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Artigo

DC Comics - 70 Anos de Triunfo

Um resumo da longa trajetória da casa do Superman, do Batman e vários outros heróis

Marcus Vinícius de Medeiros
15.09.2008
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h32
Atualizada em 29.06.2018 às 02h32
Quando um garoto percebe que está tudo errado com o mundo e se propõe a fazer algo para torná-lo melhor, sente-se rejeitado por uma garota e, sozinho no universo, várias decisões podem ser tomadas. No caso dos jovens Jerry Siegel

A Morte do Superman

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A Morte do Superman

Batman - O Cavaleiro das Trevas

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Batman - O Cavaleiro das Trevas

Watchmen

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Watchmen

The Adventures of Superman

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The Adventures of Superman

Action Comics 1

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Action Comics 1

A Queda do Morcego

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A Queda do Morcego

The Reign of the Superman

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The Reign of the Superman

Superman - O Retorno

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Superman - O Retorno

Superman

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O filme de 1978

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e Joe Shuster , de Cleveland, Ohio, a decisão deles mudou o mundo para sempre. O que eles fizeram? Criaram o personagem mais significativo, reconhecido e relevante de todos os tempos, dando início a um gênero, uma Era, uma indústria, algo maior em que acreditar, uma força que ressoa até hoje e não pode ser detida. Eles criaram o Superman ( Super-Homem ), o gênero dos super-heróis, a Era de Ouro dos Quadrinhos, a própria indústria das revistinhas, a crença em que um homem pode voar e fazer qualquer coisa, resultando hoje no conjunto editorial chamado DC Comics , que há 70 anos encanta o mundo com personagens maravilhosos e envolventes.

Historicamente, o processo teve início em 1933, quando Siegel e Shuster começaram a trabalhar idéias em conjunto. Eles se conheceram aos 16 anos, tornaram-se vizinhos e colaboravam no jornal do colégio. Criaram a revista Science Fiction, que no terceiro número apresentou a história "Reign of Superman". Um careca dotado de poderes mentais disposto a dominar o mundo, estava longe do herói que conheceríamos. O termo foi adaptado da obra de Friedrich Nietzche, e já aparecia em algumas revistas do gênero. A segunda versão do que seria um dia o Homem de Aço apareceu como "A Science Fiction Story in Cartoon - The Superman", que nunca foi publicada. Eles continuaram tentando. Quando chegaram à versão de roupa azul e capa vermelha, com o emblema sagrado no peito, a idéia foi recusada por várias distribuidoras de tiras de jornais. Siegel e Shuster não desistiram. Em 1934, o cérebro de Jerry Siegel começou a processar idéias numa velocidade tão grande que ele passou a noite inteira acordado. Shuster colaborou o tempo todo. Material para semanas estava pronto. As cores saltavam aos olhos. A imagem era impactante. Ninguém acreditava. A Grande Depressão imperava. Ameaças surgiam. Alguém comprou a idéia. O Superman foi publicado pela primeira vez em Action Comics 1, junho de 1938, 500 mil exemplares foram vendidos e o mundo mudou para sempre.

Batman surgiu em Detective Comics 27, de 1939, na história "The Case of The Chemical Syndicate", da autoria de Bob Kane e do desenhista Bill Filger (também roteirista, mas não creditado). O vigilante vestido de morcego surgiu de uma proposta de evoluir o conceito do Superman, invertendo características essenciais. O Homem Morcego atuaria à noite, não teria poderes especiais e suas aventuras adotariam um tom detetivesco e crimes reais. Se para o Superman, Siegel e Shuster buscaram inspiração em heróis mitológicos como Hércules e Sansão, no romance Gladiator, de Philip Willye, Kane e Finger usaram como referência para Batman uma invenção de Leonardo da Vinci, os filmes Cidadão Kane, de Orson Welles, The Bat e Bat Whisperer. O Superman era um salvador cuja história remetia a Moisés. Batman era a pura essência do medo. Personagens coadjuvantes de sucesso proliferaram. Superman teve seu grande amor Lois Lane, como alter ego Clark Kent, o fotógrafo Jimmy Olsen, o vilão Lex Luthor, entre outros. Batman passou a contar com a ajuda do parceiro mirim Robin, e os vilões Coringa e Mulher-Gato logo se tornaram imortais.

Inúmeros personagens das mais diversas editoras proliferaram, mas sem o mesmo sucesso ou criatividade. A DC Comics inovou mais uma vez quando William Moulton Marlston, na verdade o psicólogo responsável pela criação do detector de mentiras, presenteou o mundo com uma super-heroína. Mulher-Maravilha apareceu em All Star Comics 8, de dezembro de 1941. Com influência notável de mitologia grega e romana, os ideais de Diana eram propagar a paz no mundo dos homens. Marlston era um proto-feminista escrevendo para uma audiência masculina, por isso as histórias iniciais mostravam a Mulher-Maravilha delicada e submissa, mas com todos os poderes de um Superman. Flash (Jay Garryck) e Gavião Negro (Carter Hall) surgiram na antologia Flash Comics, de Gardner Fox. O Lanterna Verde (Alan Scott) apareceu em All-American Comics 16, julho de 1940, de Bill Finger. Em 1940, All Star Comics 3 apresentou os maiores heróis do Universo Original reunidos como a Sociedade da Justiça da América.

Os super-heróis não tardaram a alcançar novas mídias. Superman chegou ao rádio num seriado de sucesso em 1940, no qual foram apresentadas as lendárias frases "Mais rápido que uma bala! Mais poderoso que uma locomotiva! Capaz de saltar arranha-céus num único salto! Olhe! Lá no céu! É um pássaro! É um avião! É o Superman!". Numa das séries em animação mais inovadoras da história, os estúdios de Max Fleisher apresentaram uma visão dinâmica e poderosa do Superman em 1941. Logo foi a vez deas tiras de jornal, brinquedos e produtos licenciados. Batman e Superman chegaram aos seriados de cinema. Não havia limites. Na televisão, The Adventures of Superman estreou em 1951, imortalizando o ator George Reeves. Batman apareceu numa abordagem cômica recheada de subtextos num seriado televisivo em 1966, com Adam West (Batman/Bruce Wayne) e Burt Ward (Robin/Dick Grayson). A primeira batmania chegou aos desenhos e iniciou um fenômeno cultural. No embalo foi a vez da Liga da Justiça alcançar público infantil na forma dos Superamigos.

O Código de Ética dos Quadrinhos mudou tudo. Super-heróis deram lugar a revistas como Young Romance, de Joe Simon e Jack Kirby, Girls Love Stories, A Date With Judy e os gêneros ficção científica (Mystery in Space), guerra (Star Spangled War Stories) e western (Tomahawk). Apenas Superman, Batman e Mulher-Maravilha parmaneciam publicados ininterruptamente.

O Renascimento

A Era de Prata teve início quando Julius Schwartz decidiu reinventar os heróis clássicos para uma nova geração. O novo Flash (Barry Allen) fez sua estréia em Showcase 4, de 1956. O Lanterna Verde (Hal Jordan), em Showcase 22, de 1959. Magia deu lugar à ciência. Universos se expandiram. Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman e Caçador de Marte formaram a Liga da Justiça da América. Mil anos no futuro, os feitos de Superboy (o Superman adolescente) inspiraram a criação da Legião dos Super-Heróis, jovens de diferentes planetas com um ideal comum. A família do Homem de Aço cresceu com a Supergirl e Krypto, o Supercão. Quando o Flash (Barry Allen) encontrou o Flash anterior (Jay Garryck), que ele lia quando criança nos quadrinhos, um novo universo surgiu. O Multiverso DC. Os heróis da Era de Prata, que viviam na Terra 1 passaram a se encontrar com os da Era de Ouro, que viviam na Terra 2, na "Crise de Dois Mundos", com Liga e Sociedade da Justiça, iniciando a tradição de crises na DC Comics.

Quadrinhos se tornaram mais sofisticados e relevantes na década de 1970. Dennis O´Neil e Neal Adams tornaram Batman mais assustador, e trataram temas como vício em drogas na adolescência com o personagem Ricardito, na série Lanterna Verde/Arqueiro Verde. Elliot S! Maggin questionou se "Deve Existir Um Superman?", quando todos já sabiam qual seria a resposta final. Jack Kirby trabalhou conceitos na revista Superman Pal´s Jimmy Olsen e apresentou Darkseid e os Novos Deuses. Os parceiros adolescentes cresceram como os Novos Titãs, de Marv Wolfman e George Pérez. E a revolução estava ainda no início. O filme Superman, de Richard Donner, estrelado por Christopher Reeve, Margott Kidder, Gene Hackman e Marlon Brando chegou aos cinemas em 1978. O mundo acreditou que um homem podia voar.

Quadrinho não é coisa de criança

Na década de 1980, Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, e Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, redefiniram todas as regras ao desconstruírem o ideal dos super-heróis, ganhando destaque em diversas mídias e estabelecendo um formato de edição luxuosa para as novas publicações. "Crise nas Infinitas Terras", de Wolfman e Perez, reiniciou a cronologia do Universo DC. Surgiram os novos Superman, de John Byrne, Batman, de Frank Miller e David Mazuchelli, Mulher-Maravilha, de George Pérez, além da Liga da Justiça com heróis menos grandiosos em tom de humor, por Keith Giffen, J.M. deMatteis e Kevin Maguire.

Giffen tomou as rédeas da ficção científica na DC, com "Invasão!", a nova Legião dos Super-Heróis adulta, e a L.E.G.I.Ã.O., seus ancestrais, no presente. Os trabalhos de Alan Moore, no Monstro do Pântano, de Grant Morrison, no Homem-Animal, e de Neil Gaiman, em Sandman - aclamada como a melhor série mensal de todos os tempos - inspiraram a criação da linha adulta Vertigo. John Constantine, bruxo inglês criado por Alan Moore, ganhou o título próprio, Hellblazer, assinado por Jamie Delano.

Em 1989, Batman chegou aos cinemas pelas mãos do visionário Tim Burton, com Michael Keaton (Batman/Bruce Wayne), Jack Nicholson (Coringa) e Kim Bassinger (Vicky Vale). A batmania ressuscitou e três seqüências foram produzidas (leia sobre elas aqui). Batman - A Série Animada, de Bruce Timm e Paul Dini, ainda é considerada referência em termos de super-heróis, e surpreendeu pelo teor adulto das histórias e animação dinâmica. Logo foi a vez das versões animadas de Superman e Liga da Justiça. Posteriormente, Jovens Titãs e Legião dos Super-Heróis. Em 1992, "A Morte do Super-Homem", sob o comando de Dan Jurgens, parou o mundo. Em seguida foi a vez da "Queda do Morcego", do "Crepúsculo Esmeralda" e de muitos eventos bombásticos, no qual deve-se destacar o esperado casamento do Superman com Lois Lane.

Grant Morrison e Mark Waid deram uma virada na história em 1996, com a publicação das obras Reino do Amanhã (Mark Waid/Alex Ross) e JLA (Grant Morrison/Howard Porter). Super-heróis voltaram a significar esperança, poder voltado para o bem e vitória sobre todas as forças. Um Superman icônico e inspirador e um Batman inteligente e implacável moldaram a nova onda heróica nos quadrinhos. Apareceram séries como a "Justiça Jovem", de Peter David e Todd Nauck, com a nova geração de heróis adolescentes, a Sociedade da Justiça, reerguida por James Robinson, David S. Goyer e Geoff Johns, e constantes reformulações da Legião dos Super-Heróis e dos Novos Titãs.

Sob o comando de Dan Didio, uma nova direção foi iniciada em "Crise de Identidade", do romancista Brad Meltzer com arte de Rags Morales. O Universo DC foi levado à "Crise Infinita", "52", "Contagem Regressiva" e "Crise Final". Grant Morrison e Frank Quitely conquistaram dois Eisner Award consecutivos na definitiva All Star Superman. Frank Miller e Jim Lee polemizaram com All Star Batman e Robin, o Menino Prodígio. Geoff Johns tornou-se ícone da atual geração de escritores de super-heróis, passando por Flash, JSA, Novos Titãs, Lanterna Verde e Superman. Grant Morrison mescla todas as fases de Batman numa saga coerente e devastadora.

Batman Begins despertou novamente o interesse pela DC Comics nos cinemas, seguido de Superman - O Retorno e alcançando sucesso absoluto com Batman - O Cavaleiro das Trevas. Watchmen está a caminho. Ainda deve ser ressaltado o fenômeno televiso Smallville, série baseada num super-herói mais duradoura da história.

A DC Comics faz 70 anos. Jerry Siegel e Joe Shuster são cada vez mais reconhecidos. E nada pode abalar o universo guiado por um Superman movido por amor.