Jes Macallan em Legends of Tomorrow/CW

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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Legends of Tomorrow homenageia velha Hollywood em episódio noir com menos ação

Capítulo traz humor típico da série, mas fica devendo na ação

Nicolaos Garófalo
07.02.2020
18h26
Atualizada em
07.02.2020
19h41
Atualizada em 07.02.2020 às 19h41

O lugar de Legends of Tomorrow como a série cômica dentro do Arrowverse já está bem estabelecido, pelo menos, desde sua segunda temporada. Autorreferente, irônica e propositalmente ridícula – da melhor maneira possível -, a produção coloca a equipe liderada por Canário Branco (Caity Lotz) e Eléktron (Brandon Routh) em situações cada vez mais bizarras, sempre equilibrando seu humor quase pastelão com a ação típica das séries da DC na CW.

Em Miss Me, Kiss Me, Love Me, segundo episódio da temporada – terceiro contando o capítulo de Crise nas Infinitas Terras -, esse equilíbrio se perdeu e, buscando prestar homenagem a filmes do cinema noir, os roteiristas parecem ter esquecido de uma parte essencial das séries de super-herói: a ação.

[Spoilers de “Legends of Tomorrow – Miss Me, Kiss Me, Love Me”]

É necessário dizer de antemão que este segundo capítulo não é, de maneira alguma, um episódio fraco. Ainda lidando com os diversos retornos de almas do inferno causados por Astra (Olivia Swann), as Lendas precisam investigar a ressurreição do mafioso Bugsy Siegel (Jonathan Sadowski), que tem toda a força policial e política de Los Angeles sob seu controle, além de um revólver místico capaz de transformar diversos alvos em poeira com apenas uma bala.

Dispostos a prender o mafioso e levá-lo de volta ao inferno, Canário, Eléktron e Constantine (Matt Ryan) viajam para 1947, onde se encontram com Jeanie (Haley Strode), namorada de Bugsy e informante que contratou um detetive particular para expor seus crimes nacionalmente. Em sua trama central, o episódio puxa diversas referências ao cinema noir, especialmente de Chinatown, longa de Roman Polanski lançado em 1974, com algumas frases específicas adaptadas para “Miss Me, Kiss Me, Love Me”.

Embora o roteiro seja interessante e crie situações inusitadas, como Constantine tendo que improvisar um sotaque californiano ou uma bêbada Ava (Jes Macallan) cantando desafinada e assustando todos os clientes da boate de Bugsy, o episódio não tem nenhum momento real de ação. O mais próximo que chega de uma batalha é quando um enraivecido Constantine volta ao inferno e atira com facilidade em alguns soldados de Astra, em uma sequência que passa longe de transmitir qualquer tipo de tensão.

Por outro lado, “Miss Me, Kiss Me, Love Me” traz uma ameaça realista na crescente influência de Bugsy sobre as forças de Los Angeles, aterrorizando cidadãos comuns e causando um medo real em Jeanie. Strode dá à personagem personalidade o bastante para que sua rápida passagem pela série seja memorável e sua relação com Ryan justifica o caminho mais sombrio que o Mestre das Artes Místicas toma nos minutos finais do episódio.

Injustificável, porém, é a sub-trama de Nate (Nick Zano), Zari (Tala Ashe) e Behrad (Shayan Sobhian). Após Aço ser convidado pelo irmão de sua namorada perdida para o jantar de aniversário de seu pai, o herói/historiador reencontra Zari que, nessa nova linha do tempo, se tornou uma famosa atriz e influenciadora digital, que mal reconhece Nate.

O encontro inteiro é desconfortável, tanto para os personagens quanto para os espectadores, que são obrigados a aturar diálogos soltos e sem graça, que resultam no óbvio retorno de Zari à Waverider. Após quatro temporadas extremamente criativas que usavam o nonsense como principal artifício (o episódio passado teve um quase-vlog de Rasputin), é difícil acreditar que que este caminho tenha sido a primeira opção para que a heroína retornasse para a equipe, especialmente quando Nate é o único que tem uma vaga lembrança de sua identidade.

Mesmo que a sub-trama e a falta de ação desacelerem o ritmo do episódio, “Miss Me, Kiss Me, Love Me” não deixa de ser um bom capítulo de Legends of Tomorrow. Salvo pelas atuações hilárias de Routh e Macallan e pelo trabalho intenso e emocionante de Ryan e Strode, o novo episódio fez o bastante para desenvolver o arco geral da temporada, além de se aprofundar nos sentimentos de Constantine e Ava.