Séries e TV

Entrevista

Outlander | Por que a série é muito mais do que um romance com viagem no tempo

Conversamos com Caitriona Balfe sobre a 3ª temporada

06.10.2017, às 12H27.

Entender o passado é uma das maiores virtudes da raça humana. Visitar a história nos faz compreender nosso presente e antecipar nosso futuro. Exatamente por isso não é surpresa que filmes, séries e livros com o tema medieval façam tanto sucesso. Há uma curiosidade natural em saber os costumes e crenças das pessoas que viveram séculos atrás. E é exatamente essa a proposta de Outlander, série do canal Starz que é exibida no Brasil pelo Fox Premium 1. A atração é baseada na série de livros de Diana Gabaldon, que publicou a primeira edição nos EUA em 1991.

A trama acompanha Claire (Caitriona Balfe), uma enfermeira da Segunda Guerra Mundial que tenta se reaproximar de seu marido Frank (Tobias Menzies) após o término do conflito. Durante um passeio, Claire descobre por engano um portal e acaba transportada para a Escócia no ano de 1743, completamente longe de sua realidade. Lá ela conhece Jack Randall, o perigoso antepassado de seu marido, e Jamie Fraser (Sam Heughan), por quem acaba se apaixonando.

Com essa sinopse, é possível que Outlander tenha um ar de puro romance à primeira vista. E, embora esse tema seja completamente importante dentro da trama, a série de TV se desenrola para temas muito mais relevantes, como participação da mulher na sociedade com o passar do tempo. Em entrevista ao Omelete para a divulgação da terceira temporada, a protagonista Caitriona Balfe falou sobre a força de Claire que, apesar dos momentos de perigo, sempre foi retratada como alguém que busca o próprio espaço:

“Não importa onde ela esteja, Claire sempre exige o mesmo respeito e justiça. Ele sempre defenderá aqueles que não estão em posição de poder e tentará cuidar e curar aqueles que estão em posições vulneráveis. Não importa onde está, ele sempre fala o que pensa”.

Nos primeiros capítulos, Outlander se preocupou em mostrar a cultura escocesa pelo olhar da protagonista, que guiou o público por todo aquele ambiente desconhecido. Balfe revela que exatamente por isso não fez muitas pesquisas sobre o país no começo, mas se preocupou com as habilidades médicas de Claire:

Claire como uma enfermeira da 2ª Guerra

“Ela descobriu as coisas durante a jornada e isso também aconteceu comigo com o passar da temporada. Mas, quando comecei, minhas maiores pesquisas eram sobre ser uma enfermeira na década de 40, ser uma enfermeira na Segunda Guerra e tudo isso, porque sinto que esse conhecimento é onde começamos com Claire. Realmente precisamos de uma base forte disso para seguirmos com ela nessa jornada e sentirmos que é autêntico (...). Isso é uma parte integral de quem a Claire é, ela tem um chamado. Ela precisa cuidar, isso faz parte de seu DNA”.

Amor e perdas

Ainda em sua primeira temporada, Outlander surpreendeu ao mostrar um grande nível de violência e sofrimento de seus protagonistas. Claire foi estuprada por um oficial inglês, capturada e ameaçada por Jack Randall e Jamie também sofreu nas mãos do vilão, que o aprisionou e o torturou sexualmente e psicologicamente, em uma das sequências mais estarrecedoras da TV. Porém, mesmo no meio de tanta dor, Claire e Jamie terminam o primeiro ano com a esperança de algo melhor, algo que a protagonista atribui ao grande amor do casal:

“É uma verdadeira história de amor inspiradora. Os dois são pessoas honradas, que são muito fortes sozinhas, mas, juntos, eles fazem um do outro as melhores pessoas que podem ser. Eles se fortalecem e se estimulam para serem melhores. Acho que todos podemos olhar para uma história de amor assim e sonhar”.

Na segunda temporada, a série começou com um tom diferente em seus episódios, que ficaram mais leves com a ida do casal para a França. Novos cenários, figurinos e personagens deram um ar inédito para a atração, que chegou a ficar estranhamente cômica em alguns momentos. Outro ponto que foi mais desenvolvido é a viagem no tempo de Claire e como ela poderia mudar o curso da história, impedindo inclusive a derrota dos escoceses na batalha de Culloden. Questionada sobre os temas de reencarnação e vidas paralelas, Caitriona Balfe diz que prefere acreditar que existe sim uma conexão e algo a mais após a morte:

Protagonistas na França na 2ª temporada

“Na série, o que Jamie e Claire vivem conversa com essa ideia de que, quando você tem uma conexão de alma com alguém, não importa em que tempo essa pessoa viva, ou quanto tempo passe, essa conexão sempre falará mais alto através do tempo, o que é uma linda ideia. Acho que provavelmente a Diana Gabaldon é alguém que poderia falar melhor sobre isso, mas acho que gosto de imaginar que é possível que a sua energia simplesmente não desapareça uma vez que você morre, que isso vive de alguma outra forma”.

Porém, apesar dos esforços dos protagonistas, o tempo é inexorável e a batalha entre escoceses e ingleses aconteceu da mesma forma que deveria, levando Claire, novamente grávida de Jamie, a voltar ao seu tempo, deixando o amado para trás. Apesar do coração partido, a protagonista revela a admiração que tem por sua personagem, que não se deixou abater pela tristeza da separação:

“O que é interessante sobre interpretá-la nessa temporada, é que ela teve tanto sofrimento e perda, mas ela está grávida, então não tem outra opção além de realmente tentar criar uma vida positiva e de sucesso para si mesma. Ela não tem o luxo de ter pena de si mesma ou viver miseravelmente, já que ela tem que tentar construir uma família saudável para sua filha viver”.

Ao final do segundo ano, Outlander deixa um gancho importante para o reencontro de Claire e Jamie: décadas depois e já com sua filha adulta, a protagonista enxerga uma possibilidade de voltar, mas não é uma escolha tão fácil: “Na terceira temporada, veremos mais de Claire nos anos 40, 50 e 60, um pouco do relacionamento dela com Frank, ela se tornando mãe, médica e, depois disso, ela tem que lidar com a decisão difícil se vai ou não voltar e tentar encontrar Jamie. Acho que sabemos que um encontro acontece, mas, depois disso, é realmente tentar criar uma vida para si nesse novo tempo para o qual ela voltou e tentar reconstruir seu relacionamento com Jamie, que ficou perdido por mais de 20 anos”.

Claire e sua filha Brianna

As duas primeiras temporadas de Outlander estão disponíveis na Netflix