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É fato que a criatividade em obras japonesas é impressionante. Sempre comentamos como tem anime sobre todo e qualquer assunto, mas isso reflete muito a realidade da indústria japonesa, que estimula a produção nacional, mas também de uma questão cultural que envolve o incentivo à prática de esportes, hobbies, música, e até transformar essas paixões em profissão na vida adulta.

Por isso, existem obras que são totalmente culturais japonesas, como Kiyo in Kyoto, sobre uma casa de aprendizes de gueixa; Sangatsu no lion, que fala da vida de um jogador profissional de shogi; Barakamon, sobre caligrafia; ou Chihayafuru, sobre um jogo de poemas chamado karuta.

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Essas obras mais culturais se distanciam da nossa realidade por questões óbvias, mas há obras de esporte, por exemplo, que mesmo que a gente conheça ou tenha ouvido falar, não sabemos nada sobre, como Haneabado, um anime de badmington; Ballroom e Youkoso, sobre dança de salão; Yowamushi, pedal sobre ciclismo, todos mostrando aspectos mais profundos dos esportes.

E isso vale pra hobbies também, com exemplos variados que ensinam um pouco sobre as práticas, como Yuru Camp, sobre acampamento; Let’s make a mug too, sobre cerâmica, ou até coisas mais inusitadas como Dagashi Kashi, que fala sobre personagens que adoram tanto guloseimas, que querem saber tudo sobre elas e se divertem conhecendo e provando novos sabores.

Além dessa influência cultural, existe um estímulo tão forte na indústria que rola até a liberdade e o espaço pra coisas bem mais “criativas” - e até meio nojentas - como Unko-san: Tsuiteru Hito ni Shika Mienai Yousei que é sobre cocô; ou Onara Gorou, sobre o homem peido.

Aqui no Brasil, a produção cultural de quadrinhos e audiovisual ainda é bem restrita. Não existe muito incentivo e não conseguimos expressar nem aproveitar culturas nacionais e regionais de fato, salvas exceções como o clássico nacional A Turma da Mônica, que foi de gibi a desenho, filme em live-action, e que esse mês estreou na TV japonesa num programa infantil.

A Turma da Mônica fez parte da vida de várias gerações e alcançou um espaço gigantesco, representando parte da nossa história e desde sempre foi uma ponte também com o Japão, pela relação do Mauricio de Sousa com o Osamu Tezuka, mas é um caso específico e tá longe de ser uma realidade pra produções culturais no Brasil.

Mas temos outros exemplos incríveis nacionais que podem se comparar a essa produção cultural japonesa, como Irmão do Jorel, um respiro de identidade cultural em um desenho pelas dinâmicas familiares e com todas as paródias possíveis das décadas de 80 e 90 no Brasil. E temos também muitos autores independentes que produzem obras magníficas, inspiradas justamente por vivências cotidianas e que representam mais da identidade nacional.

Irmão do Jorel/Divulgação

Um exemplo é Arlindo, um quadrinho maravilhoso da Ilustralu, sobre um adolescente do interior do Rio Grande do Norte, cheio de dúvidas e sonhos, numa arte espetacular e que tá sendo publicada em mídia física.

Arlindo/Divulgação

Tem o quadrinho Bar, do Miolo Frito, que mostra um boteco numa realidade muito próxima da gente, daqueles que você já deve ter ido fazer um rolê, com comida duvidosa e figuras que provavelmente tem uma igual em todo bairro (tipo o vira-lata caramelo). Vários autores nacionais independentes fazem projetos de financiamento coletivo pra publicar suas obras, inclusive muitos marcam presença no Artists' alley da CCXP.

E aqui no Omelete temos a Brutall, um selo que reúne o trabalho de vários quadrinistas fodas numa plataforma digital e gratuita dedicada a publicar os quadrinhos originais! E se você ainda não conhece, confira AQUI.

Assista o vídeo e conheça mais algumas obras de diversas temáticas, japonesas e nacionais e apoie a indústria cultural, principalmente nossos artistas brasileiros!

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