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As melhores HQs de 2014

De Batman a Ms. Marvel, de Pinnochio a Planetary, o que de melhor foi publicado no ano que passou

Érico Assis
14.01.2015
15h43
Atualizada em
29.06.2018
02h30
Atualizada em 29.06.2018 às 02h30

Em 2014 os quadrinhos continuaram variados. Seja aqui ou no exterior, seja graphic novel ou mangá, seja a história de um garoto criado por tigres ou uma super-heroína muçulmana, seja Paolo Pinnochio ou Batman, quem quis ler bons gibis teve opções legais em aventura, comédia, epopeia cósmica, autobiografia, contos de formação e histórias de super-heróis. E, se você ainda não leu nada da lista abaixo, tem todo 2015 para procurar.

Para mostrar essa variedade, preferimos não fazer um "top" nem limitar o número de HQs. Assim você acompanha tudo que lemos de melhor no ano que passou.

tungstenio

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saga

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this one summer

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batman

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ignorantes

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thermae romae

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ms marvel

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mayara e annabelle

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here

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bom de briga

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paolo pinochio

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moon knight

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planetary

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Melhor Álbum Brasileiro

Começamos com um problema dos mais bonitos: ficou difícil escolher a melhor HQ brasileira de 2014. Se formos pelo critério pau-a-pau-com-o-que-se-faz-de-melhor-na-nona-arte-mundial, Tungstênio de Marcello Quintanilha (Veneta) é o grande destaque do ano: uma história de crime, amor e família na Salvador contemporânea encaixada num experimento narrativo tão cuidadoso quanto o traço de Quintanilha. Se o critério é ótima-história-por-quadrinista-promissor, Klaus de Felipe Nunes (Balão Editorial) é um belo primeiro álbum que transforma a passagem para a adolescência em fábula. E se o critério é roteirista-e-desenhista-em-sincronia, Aos Cuidados de Rafaela de Marcelo Saravá e Marco Oliveira (Zarabatana) utiliza as HQs com criatividade para contar a tragicomédia do cara que se apaixona pela enfermeira da mãe idosa.

Melhor Graphic Novel dos EUA

This One Summer de Mariko e Jillian Tamaki (First Second) é uma história sobre férias de verão, sobre o fim da infância e o início das responsabilidades da adolescência, igual a muitos filmes e livros que você já deve ter assistido ou lido. A diferença está em ver essa história contada no traço e na narrativa de Jillian Tamaki, que cria uma atmosfera própria para fugir da premissa clichê. Rende a graphic novel do ano, já devidamente reconhecida por prêmios lá fora.

Menções honrosas: Seconds de Bryan Lee O'Malley (Ballantine), Bom de Briga de Paul Pope (Quadrinhos na Cia., no Brasil), Wimbledon Green de Seth (A Bolha, no Brasil).

Melhor Álbum Francês Para Quem Não Lê Francês

Os Ignorantes de Etienne Davodeau (WMF Martins Fontes) apareceu nas livrarias brasileiras de surpresa e conquistou críticos com a história real dos amigos que resolvem trocar suas experiências de carreira: fazer quadrinhos e vinhos. Você acaba aprendendo um pouco sobre as duas coisas. Já nos EUA, também apareceu uma pérola francesa chamada Beautiful Darkness de Fabien Vehlmann e Kerascoët (Drawn & Quarterly) na qual uma trupe de personagens fofinhos vive alimentando-se do cadáver de uma menina - e o que acontece com a fofurice e os bons sentimentos quando a comida começa a acabar.

Menção honrosa: Os dois volumes de Aâma de Frederik Peeters (Nemo), séria candidata a melhor HQ de 2015 assim que chegar ao final.

Melhor Álbum de Argentinos Legais

Paolo Pinocchio (Zarabatana) ainda é sobre o clássico garoto de madeira, mas, na versão do quadrinista argentino Lucas Varela, é um cínico misógino que sempre se dá mal, morre, vai para o inferno e, de tão cínico e misógino, consegue trapacear até o diabo. Um dos quadrinhos mais engraçados que saíram no Brasil este ano.

Melhor Gibi do Batman

Batman, tanto por aqui quanto nos EUA, segue chutando bundas. Praticamente única revista da DC que funciona sem mandos e desmandos editoriais - e mais vendida da editora -, a parceria Scott Snyder e Greg Capullo continua empolgante seja reinventando a Bat-origem em "Ano Zero" (saindo no Brasil), seja inventando planos mirabolantes do Coringa em "Endgame" (saindo lá fora). Tem cada vez mais Bat-fãs dizendo que a fase Snyder/Capullo vai ser lembrada por décadas.

Menção honrosa: Com pontos altos legais e pontos baixos abissais, a semanal Batman Eternal (também com participação de Snyder) envolve todo o Bat-universo em uma grande trama que começa com a prisão de Jim Gordon. A Panini já confirmou que começa a publicar a série aqui em breve, também semanal.

Melhor HQ da Marvel

Enquanto os filmes do Marvel Studios rendem bilhões, a editora faz o que bem entende com seus heróis de segundo escalão. E como as franquias Vingadores, X-Men e Homem-Aranha estão em tramas de longuíssima duração, vale ainda mais a pena conferir as séries "menores": Hawkeye de Matt Fraction e David Aja continuou brilhante este ano, mesmo que só com seis edições; Moon Knight de Warren Ellis e Declan Shalvey, ou com Brian Wood e Greg Smallwood, é uma sequência de pequenas histórias que combinam roteiro-porrada com experimentalismo certeiro; She-Hulk de Charles Soule e Javier Pulido é daqueles bons seriados de TV sobre advocacia, mas com timing dos bons seriados de comédia; The Superior Foes of Spider-Man de Nick Spencer e Steve Lieber e Secret Avengers de Ales Kot e Michael Walsh seguem na veia cômica fazendo o inimaginável com heróis e vilões clássicos da Marvel. Enfim: ótimo momento para acompanhar a editora.

Menção honrosa: Esta boa fase da Marvel já está saindo no Brasil, mesmo que dispersa: Hawkeye está em Capitão América & Gavião Arqueiro, Superior Foes em A Teia do Homem-Aranha Superior. A fase mais divertida de Thor por Jason Aaron e Cia. está em Homem de Ferro & Thor e a FF de Matt Fraction e Michael Allred acabou de chegar ao final em Universo Marvel. Isso sem contar o Demolidor de Mark Waid que a Panini tem trazido em encadernados.

Melhor Golpe de Marketing Que Deu Certo

Ms. Marvel de G. Willow Wilson e Adrian Alphona tinha a receita do que dá errado: uma nova super-heroína criada pela gerência da Marvel para responder ao debate sob sub-representação de mulheres e minorias nas HQs. A heroína muçulmana, todavia, foi bem trabalhada. Uma trama de origem e formação que realmente envolve, com desenhos empolgantes de Alphona, acabou vendendo bem e definindo a garota como bom exemplo de herói Marvel, além de discutir pertinentemente a função da violência nas histórias de super-heróis. Não há dúvida de que é um dos gibis mais divertidos e interessantes do ano (e deve chegar ao Brasil em 2015). Quem diria?

Melhor Gibi Autoral Tipo Saga

Saga de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Image) ainda é a melhor Saga que temos nos quadrinhos. Há dois anos e meio crescendo entre os leitores, Vaughan e Staples ainda surpreendem a cada final de edição e fazem você se importar com os personagens que trazem à trama. O segredo da série pode ser este: ao invés de fazer o monumental que o título promete, seu foco é a vida cotidiana de cada personagem. E acabou de começar a sair no Brasil!

Menção honrosa: The Private Eye de Vaughan e Marcos Martins (PanelSyndicate.com) e Zero de Ales Kot e vários desenhistas (Image).

Melhor HQ "de Arte"

Here de Richard McGuire (Pantheon) está em produção há mais ou menos 25 anos, desde quando era uma HQ de seis páginas com uma ideia revolucionária: contar o que acontece num canto de sala, indo e voltando no tempo, desde o início da Terra até o futuro distante. McGuire expandiu a história para uma graphic novel de 300 páginas, mantendo a premissa e ainda provocando surpresa entre os leitores. É a grande HQ-arte de 2014 - que já foi anunciada para breve no Brasil pela Quadrinhos na Cia.

Menção honrosa: Multiversity: Pax Americana, a nova piração de Grant Morrison e Frank Quitely (DC), uma história em múltiplas linhas temporais que bebe tanto em Watchmen quanto em outras HQs experimentais, como Here.

Melhor Série da Vertigo Que Foi Até o Final no Brasil

A conclusão de todos os volumes de Preacher por uma mesma editora no Brasil é fato a ser comemorado, mas em 2014 a Panini também trouxe as conclusões inéditas da Planetary de Warren Ellis e John Cassaday, de Escalpo de Jason Aaron e R.M. Guéra (no fim da revista Vertigo) e de Sweet Tooth - Depois do Apocalipse de Jeff Lemire. A linha adulta da DC, que se notabiliza pelas histórias com final, parece estar em boas mãos no Brasil, dando segurança para os leitores acompanharem (e descobrir e redescobrir) boas séries por completo.

Melhor Mangá

Thermae Romae de Mari Yamazaki (JBC) tem uma premissa sem pé nem cabeça: um arquiteto do Império Romano repetidamente viaja no tempo e cai nos banhos termais do Japão contemporâneo e depois leva ideias para sua época. Mas a brincadeira fica divertida na forma como é conduzida por Yamazaki, com sua fixação por detalhes históricos trabalhada com humor.

Menção honrosa: Com cronograma bastante imprevisível, a Panini segue publicando nas bancas as pérolas Monster e 20th Century Boys, de Naoki Urasawa. Pelo menos o primeiro deve chegar à conclusão este ano, mostrando por que Urasawa é um mestre contemporâneo do mangá.

Melhor Gibi Indie Brasileiro de Procurar no Artist's Alley

Mayara & Annabelle vol. 1 de Pablo Casado e Talles Rodrigues (Fictícia) acompanha duas funcionárias da Secretaria de Controle de Atividades Fora do Comum do Ceará - a SECAFC-CE -, a repartição do governo que combate o sobrenatural. Em ritmo de Scott Pilgrim e Harry Potter, a nova série mostra o mundo cômico, perigoso e intrigueiro do funcionalismo público quando macumbas e demônios são coisa séria.

Menções honrosas: Smegma Comix de Pablo Carranza (Beleléu), Fim do Mundo de André Ducci (Arte & Letra), A História Mais Triste do Mundo de Eduardo Medeiros (Stout Club), One Shooter de Danilo Beyruth.

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