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Crítica

The Sinner - 1ª Temporada | Crítica

Nova série do canal USA termina de modo competente, mas sem grandes surpresas

22.09.2017, às 19H39.
Atualizada em 23.09.2017, ÀS 10H25

Assim que seu último episódio foi ao ar, The Sinner passou a ser especulada como série, ao contrário de minissérie, que sempre foi o formato anunciado pelo canal quando começou a ser vendido. A síndrome do “não deixaremos essa ideia morrer” que assolou The Night Of, Big Little Lies e tantas outras, também afetou a produção do USA, ainda que The Sinner não tenha nem de longe a mesma atenção que suas irmãs de conceito. O fato é que mesmo diante de uma temporada que claramente já contou sua história, Derek Simonds, criador do programa, já deu entrevistas falando sobre uma possível segunda jornada.

Baseada no livro de Petra Hammesfahr, a história fala sobre uma mulher aparentemente normal que um dia, enquanto toma sol com a família, acaba tendo um surto e mata um “estranho” de modo brutal. Jessica Biel vive a atormentada Cora, que não sabe explicar para ninguém porque matou aquele jovem de maneira tão cruel. Ao concentrar seu plano de marketing nessa ideia, a produçao do show também trouxe um problema para si. Há algo de extremamente provocante na ideia de que alguém pode matar outra pessoa sem nenhum motivo e The Sinner parece fora do lugar comum em seu começo justamente por isso.

Contudo, sabemos que as coisas não funcionam dessa forma e a série precisa acontecer em torno de motivos e razões. Assim, quando Ambrose (Bill Pullman) aparece na trama para tentar resolver o caso, a série estabelece sua semelhança com todas as outras do gênero e perde sua identidade. The Night Of, Big Little Lies e até The Killing eram produções baseadas na mesma premissa: um crime aconteceu, ninguém entende porque e há sempre alguém atormentado que investiga ou que está envolvido no mistério. Essencialmente, The Sinner não está nos dizendo nada que já não tenha sido dito. O que a salva é que ela sabe dizer.

Pecadores

Muito cedo as pistas sobre o que aconteceu levam o espectador a entender que a atitude de Cora tem raízes no seu passado. O título do programa – que no começo exala uma certa elegância justamente por parecer metafórico – ganha uma literalidade perigosa e os traumas religiosos provocados pela mãe da protagonista vão começando a compôr a personalidade esburacada que acaba chegando a tamanho extremo no futuro. Para fugir do clichê, o roteiro é esperto e revela uma Cora “pecando”pelo prazer da irmã convalescente, uma menina cheia de impulsos sexuais que surpreendem por tornar complexa uma personagem que se vitimiza premeditadamente.

Até certo ponto ainda não conseguimos entender porque a infância de Cora e o crime que ela cometeu estão correndo paralelamente no episódio. É só a partir do meio da temporada que os mistérios vão sendo esclarecidos e a convergência absorve seu papel controverso dentro da proposta: ao sabermos que “tudo estava conectado”, o ato de brutalidade aparentemente aleatório de Cora ganha uma motivação justa e embora revelada de forma muito competente, enfraquece a proposta da série. The Sinner então “perdoa” todos os envolvidos, acaricia com compaixão até os atos mais questionáveis e embora não termine “feliz”, termina em paz.

Está em Ambrose, o investigador do caso, a única saída viável para que a produção faça a série sobreviver. Provocativamente, a última cena deu uma pista de que algo sobre ele ainda não foi esclarecido (e de fato as passadas pela vida dele são bastante superficiais) e uma segunda temporada pode transformar o produto em uma pseudo-antologia, com casos diferentes a cada ano. A tirar pelo bom trabalho feito até aqui, isso pode não ser tão ruim. Mas, é inevitável pensar que talvez uma boa história só precise ser contada uma vez e insistir num universo que tem força por ser único, pode torná-lo frouxo e esgotado.

Nota do Crítico
Bom