Quem é Asa Noturna, o ex-Robin que se tornou líder dos Jovens Titãs

Créditos da imagem: Divulgação/DC Comics

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Quem é Asa Noturna, o ex-Robin que se tornou líder dos Jovens Titãs

Antigo parceiro do Batman aparecerá na nova temporada da série Titãs

Gabriel Avila
24.09.2019
19h15

Grande surpresa de 2018, a série dos Titãs é responsável por dar novo fôlego à uma das mais queridas equipes da DC Comics. A produção é a primeira versão em live-action do time, que faz sucesso tanto nas HQs quanto nas animações. Enquanto a primeira temporada se dedicou a reunir o grupo, o novo ano está mostrando o amadurecimento dos personagens, em especial o Robin, vigilante começou sua jornada com o intuito de se distanciar do Batman. Esse objetivo que deve ser alcançado de vez em breve, já que fotos de bastidores mostram Brenton Thwaites vestindo um novo uniforme, revelando que o herói vai se tornar o Asa Noturna.

Divulgação/DC Comics

Com alterações no percurso, sua transformação vai seguir os passos das HQs, que viram Dick Grayson evoluir de ajudante mirim para assumir uma identidade própria. O personagem fez sua estreia nos quadrinhos em Detective Comics #38, publicada em abril de 1940. A revista apresenta o garoto como um dos trapezistas do circo Haly, que fazia números com seus pais, conhecidos como “Graysons Voadores”. A família realizava suas acrobacias até que um dia mafiosos decidem sabotar o equipamento para extorquir o dono do local. Como resultado, Mary e John faleceram, deixando o jovem órfão. Ao descobrir que seus pais foram mortos a mando de Zucco, o chefe da máfia local, ele decide contar o que sabe à polícia, mas é impedido pelo Batman que teme que policiais corruptos o matem antes que a denúncia vá para frente. Motivado a ajudá-lo, o Homem-Morcego adota o jovem Richard e passa a treiná-lo para atuar como vigilante ao seu lado. Para patrulhar Gotham, Dick assume o título de Robin, o Garoto Prodígio. A inclusão de um parceiro-mirim se mostrou benéfica para os quadrinhos do Batman, que tiveram a venda dobrada graças à identificação que a figura de um menino em meio às perigosas aventuras gerava nos leitores.

Além de desempenhar o papel de Robin, Dick ganhou relevância nos quadrinhos da DC ao fundar a Turma Titã, equipe formada por ajudantes de outros super-heróis da editora. O time surgiu durante a década de 1960 e era composto por Robin, Kid Flash e Aqualad, que estrelaram uma aventura antes de se juntarem à Moça-Maravilha. O grupo chegou a ganhar HQs próprias, fazendo com que Grayson participasse de aventuras ao lado do Batman e dos Titãs. Porém, nos anos 1970 o título do Homem-Morcego passou por uma reformulação que buscava torná-lo mais sombrio, o que fez com que Dick fosse retirado da revista em uma trama que envolvia sua ida para a faculdade. Desde então o Robin aparecia apenas nos quadrinhos dos Titãs, que por duas vezes foram cancelados devido às baixas vendas até em 1980 o roteirista Marv Wolfman e o artista George Pérez reviveram o título. Rebatizada para Novos Titãs, fase revolucionou a DC para sempre. Além dos parceiros dos heróis, o time agora tinha novos personagens como a alienígena Estelar, o trágico Ciborgue e a mágica Ravena, e falava diretamente com o público jovem-adulto da editora em histórias sobre assuntos relevantes na época, como uso de drogas e fanatismo religioso.

Divulgação/DC Comics

Durante esse período na HQ dos Titãs, Dick Grayson cresceu e aos poucos se tornou um herói maduro e independente que passou a rejeitar o destino de viver à sombra do Batman. Por coincidência, no mundo real, a DC decidiu que o Cavaleiro das Trevas deveria voltar a ter um Robin. Alegando que rejuvenescer Dick não faria sentido e se valendo das altas vendas das HQs dos Titãs, que superava às do próprio Batman, Wolfman e Pérez sugeriram a criação de um novo Robin enquanto Grayson ganharia uma nova identidade. Assim Gerry Conway criou Jason Todd e Dick se tornou o Asa Noturna. A decisão foi tomada enquanto acontecia O Contrato de Judas, uma das maiores sagas do Universo DC, que foi utilizada também como catalisador para essa mudança. Enquanto lidavam com o ataque do Exterminador e a traição da Terra, o time viu seu líder renunciar de vez viver à sombra de Bruce Wayne e retornar com a nova identidade, que, por ironia, escondia uma singela homenagem ao Superman.

Em uma aventura da Era de Ouro, Superman teve de entrar em Kandor, uma cidade Kryptoniana que foi engarrafada por Brainiac, para impedir que outros de sua raça se rebelassem para conquistar a Terra. Como kandorianos malignos voltaram seu povo contra o Homem de Aço, ele e Jimmy Olsen tiveram que se disfarçar. Inspirados em Batman e Robin, a dupla adotou novos trajes e passou a se chamar de Asa Noturna e Pássaro Flamejante. Para honrar a influência que tanto de seu mentor quanto de Superman, considerado um herói exemplar, Dick Grayson decidiu homenagear a ambos de formas diferentes, utilizando os métodos de Bruce e assumindo o antigo disfarce de Clark Kent.

Considerado um herói B do Universo DC, o Asa Noturna é celebrado como um dos mais carismáticos aliados do Batman, chegando a assumir o manto do herói em dois momentos diferentes. Com uma trajetória dedicada a mostrar que pode ser mais do que o ajudante do Cavaleiro das Trevas, Dick Grayson chegou a substituí-lo sem perder a identidade, tendo um longo arco de evolução que o levou de protegido à líder de uma das mais interessantes e celebradas equipes dos quadrinhos.

Divulgação/DC Comics