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Alan Moore pede que leitores de Before Watchmen nunca mais leiam obras de Alan Moore

Em longa entrevista, escritor explica toda briga com DC, Dave Gibbons e Watchmen

14.03.2012, às 15H50.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H48

Enquanto ninguém pergunta "Mas, mister Moore, do que o senhor GOSTA?", Alan Moore continua aproveitando cada oportunidade de entrevista para desancar a DC Comics, o estado atual da indústria de quadrinhos e, agora, até seus (ex-)amigos. Esta semana foi o site Seraphemera que deu a oportunidade de Moore expor suas frustrações.

Moore

Como já disse em outras oportunidades, Moore acha Before Watchmen o fim da picada na péssima relação que ele tem com a DC há 25 anos - quando diz que foi vítima de "mentira" e "roubo" por parte da editora quanto aos direitos sobre a Watchmen original - mesmo que admita ter sido ingênuo. Na nova entrevista, ele lembra que o contrato que assinou na época estipulava que ele e Dave Gibbons teriam os direitos de volta assim que Watchmen ficasse fora de catálogo - o que a DC nunca deixou acontecer, mesmo porque a coletânea da HQ sempre vendeu bem nestas duas décadas e meia.

A novidade é que Moore propõe uma espécie de "auto-boicote": leitores que comprarem Before Watchmen ou que aceitam o estado atual dos quadrinhos são convidados a nunca mais comprar uma obra de Moore.

"Se você é um leitor que só quer ver seus personagens prediletos eternamente à sua disposição e não dá a mínima para quem os criou, provavelmente você não é o leitor que eu quero. Tenho um respeito imenso pelo meu público. Sempre que encontro estas pessoas, presumo que seja gente inteligente, com escrúpulos. Mas quem quiser comprar esses prelúdios de Watchmen estará me fazendo um grande favor se parar de comprar minhas outras obras", declara. "É óbvio que não tenho como controlar isso. Mas espero que você não vá querer comprar uma HQ sabendo que o autor tem desprezo total pela sua pessoa. Espero que isso baste."

Entre outras pessoas por que Moore tem desprezo está Gibbons, seu colaborador original em Watchmen. Moore já havia explicado que cortou relações com o amigo por não ter recebido um telefonema de agradecimento pela grana com Watchmen: O Filme (da qual o escritor abriu mão e deixou para o colega; Moore diz que Gibbons ligou muito depois, quando a relação já estava comprometida para sempre). Na entrevista, conta em detalhes toda a atuação de Gibbons como "garoto de recados" da DC, tentando convencê-lo a dar o aval para Before Watchmen. Fala até em valores: os dois receberiam US$ 250 mil para supervisionar o projeto.

Enfim, Moore diz que se recusa a conversar com qualquer pessoa que tenha contato com a DC Comics. Diz que nos contratos que faz atualmente, estipula que, caso o contratante venha a ser comprado pela DC, o contrato está anulado. Afinal, foi o que aconteceu quando ele assinou contrato com a Wildstorm, no final dos anos 90, e a linha acabou sendo comprada pela DC. Moore revela inclusive que, quando trabalhava para o Extreme Studios, a DC também tentou comprar o estúdio de Rob Liefeld. Parece perseguição, certo?

Ele também rebate as críticas de J.M. Straczynski, que considera hipocrisia Moore reclamar que outros autores estejam trabalhando em personagens que ele criou, quando o próprio Moore trabalhou com vários personagens de outros. O britânico retruca dizendo que a situação era outra. Diz que é muito tranquilo, por exemplo, com tudo que se fez com John Constantine desde que criou o personagem, há quase 30 anos, pois as condições e seu estágio de carreira eram outros. Watchmen, com maiores pretensões, com o dito contrato e com o significado que teve para a indústria de quadrinhos, não pode ser tratada da mesma forma.

Para quem tem meia hora sobrando e sabe inglês, a entrevista completa está aqui.