Cena de The Flash/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Episódio melancólico prepara personagens de The Flash para Crossover

“Dead Man Running” lida com mortalidade sem exagerar no drama

Nicolaos Garófalo
23.10.2019
21h00
Atualizada em
23.10.2019
19h23
Atualizada em 23.10.2019 às 19h23

Com o início da temporada de The Flash criando a possibilidade da morte de Barry (Grant Gustin) durante os eventos de Crise nas Infinitas Terras, era de se esperar que a primeira metade da sexta temporada focasse mais em como o protagonista e seus amigos lidariam com a possibilidade de não ter mais o líder da Equipe Flash em suas vidas. “Dead Man Running”, terceiro episódio do novo ano, mostra três diferentes maneiras de se lidar com a própria mortalidade, todas servindo, à sua maneira, à trama da temporada.

[Cuidado com spoilers de “The Flash – Dead Man Running”]

Após Barry e Iris (Candice Patton) contarem à equipe sobre a Crise, Nevasca (Danielle Panabaker), temendo perder a vida que mal começou a viver, entra em um acesso de fúria que a leva a agredir Ramsey (Sendhil Ramamurthy) quando ele se torna o primeiro suspeito em um caso envolvendo o roubo de armas que utilizam matéria negra. A anti-heroína passa a ficar cada vez mais violenta ao longo do episódio, apesar dos vários avisos do Flash para que ela se controle.

Ao mesmo tempo, Barry, aceitando seu destino de ter que morrer para salvar as pessoas que ama, se dedica a ajudar a amiga entender seu papel no mundo e a enfrentar a dor e a raiva trazidas pela notícia de que sua vida recém-conquistada pode acabar dentro de sete semanas. Diferentemente do herói das últimas cinco temporadas, o Barry do sexto ano não demonstra desespero em mudar o próprio futuro: de um jeito muito bem construído pelos roteiristas da série e ainda melhor atuado por Gustin, esse “novo” Flash demonstra uma maturidade antes ausente no velocista que tentava, a todo custo, alterar a história do mundo para salvar seus entes queridos.

A terceira fase do luto – ou, no caso, autoluto – mostrada em “Dead Man Walking” é a negação. Ainda tentando impedir que o mesmo câncer que matou sua mãe o domine, Ramsey começa a trabalhar junto com Barry e Nevasca com o objetivo de obter mais matéria negra para seus testes. O cientista é calculista em cada um dos seus movimentos, seja em sua conversa de peito aberto com Barry ou quando ele descobre que consegue manipular seres infectados por seu primeiro teste com a cura de matéria negra. Obcecado pela ideia de derrotar a doença, Ramsey vai evoluindo aos poucos do médico bem-intencionado ao cientista louco que se tornará o vilão Hemoglobina, em uma construção cautelosa, mostrada em cenas curtas, mas de grande significado.

A continuidade dada à personagem Allegra (Kayla Compton) também é acertada. A jovem meta-humana tem boa química com Iris e é sua persistência e competência como jornalista que levam a introdução da nova versão de Harrison Wells (Tom Cavanagh). Ter mais alguém com quem a esposa do Flash possa debater e se preocupar, especialmente uma pessoa que não faz parte da Equipe, dá nova perspectiva à sua personagem na série e abre espaço para a entrada de uma nova heroína agora que Cisco não é mais Vibe.

Servindo de alívio cômico para o episódio, a trama de Ralph com sua mãe é completamente descartável e serve apenas para quebrar o tom ameaçador que cerca os personagens. A dupla ocupa um tempo que poderia servir para explorar ainda mais os sentimentos de Nevasca, melhor personagem da temporada até aqui, ou mostrar um pouco mais do novo Wells, que aparece basicamente para fazer uma referência a Sandman, obra de Neil Gaiman, e depois sumir.

Com um tom mais melancólico, porém sem o drama comum das séries da CW, “Dead Man Running” continua a boa sequência dessa temporada de The Flash, com um final que deve mudar a maneira como os heróis se portarão daqui para a frente. Brincando com algumas das Cinco Fases do Luto de Elisabeth Kubler-Ross (negação, raiva, negociação, depressão e aceitação), o episódio dá uma prévia de como cada um dos heróis da Equipe Flash reagirá até o tão esperado crossover. Por enquanto, o caminho traçado parece interessantíssimo.