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MARVEL ROMANCE REDUX

Antes de Homem-Aranha, antes de Quarteto Fantástico, antes de X-Men, a Marvel publicava quadrinhos sabe de quê? Romance. E não era só a Marvel, eram várias editoras dos anos 50. Romances comportadíssimos, tipo será que ele gosta de mim?, oh, por que ele saiu com a outra?, como pude não perceber você e por que só os outros conseguem garotas?. As pessoas só aprenderam a transar nos anos 60.

O que a Marvel fez com essa rica biblioteca de revistas? Pediu que seus melhores escritores de humor - Peter David, Keith Giffen, Dan Slott, Frank Tieri, Jeff Parker e outros - reescrevessem balões e recordatórios de todas as páginas. Marvel Romance Redux é o resultado. Vai ser difícil achar algo mais engraçado para ler este ano.

Sem mexer nos desenhos, os autores conseguem transformar as historinhas água-com-açúcar em contos policiais, terror, ficção científica. E divertidíssimos. Garotas apaixonadas viram assassinas, aliens, aproveitadoras frias. O esperado beijo final é a oportunidade para arrancar o cérebro do trouxa. As cenas de choro no sofá, do por que ele não me quer?, viram mamãe morreu e não pode assinar meus cheques!.

E as páginas originais não são de qualquer um. Arte clássica de Jack Kirby, Gene Colan, John Buscema, John Romita e outras grandes figuras da Marvel das antigas.

A minissérie teve quatro edições, e deve ganhar coletânea em breve. Corra atrás.

X-FACTOR 8
FALLEN ANGEL V2
6

Falando em Peter David, boas notícias! Seu sarcasmo - marca registrada nos anos 90 - está de volta!

A nova X-Factor (que, aliás, ele escreveu em boa fase nos 90) demorou pra pegar, mas já está com diálogos certeiros e situações para acabar com a moral de qualquer herói. Além do irônico Madrox, o destaque é a estranha garota Layla (saída de House of M). É a série mais bem escrita da linha X.

E em Fallen Angel - da qual a DC inexplicavelmente abriu mão, e que agora está na editora IDW - David corre solto. Nas primeiras seis edições do segundo volume, finalmente revelou a origem de Lee e deixou o humor ácido escorrer não só pela boca dos personagens, mas também no absurdo da trama.

Bem-vindo de volta, tio David.

ACTION COMICS 840
BATMAN 654


Meu problema com a DC é que parece haver uma política editorial de não-correr-riscos. Não estou falando de fazer grandes mudanças nos personagens, virar a vida deles de cabeça pro ar, nem nada assim. É uma questão de estilo, de narrativa. Os quadrinhos de Batman e Super-Homem são invariavelmente chatos, independente do escritor, devido a uma série de regras de estilo que emperram a criatividade de qualquer um. Ninguém foge do padrão da historinha banal, mocinhos e bandidos e investigar o crime e encarar o alien superpoderoso e vencer, com poucas variações.

Batman até tem uma história boa de vez em quando - mas sempre fora de suas séries mensais. O Super, só quando encontra um escritor que consegue mexer no emaranhado de normas para dizer algo original. É raro.

As edições mencionadas acima fecham os primeiros arcos um ano depois nas bat- e super-séries. São decepcionantes; nenhuma cena empolga. James Robinson já foi um escritor muito bom, mas não faz nada pelo homem-morcego. O arco do Super-Homem volta-se para adaptá-lo ao filme - emblema com relevo, fortaleza da solidão, brigando com o Luthor. Back to basics, como dizem os americanos. O problema é que ele nunca saiu do básico - todas suas histórias do Super são iguais desde o John Byrne.

Sei que eles são propriedades que fazem milhões para a Warner, mais do que personagens de quadrinhos. Mas para que eles continuem fazendo milhões, a DC devia fazer um esforcinho para manter boas revistas.

JUSTICE 6

Para me contradizer, vem esta maxissérie em 12 edições. Alex Ross e Jim Krueger no roteiro, Doug Braithwaite nos desenhos, Ross pintando por cima do lápis. É a história definitiva da Liga da Justiça contra a Legião do Mal. Ou o episódio de Superamigos que você sonha desde criança.

Tem um dinamismo que falta a todas as outras revistas do universo DC. Narrativa veloz, páginas com lay-out ousado, diálogos rápidos e espertos. E um conflito entre heróis e vilões que empolga de verdade.

Está para ficar registrada como a melhor história da Liga de todos os tempos.

CHICANOS 8

Deliciosa série do desenhista de 100 Balas, Eduardo Risso, com o roteirista argentino (assim como Risso) Carlos Trillo. Na verdade, um trabalho que eles fizeram para a Europa, e que chegou há pouco nos EUA pela editora IDW.

É a história de Alejandrina, uma detetive particular chicana, extremamente atrapalhada. Já leu J. Kendall? É praticamente uma paródia da Julia de Berardi. Ao invés de Audrey Hepburn ou a típica gostosa dos quadrinhos, Alejandrina é baixinha, não tem pescoço, é cara de rato e possui seios descomunais. E nunca consegue resolver qualquer caso.

A IDW não informa até quando a série continua, e não sei quantas histórias a dupla produziu para a Europa. Tomara que faltem muitas.

RAPIDINHAS

Fables 50 - Eu tinha implicância com esta série, mas li uma seqüência de edições e comecei a gostar muito do estilo do Bill Willingham. As brincadeiras com os contos de fadas não são óbvias, e isso é o charme de Fables. E está para sair um spin-off, Jack of Fables - com o João, do pé de feijão - baseada na minha história predileta até agora: em que Jack vai para Hollywood. Vai ser legal.

JSA Classified 13 - A competente história de Stuart Moore e Paul Gulacy nas últimas quatro edições revitalizou Vandal Savage, o inimigo imortal da Sociedade da Justiça. Que, por motivos inexplicáveis, está às portas da morte. Ótima leitura.

American Virgin 4 - Adam, garoto-propaganda do celibato até o casamento, tem sua namorada violentada e morta em uma missão humanitária na África. Para descobrir o que aconteceu, ele vai passar por um teste de resistência, com os horrores da África e com o grupo que quer acabar com sua pregação. A série - Steven Seagle no roteiro, Becky Cloonan nos desenhos - quer mostrar a hipocrisia na moral da direita americana através de umas situações malucas. As primeiras edições são divertidas, e estou curioso para saber que caminho vai tomar agora.

Lucifer 75 - Acabou. Há quem diga que é genial, e por isso durou tanto tempo. Eu não entendi 99% dos simbolismos do Mike Carey.

Moon Knight 3 - A série anda muito, muito boa. O primeiro número não mostrava nada, o segundo e o terceiro começam a montar uma história bem empolgante. Apesar do desenvolvimento sem pressa, deve ser uma das boas surpresas do ano.

Squadron Supreme 4 - A série saiu perdendo ao deixar o selo Max e passar para o Marvel Knights. Sem o recomendável para maiores de 18 anos na capa, a Princesa do Poder não pode mais andar pelada (aaaaaaahhhhh!), embora, contraditoriamente, a violência continua à toda. É aquela velha discussão com a censura: violência sem sentido pode, peitos não. Straczynski continua afundando na lama.

Solo 11 - Ao contrário do que eu tinha dito num Esta Semana Lá Fora, a revista aberta a Sergio Aragonés não é uma nova Aragonés Destrói a DC. Tem uma historinha curta do Batman, mas a maioria dos contos são auto-biográficos - o que nunca tinha visto do artista espanhol. O que importa é que Aragonés, escrevendo e desenhando o que está a fim, fez uma das melhores edições de Solo, e deu vontade de ver mais da sua vida.























































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