Foto de Kiramanger

Créditos da imagem: Divulgação

Séries e TV

Artigo

Além de Jaspion: como é a exibição de séries tokusatsu no Japão atualmente?

País continua produzindo e exibindo séries do gênero

Fábio Garcia
04.05.2020
17h15

Todo domingo a Band tem conseguido ótimos índices de audiência com a exibição de séries clássicas de tokusatsu. Changeman, Jiraiya e Jaspion ocupam boa parte da grade matutina da emissora, para a alegria dos fãs com memórias afetivas dos anos 1980. Mas se engana quem pensa que o gênero dos heróis vive apenas passado, afinal o Japão produz essas séries de herói até hoje.

Assim como o programa Mundo Animado da Band exibe as clássicas séries de tokusatsu nas manhãs de domingo, a tradição japonesa também coloca as novas séries nesse período. A TV Asahi tem um bloco dominical com animes e tokusatsu destinados às crianças, exibindo os animes Healin' Good PreCure (da série Pretty Cure), Digimon Adventure: (reboot de Digimon) e One Piece. Para fechar o bloco, são transmitidas as séries de tokusatsu Kamen Rider Zero-One e o super sentai Kiramager. Mas sobre o que tratam essas séries?

O sentai e o Kamen Rider de 2020  

Zero-One faz parte da franquia Kamen Rider, mais conhecida no Brasil graças ao sucesso de Kamen Rider Black e sua continuação Kamen Rider Black RX, ambas exibidas pela Rede Manchete nos anos 90. Durante os anos 2000 também chegou ao Brasil a série Kamen Rider Cavaleiro Dragão, uma versão americanizada da japonesa Kamen Rider Ryuki. A franquia dos heróis motoqueiros era produzida com alguma frequência no Japão até o final dos anos 80, mas teve um hiato de 10 anos e foi retomada a partir dos anos 2000.

Em Kamen Rider Zero-One, o protagonista é um jovem chamado Aruto Hiden que acaba se tornando presidente de uma empresa de tecnologia responsável por produtos com inteligência artificial, algo bem distante do seu sonho de ser humorista. Porém um grupo hacker consegue transformar os produtos da empresa Hiden em monstros, e caberá a Aruto ser o Kamen Rider da vez para lutar contra os inimigos.

Foto de Kamen Rider Zero-One
Divulgação

Logo após o final de cada aventura tecnológica de Zero-One chega a hora da exibição da série super-sentai de 2020, Mashin Sentai Kiramager. Para quem não conhece o termo, "super sentai" é como são chamadas as séries ao estilo de Power Rangers no Japão. Na verdade a relação entre essas duas é bem mais estreita: as temporadas de Power Rangers reaproveitam as gravações de lutas das séries japonesas, trocando apenas os atores e as histórias por outras criadas nos Estados Unidos. Tudo com a autorização da Toei, claro.

Mashin Sentai Kiramager tem uma premissa extremamente simples: uma princesa chamada Mabushina vem de outro planeta e procura terráqueos com capacidade de se transformarem em Kiramagers e lutarem contra os inimigos.

Quem está acostumado com o padrão quase soturno das séries dos anos 80, como Changeman ou Flashman, pode se surpreender com o tom solar dos sentais da atualidade. Embora todo super sentai seja um programa criado para vender brinquedos ao público infantil, as séries recentes estão mais próximas dos gostos do público-alvo deste século. Ou seja, as aventuras são carregadas no humor, nas armas com aparência de brinquedo e apresentam muita dancinha nos encerramentos. Já as histórias são tão inocentes quanto às séries exibidas no Brasil durante os anos 80.

Foto de Kiramanger
Divulgação

Atualmente as séries estão interrompidas por conta da pandemia de covid-19, inclusive o protagonista de Kiramager chegou a ser diagnosticado com a doença. Por conta de determinações da Toei, o bloco de animes também foi afetado e tem exibido reprises de suas séries, exceto Digimon Adventure: que foi substituída por uma reexibição de GeGeGe no Kitaro.

A força da família Ultra

Mas a Toei não é a única a produzir séries tokusatsu no Japão atualmente. Um dos nomes de maior relevância no país é Ultraman, um sucesso comercial e cultural produzido pela Tsuburaya exibido em 1966. Na história original acompanhávamos um alienígena da Galáxia M-78 transferindo sua energia a um humano acidentado, dando a ele o poder de se transformar no herói gigante Ultraman para lutar contra invasores do espaço.

Com o sucesso foram criados outros heróis desse mesmo universo e Ultraman se tornou uma franquia muito querida por diversas gerações. Algumas das séries dessa franquia foram exibidas no Brasil, tendo como destaque a original, o clássico Ultraseven e O Retorno de Ultraman.

A franquia tem novas temporadas exibidas com certa regularidade na TV Tokyo e a próxima deve ser Ultraman Z, com data de estreia prevista para junho de 2020. A série será protagonizada por Ultraman Zett, um discípulo de Ultraman Zero (personagem apresentado em 2009 como filho do Ultraseven).

O que dá para assistir no Brasil?

Infelizmente as notícias não são boas para quem quiser acompanhar essas séries tokusatsu no Brasil. A dona dos heróis coloridos fora do Japão é a Hasbro, direito conquistado após adquirir a Saban, e a empresa de brinquedos utiliza as séries japonesas apenas como matéria prima para novas temporadas de Power Rangers.

Todas as séries americanas estão disponíveis no Brasil pela Netflix, inclusive a mais recente Power Rangers Beast Morphers (baseada na japonesa Go-Busters). Já Kamen Rider está em um limbo: a Hasbro tem os direitos referentes ao Kamen Rider Black RX pois a Saban tentou adaptar aos moldes de Power Rangers.

Ultraman teve um pouco mais de sorte. Após uma tentativa de exibição retrô nos anos 90, a série Ultraman Tiga foi exibida com algum sucesso pela Record. Alguns filmes da franquia foram lançados em home vídeo no Brasil, e algumas das temporadas mais recentes (como Ultraman Geed) foram disponibilizadas pela Crunchyroll com legendas em português.

O jeito vai ser matar a vontade com as séries clássicas como Changeman e Jaspion enquanto durar essa exibição dominical na Band.