúdio ficavam bravos com você&qt;& Chegou a rolar alguma briga&qt;&


A versatilidade do Mozart Couto pode ser conferida em www.mozartcouto.com

Hélcio filtrava muita coisa. Ele é que tinha o maior contato. A minha parte era mais analisar o desenho, ver se tinha alguma coisa errada e eu fazia a arte-final. Eu tinha contato só com um ou outro. Se alguém ficava bravo eu dizia “menino, eu não posso fazer nada”. O Mozart, por exemplo, entendia, era bem amigo meu mesmo. Mas é pra ficar bravo mesmo. Eu também ficaria ao nunca ver meu nome sair. E eu queria que saísse, porque a arte tava diferente. Não ficava um desenho meu. Foi triste, mas na época, a gente não queria desagradar os americanos. Segundo o Hélcio, não podíamos recusar porque se recusássemos um, podia não aparecer mais. Eu achava que estava tudo certo. Eu acho que o período que eu passei foi bom. Aprendi a ser rápido e ganhei um bocado de dinheiro. Agora é uma nova fase. Eu quero fazer um trabalho de qualidade. E se antes foi bom, agora vai ser melhor ainda, imagino.

(o) Você explicou que com a superexposição, a queda da qualidade e por causa da quantidade de trabalho e mudança de estilo, o seu nome deu uma caída no mercado americano...

Eu lembro que passei, pelo menos, um ano no Top 10. Da Fan, da Combo e da Wizard, eu cheguei a estar entre os dez, pelo menos, um ano e meio. Aí, eu sumi. Não das bancas e nem que eu não estivesse fazendo sucesso, mas não consegui mais chegar àquele topo...


Página de Vingadores

(o) E o que você fez depois dessa queda de popularidade&qt;&

Eu marco assim: o início da minha carreira foi com a Mulher-Maravilha, acho que o auge deve ter sido na época dos Vingadores, que estava lá embaixo mesmo e acabou ficando entre as 40 revistas mais vendidas, sendo que, antes, nem aparecia entre as cem mais vendidas. Foi subindo, subindo, até que eles decidiram passar para Liefeld e companhia fazer aquele negócio que não tinha necessidade.

(o) Mas você gostava da arte-final do Tom Palmer&qt;&

Não, mas não o culpo, porque eu só fazia breakdowns. Ele já não tinha a mesma habilidade da época da Tumba de Drácula. Mesmo assim, o cara fez milagre ali, porque o que eu fazia era quase que só esboço e ele tinha que criar tudo. Acho que ficou solto, ficou diferente, mas podia sair bem melhor.

Mas voltando ao outro assunto, acho que o início da minha queda foi com Elektra. Tinha tudo pra dar certo. Saiu entre os 20 mais vendidos, teve uma boa campanha promocional, só que tudo estava errado na concepção. Ela não matava ninguém, usava aquela espada só de enfeite. Estava parecendo novela mexicana. Tudo errado. Ficou chatíssimo. Só melhorou a partir do número 14 quando Larry Hama, pegou porque ele é especialista em ação e começou a melhorar, mas daí já não tinha mais ninguém para ler.

(o) Então, a sua relação com o Peter Milligan, que escrevia Elektra antes, não foi boa.

Pois é. Eu sei que ele é famoso, que ele fez coisas boas pra Vertigo, mas ali, sinceramente estava uma porcaria. E meu desenho, que começou bem, foi caindo, caindo até que botaram outro arte-finalista e eu comecei a ter um bocado de choques com a editora, Bobby Chase – tudo o que ela queria era o contrário do que eu queria. Fui ficando sem gosto de fazer e tinha que fazer Elektra e Hulk ao mesmo tempo, ou Thor ainda.

Ah, meu auge em termos de desenho depois de Mulher-Maravilha foi Thor, os quatro primeiros números. E, em termos de popularidade, fui caindo junto com Elektra. E quando a revista fechou não dava pra chegar ao público e explicar “olha, estava ruim por causa disso ou porque a história estava ruim”. A culpa foi minha. Eu peguei a revista, ela começou e acabou comigo, imagino que a culpa foi minha mesmo. Então, acho que caí ali com Elektra.


Purgatory para a Chaos

E, no Hulk, os desenhos estavam muito ruins também. O arte-finalista era terrível. E a gente ia fazer o Hulk por muito tempo e de repente a editora [Bobbie Chase] mudou de idéia e botou Adam Kubert sem avisar. Acabamos entrando numa fria, porque, se soubéssemos que, depois de quatro números, eu seria trocado, não tínhamos aceito. Depois disso, fiz um monte de coisas pra Chaos – Lady Death, Purgatory – e foi bom em termos de qualidade gráfica que eles davam. Eu tinha liberdade pra fazer o que quisesse. Mas ninguém lia. Você tem um público lá, mas é um público bem específico.

Depois fiz uns seis Batman. Adorei. Ei gosto muito do Morcegão. Gostei do resultado, mas, do arte-finalista, eu não estava gostando. Não gostei de nenhum. Nessa época eu deveria ganhar um título mensal de Batman, mas tive um problema com o editor que saiu. Foi assim, a gente tinha feito um número de Batman e tinha combinado que ia dar uma parada só pra fazer um outro trabalho já combinado e depois voltava pra fazer mais uns números. Só que o editor saiu e entrou um outro no lugar que não sabia dessa história. Ele pensou que a gente tinha recusado o trabalho. Aí levou um longo tempo pra gente convencer o sujeito de que a gente não tinha sacaneado. Daí, comecei a fazer umas capinhas, um trade-paperback [edição encadernada] e uma edição horrorosa de Batgirl. Dei uns azares... então fui fazer Xena pra Dark Horse. Adorei esse trabalho porque era bem parecido com fotografia, só que a revista acabou e ninguém nem notou porque era da Dark Horse.

Na época, eu estava mais concentrado na Chaos, mas aquilo não é notado e o texto era horrível. Então, comecei a paquerar a Marvel de novo. Fiz uma capa, umas amostras de outras coisas até que um ex-editor lá, o Jason Liebig, queria me passar umas histórias do Noturno (ex-X-Man). O David falou pra mim “capricha aí, tente fazer o melhor trabalho de sua vida”. Em Xena, eu comecei a ficar com vontade de voltar ao meu antigo estilo, que era usando fotografia, um desenho mais realista. Comecei a pegar fotos da atriz Lucy Lawless, que faz a Xena na TV. Então, estava no meio do caminho entre o meu estilo agora e o que eu fazia antes. Foi quando o Jason pediu pra fazer a história do Noturno e eu fiz tudo fotografado.


Deodato dando uma de Noturno.

Me fotografei, usei referência de cenário, fotografei minha esposa, amigos. Era uma história de 11 páginas e eu fiz bem caprichada mesmo. Uma storytelling bem contada, com bastante sombra. Estou bem orgulhoso mesmo. Está pra sair em um mês [saiu em julho). O cara adorou.


Guerreiras de Jade

Ah! Nesse meio tempo, fiz Warriors of Jade (Guerreiras de jade) também, que agora está saindo pela Avatar. Foram três números pela Image, até que David pegou uma briga com o safado do Jim Valentino, porque ele tava roubando a gente. Literalmente! Fazia as contas todas erradas. Daí, David ligou lá pra reclamar, brigou e disse que queria imprimir por outra gráfica pra poder ganhar um pouquinho de dinheiro. E o cara deve ter uma comissão, porque brigou, falou que ia processar se a gente botasse em outra gráfica. Então, David falou "ok, manda um contrato por escrito", que era o que a gente queria pra poder processar. Ele falou "por escrito, um caralho". Pouco tempo depois anunciou que Guerreiras de Jade não ia mais sair pela Image porque a editora não ia publicar mais nada sexy. Só que não tinha nada disso. Era só ele falar que a gente mudava o conteúdo.

(o) Acabaram saindo da Image só Jade Dragons e Exposure. Nenhuma outra revista “sexy”, tipo Witchblade, caiu fora.

Pois é. Foi sacanagem. O cara é um mafioso mesmo.

(o) Lá você ganhava pela circulação da revista&qt;&


Guerreiras de Jade

Não. A gente ganhava como autor mesmo. Ele ganha uma porcentagem e o que sobrava era da gente. A gente pagava a Image para usar o selo deles. O que é importante. Só de ter o selo da Image já vende bastante, pelo menos 50% a mais. Só que o cara era sacana e queria ganhar ainda mais. Daí, a gente decidiu sair pela Avatar que é outro cara que está dando um bocado de dor de cabeça. Era pra sair em novembro e só saiu agora e deu problema de pagamento. Terrível.

E, neste tempo de Guerreiras de Jade, eu comecei a usar só lápis. Faço isso desde o número 1 da Avatar, porque David me mandou uma amostra que tava só o lápis colorido e não ficava a dever a uma arte-final. Eu perguntei o que era e ele falou que era um lápis bem marcado, era só dar uma escurecida quando escaneasse que ficava bom. Eu testei em Guerreiras de Jade e deu certo. Pra esta história do Noturno, eu pensei “ele quer lápis, certo&qt;&. Só que eu vou mandar um lápis naquele estilo. Ele é tão preto que parece arte-final. Preenche mesmo o preto”. Eu fiz e ele adorou. Ficou doido. Só que não queria preto daquele jeito porque o arte-finalista não ia gostar de finalizar. Eu expliquei pra ele que tinha feito justamente pra usar daquele jeito e ele falou que não e tal e eu falei pra deixar que eu ia fazer de novo. E refiz as 11 páginas da história. Porque eu queria agarrar a chance. Ele gostou e eu peguei a história. Ele gostou tanto que falou que ia me passar um título de X-Men. Eu pensei "Opa, era isso que eu queria". Daí, ele foi despedido [risos].


Mais exemplos do uso de referências fotográficas

E foi neste tempo que teve o problema de Batman, outra sacanagem. Foi tudo de uma vez. Era uma mini-série de Batman que ia durar uns três meses e tava o contrato assinado, tudo certinho, com o Bob Schrek. E começaram a aparecer outros trabalhos e, já seguindo a nova política, eu recusei. David chegava e perguntava "o que tu acha disso" e eu dizia que não queria me comprometer com nada porque ia fazer Batman com qualidade. Recusei, pelo menos, uns quatro trabalhos. Aí o cara de Batman ligou e disse que tinha sido um engano, que era pra mandar pra outro ilustrador. E eu falei do contrato assinado e de que tinha recusado um bocado de coisa. E ele falou pra mandar o contrato de volta. A gente falou que não ia mandar nada de volta. E ele falou "tudo bem, se você não mandar o contrato de volta, Deodato nunca mais trabalha pra DC". Aí, a gente mandou de volta [risos]. “Já está indo..

(o) “Olha lá no correio se não chegou!” [risos]

É... já deve estar aí! E perguntamos "Será que você não tem outra coisa pra cobrir&qt;& Porque recusamos pelo menos uns quatro trabalhos". Ele falou que ia ver.

E arranjou&qt;& Nada! Aí, foram três meses sem trabalho porque sumiu um aqui, outro ali. Foram, pelo menos, uns sete trabalhos que sumiram. E pra cobrir isso&qt;& Não foi fácil. Aí, tasca a fazer desenho pra fã, desenho pra site. Fiz um bocado de desenho pra um site de sacanagem.


A X-Man Tempestade no traço de Deodato

Foi aí que eu comecei a entrar em contato com a nova editora que assumiu o trabalho do Jason Liebig, que era seu assistente. Falei que ele tinha prometido aquele título e nada. Depois de um tempo, ela falou que tinha uma edição de Tempestade (dos X-Men). “Quer fazer&qt;&”. Eu disse que sim. Ela ficou de mandar e nada. Disse que estava refazendo o roteiro até que falou "ainda não está pronto aquilo lá não, mas tem um outro projeto que é The Witches. Tem um desenhista europeu que a gente está de olho, mas o nosso desejo é um negócio mágico, meio realista e o único problema deste europeu é que ele não desenha muito bem mulher. Se você conseguir fazer um trabalho melhor que o dele, o serviço é seu". Ela mandou o roteiro, me disse como queria e eu fiz vários estudos de personagem, que é tudo aquilo que eu já divulguei. Aí fiz bem caprichado mesmo. Que nem uma campanha de publicidade. Tudo bonito, com as descrições das personagens pra ela mostrar em reunião e arrasar mesmo. Aí o cara perdeu o trampo no segundo seguinte [risos]. Eu nem sei quem foi.

Ela adorou o trabalho, mostrou pro Joe Quesada (editor-chefe da Marvel), aprovaram a revista, eu comecei a fazer e estou doidinho aqui. Falta pouco para terminar o primeiro número e as três capas estão prontas. A primeira vai sair na edição de pôster da Marvel que sai este mês ou o próximo, não sei. E deve virar um pôster bem grandão. Achei bem legal aquela capa.

(o) Dá pra explicar um pouco como é The Witches&qt;&

É como se fosse As panteras, mas, quando a gente fala isso, o pessoal pensa que é bem sem conteúdo, só uma brincadeirinha e tal. É mais ou menos o espírito disso. O Dr. Estranho é como se fosse o Charlie, elas são as panteras, só que com magia. E tem o roteiro dessa Bronwyn Carlton... aliás, eu nem sabia que já tinha trabalhado com ela. Fiz um número de Harley Quinn que era escrito por ela. O diálogo é muito bom. É muito real. As meninas se conhecendo parecem mulheres se conhecendo mesmo e brigando. Tudo muito natural, achei muito legal.

Então, essas são as três bruxas que o Dr. Estranho reuniu para recuperar um livro mágico. Se não recuperar, vai acabar o mundo. Então, ele reúne as três, elas vão se conhecendo e se preparando pra encontrar o monstrão. Mas o que está me motivando nessa história é desenhar o Lobisomem, que aparece no próximo número (2), que vai ter uma briga boa. Tem o Monstro do Pântano. E aí entra aquele lance que eu adoro desenhar terror.

(o) Homem-Coisa!

Como&qt;&

(o) Homem-Coisa. O Monstro do Pântano é da DC

É isso mesmo. Homem-Coisa. Mas então, está legal demais. Adoro desenhar monstro. Eu acho legal misturar super-herói com terror. Terror clássico: Lobisomem, Frankenstein, múmia, Monstro do Pântano. Estou achando legal demais porque posso fazer um negócio bem realista. Dá pra desenhar super-herói, desenhar terror, e o diálogo é impressionante. Não sei se estou sendo machista, mas acho que o fato de ela ser mulher ajuda nisso. Sei lá! Ela é boa escritora mesmo. Você vê isso principalmente quando elas estão conversando entre si.

(o) Ela começou a trabalhar com isso. Fora dos quadrinhos. Livros de contos de terror. Até trabalhou com o Neil Gaiman em algumas coisas, depois foi pra Vertigo.

Então, estou em boas mãos mesmo. Eu recebi o plot [N.E. argumento, idéia principal da história] do primeiro número e depois eles decidiram mudar. Melhorou muito. Aí, a editora, Lysa Hawkins, está entrando bem. O primeiro roteiro era meio básico demais. Não tinha conversa, não tinha envolvimento. Parecia coisa de super-herói mesmo. No segundo, já deu uma melhorada incrível. Então, acho que está um time bom. Eu estou animado, com um estilo diferente. Tem a Carlton e a Lysa. Essa aí é muito acessível. Nunca me dei tão bem com uma editor quanto com ela. Boa demais. Me apóia em tudo. Briga por qualquer coisa que eu queira lá. Eu não gosto de uma cor, ela vai e fala com o cara. Impressionante! Um contato rápido e muito bom. Por isso, acho que tem tudo pra dar certo. É que é difícil a gente pensar "vou fazer uma revista com o Dr. Estranho e três bruxas desconhecidas da Marvel"... Tem tudo pra fracassar no primeiro número, mas, visto daqui, está parecendo tão bom. Se não der certo, é porque Deus não quer.

(o) Você falou bastante de que não gostou de uma determinada arte que saiu em tal revista. Como é o seu trabalho&qt;& Você manda a sua arte e lá eles cuidam de tudo e você só vê quando tá impresso, ou recebe de volta pra aprovar&qt;& Como é este processo&qt;&

Eu recebo o roteiro e faço os layouts pequenininhos, tamanho ofício, de, pelo menos, umas 11 páginas, que é metade do roteiro. Aí mando por e-mail pra Lysa Hawkins. Ela aprova dez e em uma encrenca só pra dizer que encrencou (risos). Não, mas os conselhos que ela dá são bons. Eu mudo, ela aprova e pronto. Daí eu faço os lápis e mando por e-mail pra ela aprovar e mando o pacote. E quando sai a cor ela me manda, se eu não gostar, vou e falo "não gostei deste azul, dá pra trabalhar mais o tom de pele". Ela passa o recado pro colorista e pronto. Aí eu só vejo quando tá impresso mesmo. E geralmente é muito tempo depois.

(o) E em roteiro, você mete a colher&qt;&


A edição de Batman em que Deodato e Carlton trabalharam juntos.

Não. Na verdade, eu estou com vergonha de falar com a Brownyn Carlton. Primeiro porque ela está fazendo um trabalho tão bem feito que eu tenho medo de meter o bico e atrapalhar uma coisa que está dando certo, sabe&qt;& Mas eu vou falar um dia. Se for falar alguma coisa, vou pedir pra botar cena de briga. Eu interajo muito com o David em Guerreiras de Jade. Falo pra ele "a gente podia começar de um jeito" ou "não gostei deste começo". Mas em Witches, eu devo fazer isso no futuro. No momento, está indo tão bem... Quando eu me sentir mais à vontade, vou começar a dar umas idéias. Quando é um roteiro mais ou menos, a gente pode até falar alguma coisa, mas, quando o serviço é bom, dá até vergonha dar sugestão.

(o) Em outros trabalhos você já deu idéias&qt;&

Não. Nunca. Só com Guerreiras de Jade mesmo, porque eu só comecei a aprender inglês faz um ano. Aí eu nunca falava com ninguém. Era só Hélcio que falava. Nunca tinha contato com nenhum editor. Só em convenção, que era aquelas conversas de índio, né&qt;& (risos). Mas por carta, e-mail, nunca tive contato nenhum mesmo.

(o) A Bronwyn Carlton trabalhou na Mulher-Gato e foi praticamente despedida da revista, porque os leitores estavam mandando cartas dizendo pra ela sair, metendo o pau no roteiro.

Ah, foi&qt;&

(o) Deve ter melhorado bastante agora em Witches. Talvez super-heróis não seja muito a praia dela.

Até agora, acho que tá dando tudo certo.

(o) Recentemente, nós falamos com o Neil Gaiman, e ele disse que toma cuidado de fazer o roteiro baseado em quem vai desenhar. Você já recebeu alguma coisa específica que alguém escreveu pensando "isso aqui tem que ser feito pelo Deodato"&qt;& Mesmo aqui no Brasil&qt;&


Tem mulher no meio&qt;& Chama o Deodato!

Bom, acho que a maioria dos trabalhos depois de Mulher-Maravilha foi assim. Geralmente quando era coisa de mulher, né&qt;& Por exemplo, tem o Axel Alonso. Ele já me sondou pra fazer, no intervalo de Witches, uma mini-série com personagens femininas de kung fu. É tudo assim. Tem mulher no meio, chama o Deodato.

(o) Mas você falou que gosta mais de desenhar monstros... Já recebeu alguma proposta pra Vertigo&qt;&

Eu queria. Gostaria muito de fazer umas coisas diferentes de super-herói. Uma história com começo, meio e fim. Nunca fiz uma graphic novel. Uma coisa fechada, bem escrita, sem ter gente explodindo... isso pros Estados Unidos. Aqui no Brasil, eu fiz um bocado de coisas. Eu estava doido pra fazer algo assim, mas agora tenho que me concentrar em Witches, fazer o gibi decolar. De repente, dá pra fazer isso em Witches. Se fizer sucesso, vai dar pra ela brincar com um bocado de temas. Vamos ver o que acontece. Acho que a Bronwyn é uma boa escritora. O melhor com quem eu já havia trabalhado foi Warren Ellis, naqueles quatro números de Thor.

(o) O Warren Ellis está iniciando uma linha de quadrinhos de propriedade dele e buscando vários desenhistas. Ele chegou a falar contigo&qt;&

Não. Eu não acho que ele gostou muito daquele Thor. Eu nunca ouvi ele falando bem daquilo. Acho que deve ter ficado meio complexado. Ah, teve outro bom com quem eu trabalhei que foi Peter David. Teve uma história de Harlan Ellison que ele adaptou. Ele gostou muito na época. Encontrei o cara na convenção de San Diego e ele elogiou muito. Mas, depois de Hulk, acho que ficou meio decepcionado (risos). Acho que também não vou conseguir trabalho com ele, não.

(o) E você tem algum trabalho exclusivo para Internet&qt;&

Eu fiz só esses desenhos pra site de sacanagem e alguns pra outros tipos de site. Esse de sacanagem foi bem legal. Acho que era Space Girl o nome do site. Bené fez um monte de coisa. Eles pagam bem que só. É sacanagem misturado com terror. Bem explícito mesmo. Fiz umas duas ou três peças pra eles. Bem interessantes.

Eu não acho que quadrinho em internet funcione, não. A não se que seja pra botar quadrinhos que abra rápido. Uma coisa que você não tenha que esperar muito. E só quadrinho mesmo. E se mexer já é desenho animado, não é quadrinho. Fora isso, por quadrinho na internet, eu nunca me interessei. A não ser pra ver notícia de quadrinho.


O mais recente sketch de Deodato, finalizado no mesmo dia em que essa matéria foi ao ar..

(o) Tem mais alguma coisa pra falar&qt;&

Acho que não... deixa eu ver se tem alguém pra falar mal (risos)

(o) Ah, você sentiu alguma mudança na Marvel com a entrada do Quesada&qt;&

Ah, estou adorando. Primeiro porque ele é desenhista, né&qt;& Da minha turma. E depois porque tem contato com um monte de gente... Kevin Smith. Ele é amigo de todo mundo. Sabe valorizar um bom script, está convidando tudo que é escritor bom pra lá. Ele sabe que tem que balançar a mídia, está sempre no meio de alguma fofoca, algum evento. Cria uma briga com o McFarlane só pra aparecer. Acho que está fazendo muito bem e certo. Se não der pedal, vai ser por causa da crise dos quadrinhos americanos e o problema financeiro da Marvel. Fora que ele é um desenhista espetacular. Fora de série. E é meu chefe, né&qt;& [risos]

(o) Legal, então era isso. Muito obrigado pela entrevista.

Valeu, abraço pra vocês.

O Omelete agradece a disposição do Deodato pelo bom papo. Aguarde, em breve, The Witches nas melhores comic shops!