Séries e TV

Crítica

The Flash - 2ª Temporada

Flashpoint pode redefinir todo o universo DC da CW

31.05.2016, às 19H07.
Atualizada em 09.10.2019, ÀS 14H05

Muito bem estabelecida em sua primeira temporada, The Flash não só colaborou com a expansão do universo televisivo da DC Comics como também o aperfeiçoou. A segunda série do canal estadunidense The CW deixou um pouco de lado o aspecto sombrio e realista que vinha como padrão das produções que adaptavam as histórias da editora para o meio audiovisual, introduzindo um tom mais leve com personagens completos que não tinham só problemas e eram amigos de verdade entre si.

O segundo ano, apesar de apostar nos temas mais sérios tão explorados previamente em outras produções, mantém os bons personagens multifacetados. Mesmo que Barry (Grant Gustin) perca as esperanças em algum momento, Joe (Jesse L. Martin), Iris (Candice Patton), Cisco (Carlos Valdes) e Caitlin (Danielle Panabaker) sempre estão ali para ampará-lo - e vice-versa. Indo além, os novos personagens, mesmo que inicialmente resistentes a essas "boas energias", acabam contagiados, como Harrison Wells (Tom Cavanagh) da Terra-2, que eventualmente se torna parte integral da equipe - mesmo tendo entrado ao grupo na defensiva.

Com a chegada de Zoom, foram inúmeros momentos de suspense ao longo dos 23 episódios. O vilão aterrorizou os heróis de maneiras diferentes ao longo do segundo ano, mas seu sadismo foi de fato comprovado na reta final, quando sua história começou a ser pouco a pouco revelada. A ideia de dar uma origem parecida para o herói e seu nêmesis não é nova, mas serviu perfeitamente para a trama. O perverso Hunter Zolomon (Teddy Sears) tem apenas um objetivo: causar pânico e trazer dor à vida das pessoas como uma forma de equipará-las àquilo que ele passou quando criança.

Toda a história de Zoom pareceu confusa desde que foi feita a revelação sobre quem estava por trás da máscara, mas as novas camadas de Jay Garrick eram imediatamente explicadas para que ninguém ficasse sem entender o que estava acontecendo. A necessidade de sempre deixar o espectador na mesma página que os personagens é - e sempre será - um grande defeito da série, que precisa que o assunto abordado seja plenamente compreendido pelo público geral. Nenhuma ponta fica solta com relação à trama que envolve Zoom.

A introdução do multiverso ao final do primeiro ano abriu inúmeras possibilidades para a segunda temporada, que entregou ótimos episódios cheios de doppelgangers completamente diferentes de seus "originais". Além disso, foi possível a tão desejada ligação com Supergirl em um episódio crossover que nunca chegou a acontecer de fato para os espectadores que acompanhavam somente o velocista escarlate, passando somente por National City e valendo apenas uma pequena menção de Barry para si próprio.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

Mas o que mais impressiona na segunda temporada de The Flash é o final. A série segue pintando dentro das linhas até seu último momento, quando decide repensar a decisão tomada no último ano e levar Barry novamente de volta ao passado para salvar sua mãe das mãos do Flash-Reverso. Conhecido nos quadrinhos como Flashpoint ou Ponto de Ignição, a decisão tomada altera tudo. Além do próprio Barry perder os poderes, todos os outros heróis envolvidos na história também não são mais como ele se lembra.

Aqui, a ideia pode servir quase como um deus ex machina para que a emissora conserte os erros de Arrow, já que a série não só se passa na mesma Terra do multiverso que The Flash, como também em uma cidade vizinha. A decisão pode também unir Supergirl ao universo estabelecido na emissora, trazendo a personagem para a mesma Terra dos outros heróis. Enquanto isso, Legends of Tomorrow deve ser a única a manter-se intacta - devido às viagens no tempo, a série não necessariamente sofrerá alterações, mas pode, quem sabe, visitar a linha temporal em que Oliver Queen (Stephen Amell) vira prefeito de Star City.

Apesar de ter mantido praticamente o mesmo arco de seu primeiro ano, The Flash acertou em causar o Flashpoint, decisão que pode trazer boas notícias para a série, resolvendo alguns problemas que a emissora encontraria depois de ter adquirido a série da prima do Superman. Resta saber quais são os reais planos por trás do complicado evento que pode ter apagado por completo não só os dois primeiros anos da série do velocista escarlate, mas também os quatro do Arqueiro.

Nota do Crítico
Ótimo