Pôster de The Flash/CW/Divulgação

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Sexta temporada de The Flash abre portas para mudanças

Novas dinâmicas da equipe podem tirar série da inércia

Nicolaos Garófalo
09.10.2019
19h06
Atualizada em
09.10.2019
19h21
Atualizada em 09.10.2019 às 19h21

Entre as séries do Arrowverso, produções da CW inspiradas em propriedades da DC, não é exagero dizer que The Flash é a que enfrenta maiores problemas para fugir da zona de conforto. Afinal, em cinco temporadas, apenas as duas últimas não tiveram um velocista como principal antagonista de Barry (Grant Gustin) – isso, é claro, desconsiderando a reviravolta ao final do quinto ano que reintroduziu o Flash Reverso/Eobard Thawne (Tom Cavanagh) como grande vilão. Com o iminente desgaste da fórmula da série, o sexto ano chegou dando espaço para algumas mudanças.

[Spoilers de “The Flash: Into the Void”]

A série recomeça momentos após Barry e Iris (Candice Patton) encontrarem a mensagem de despedida de Nora (Jessica Parker Kennedy), quando um surto de energia no Cofre Temporal frita o vídeo e, consequentemente, o último resquício que o casal tem da voz da filha após ela ser apagada da linha temporal. Sem tempo para o luto, o episódio pula para quatro meses depois, com Flash perseguindo um imitador do Deus da Velocidade, velocista do futuro que apareceu na temporada passada. O caso rapidamente é resolvido, com Cisco (Carlos Valdes) explicando para a namorada, Kamila (Victoria Park) – e para o espectador -, que este foi o quarto Deus da Velocidade falso pego pela equipe Flash.

A cena seguinte, um churrasco na casa de Joe (Jesse L Martin), serve como expositor do momento de cada um dos protagonistas: Cisco está aproveitando a vida sem poderes ao lado de Kamila, Ralph (Hartley Sawyer) está viajando o mundo por conta de um caso de pessoa desaparecida, Caitlin (Danielle Panabaker) não consegue lidar com Nevasca e Barry e Iris estão tentando ignorar o luto pela perda de Nora, confiando que uma nova versão da garota ainda vai nascer.

A maneira como o casal lida com sentimento, aliás, é um dos pontos mais interessantes do episódio: enquanto Iris se prende a tudo que restou da filha, contando com seu retorno, o marido encontra no trabalho e em um sorriso vazio uma necessária distração. Pela primeira vez em muito tempo, vemos Barry fazendo o possível para não ficar parado, forçando o resto da equipe a acompanhar seu ritmo.

Outra personagem que precisa lidar com o luto é Caitlin. A cientista comparece ao velório de sua antiga tutora, onde reencontra Ramsey Rosso (Sendhil Ramamurthy), filho da tal instrutora que pede que a cientista lhe forneça Matéria Negra para um tratamento experimental contra o câncer, prontamente recusado Caitlin.

É então que uma onda de pequenos buracos negros começa a aparecer na cidade, quase levando Iris e Caitlin, sendo esta salva de última hora pelo Flash quando Nevasca se recusa a aparecer para ajudar. As investigações da equipe os levam a Chester (Brandon McKnight), um cientista brilhante que criou uma singularidade dentro da própria garagem, mas ficou catatônico após o experimento. Não demora muito para que Cisco descubra que as funções cerebrais de Chester estão divididas entre seu corpo e os esporádicos buracos negros que surgem em Central City.

O time, já completo com o retorno de Ralph, surge com duas opções para interromper o surgimento de singularidades: jogar uma granada de matéria negra no próximo buraco negro, matando Chester no processo, ou mergulhando Barry no vazio (daí o título do episódio) para resgatar a consciência ausente do rapaz, arriscando a vida do herói. Afirmando que não pretende perder mais ninguém, Flash descarta a primeira alternativa, pedindo para Cisco descobrir um jeito de usar os materiais futuristas deixados por Nora para salvar o meta-humano da semana.

Dito e feito: com Nevasca e Homem-Elástico ajudando a polícia, o Velocista Escarlate salta para dentro do buraco negro (ao som de “Flash Theme”, do Queen, em um dos usos mais épicos da música desde seu lançamento) e salva Chester, que acorda de seu estado catatônico em uma máquina dos laboratórios S.T.A.R.

Com o fim do “caso da semana”, o episódio passa a amarrar as pontas soltas dos dramas de seus personagens. Após conversa com Ralph, Caitlin decide que é hora de deixar seu alter-ego comandar um pouco o corpo ou “arranjar uma vida”.. Já Iris e Barry finalmente conversam sobre a “morte” de Nora e o quanto eles precisam se esforçar para aceitar que ela não voltará.

O casal é interrompido pelo Monitor (LaMonica Garrett), que avisa que o desaparecimento do Flash mudou de 2021 para 2019 e que, sem o sacrifício do herói, trilhões morrerão. O episódio se encerra com Ramsey adquirindo matéria negra de um traficante de armas e usando-a no próprio corpo na tentativa de se curar de um câncer. Obviamente, a cura dá errado e o médico começa sua transformação no vilão Hemoglobina.

Apesar da obviedade da resolução do problema desta semana, “Into the Void” apresentou boas oportunidades que podem mexer com a estrutura de The Flash: o desespero de Barry e Iris para tentar mudar a inevitável Crise, a entrada da cínica e sarcástica Nevasca no lugar da doce Caitlin e a introdução de um vilão mais aterrorizante podem dar à série o sopro de ar fresco necessário para fugir da inércia.