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Créditos da imagem: Supergirl/CW/Divulgação

Séries e TV

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Supergirl começa a Crise nas Infinitas Terras com referências e sacrifício

Grande evento das séries da CW começa a entregar o que promete

Camila Sousa
09.12.2019
18h35
Atualizada em
09.12.2019
18h45
Atualizada em 09.12.2019 às 18h45

Ainda que não seja um universo grandioso como os do cinema, o Arrowverse é, de fato, um projeto de sucesso. Após a apresentação de várias séries e encontros ao longo dos anos, essa estrutura chega ao seu clímax com a Crise nas Infinitas Terras. Nos quadrinhos, o arco foi publicado em 1986 mostrando uma onda de antimatéria que está destruindo vários mundos. Então o Monitor une vários heróis para impedir o fim dos universos. Tal estrutura é repetida no primeiro episódio da Crise na TV, que começou em Supergirl mostrando várias referências e sacrifício.

[Spoilers de “Crisis on Infinite Earths: Part One” abaixo]

Uma das grandes expectativas sobre o encontro eram as participações especiais. Vários nomes foram confirmados no últimos meses e alguns já aparecem aqui, como Robert Wuhl como Alexander Knox, Russell Tovey como The Ray, Burt Ward como um já velhinho Dick Grayson, Will Wheaton como um homem prevendo o fim do mundo e um cameo não divulgado: em um frame rápido, é possível ver Alan Ritchson e Curran Walters, de Titãs, em uma das terras que está para desaparecer.

No entanto, todas essas aparições são extremamente rápidas e duram apenas alguns segundos durante a introdução da história. Ainda que tenham certo charme (com Robert Wuhk, a música clássica do Batman toca e Burt Ward usa uma roupa que referencia o Robin), os trechos são pequenos demais e fazem com que tais personagens não tenham atuação dentro do crossover. Talvez isso mude nos próximos capítulos, já que há uma grande expectativa para a volta de Tom Welling como o Clark Kent de Smallville, mas, até agora, os cameos serviram apenas para explicar ao público que sim, existem várias realidades.

As referências do episódio não param por aí e há alguns momentos interessantes. Na Terra-38, lar da Supergirl, Clark Kent vive em Argo sem seus superpoderes para ter uma vida normal ao lado de Lois e o bebê do casal, Jonathan. Mas a onda de antimatéria se aproxima e ele precisa colocar o bebê em um pod para salvá-lo. Ainda que tal paralelo com a destruição de Krypton seja batido, é emocionante ver Clark repetindo sua história para salvar o filho.

Clark e Lois são salvos no último e encontram a Supergirl em um momento interessante. Interpretado por Tyler Hoechlin, o Superman de Supergirl é calmo e pacífico, mas em todos os episódios em que aparece, o personagem revela a angústia trazida pelos superpoderes. Aqui ele se questiona se não está sendo punido por querer ter tudo: após ter poderes, ele teve a possibilidade de abdicar deles em prol de uma vida normal, algo que não é possível para todos os heróis. Clark conquistou uma vida perfeita em Argo e isso o faz se sentir culpado. Ao mostrar tais sentimentos, Hoechlin entrega um Homem de Aço com camadas de profundidade, sem precisar ser sombrio. 

Uma das características mais marcantes do episódio é ser extremamente apressado, mas isso não é negativo. Tirando a introdução e alguns diálogos expositivos que passam depressa, todo o resto é ação. Isso poderia ser ruim, especialmente para quem não acompanha as séries regularmente, mas deseja assistir ao evento, mas há tanto entrosamento em cena entre os atores, que quem assiste se sente à vontade rapidamente. Claro que quem conhece o Arrowverse à fundo entenderá muito mais e pegará vários detalhes, mas há sim como entender o que está acontecendo e se divertir com as cenas de ação que são simples, mas entregam o que prometem: entretenimento para quem gosta de heróis uniformizados.

Ainda que seja parte de um evento maior, o episódio de quase 40 minutos encontra tempo para elementos que fazem parte da história da Supergirl, deixando claro que é um capítulo que integra a temporada. É o exemplo da conturbada parceria entre Alex e Lena, já que a segunda permanece com a guarda levantada após ter sido enganada; e do pedido de ajuda dos terráqueos aos alienígenas que vivem no planeta, para fugir em suas naves antes da destruição. Brainy relembra como o governo tratou mal os seres de outros planetas no ano anterior, mas agora precisa da ajuda deles.

Crisis on Infinite Earths: Part One termina com a morte de Oliver Queen, que fica para trás para ganhar tempo e salvar mais pessoas da Terra-38. Sua morte é sentida pelos colegas em volta em uma cena intimista, que emociona muito mais do que uma grande morte do meio do combate. Oliver chega ferido a tempo de dar um último adeus à filha Mia e de deixar nas mãos de Barry e Kara o destino do Multiverso. A Crise nas Infinitas Terras continua esta semana com as transmissões de Batwoman (09/12) e The Flash (10/12) e termina em janeiro de 2020 com Arrow e Legends of Tomorrow (14/01).