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Crítica

Amigos não mentem e Stranger Things entrega final épico e emocional que prometeu

Maior série da Netflix chega ao final sem esquecer o que fez dela o grande sucesso do streaming na última década

4 min de leitura
01.01.2026, às 17H09.

São quase 10 anos desde que começamos a acompanhar a história do desaparecimento de Will (Noah Schnapp) e o encontro de Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) com Eleven (Millie Bobby Brown), a menina aparentemente frágil de cabeça raspada. De lá para cá, essa história que misturava elementos do cinema e da TV dos anos 80 cresceu e se tornou o produto mais importante da Netflix, um verdadeiro fenômeno. Agora, na virada para 2026, Stranger Things chega ao fim de forma épica e emocionante, mas sem nunca esquecer a essência do que fez o público se apaixonar lá em 2016: a história de amizade.

As coisas pareceram estremecidas após o Volume 2 desta quinta temporada. Com um pouco de exagero por parte do público — que sempre espera que o que ele acha certo aconteça — a segunda parte sofreu do mal da maioria das histórias que se alongam demais: perda de ritmo e inconsistências típicas do final do segundo ato. A verdade é que o capítulo final chegava com ainda mais responsabilidades depois disso. Além de encerrar de forma justa a jornada desses personagens, era preciso mostrar que, com o complemento certo, tudo do Volume 2 valeria a pena.

  • Stranger Things se tornou sinônimo de maratona e Seara faz parte desse ritual.

Isso fica claro logo nos primeiros minutos, com a conversa entre Will e Mike, quando os amigos voltam a falar sobre a revelação da sexualidade do jovem Byers. O pedido de desculpas. A promessa de amizade eterna. O que parecia uma reação fria precisou apenas de tempo e de um momento a sós para ter a resposta ideal.

A partir daí, Stranger Things não dá espaço para que lembremos de momentos morosos ou de furos de roteiro que a parte anterior possa ter deixado. Logo somos jogados para a ação, que se divide em várias frentes mostradas com ótima dinâmica. Os Duffer brincam com o susto de perdermos Steve (Joe Keery) logo no início, aumentam a escala da tensão com a colisão dos mundos e, poucos minutos depois, já estamos de cara com uma batalha no deserto contra um Devorador de Mentes kaiju, que coloca em prática todos os anos de campanha de RPG dos amigos.

Com toda a ação funcionando em ótima forma, foi uma boa surpresa ver que as emoções não foram deixadas de lado nem caíram no trope de ficarem apenas para o “final de despedida”. Há momentos para Hopper (David Harbour) e Eleven, Kali (Linnea Berthelsen) e a irmã, Steve e Jonathan (Charlie Heaton), e por aí vai. A cereja do bolo fica por conta de Winona Ryder, que brilhou desde a primeira temporada de Stranger Things, mas acabou ficando com menos espaço conforme a série cresceu.

Em um momento derradeiro da luta contra Vecna (Jamie Campbell Bower), é Joyce Byers quem desfere o golpe mais importante — o que nos faz lembrar todas as emoções que vivemos até chegar à batalha final. É um toque de mestre dos criadores colocar a mãe de Will frente a frente com o grande mal que atazanou sua vida e sua família ao longo de tantos anos.

Stranger Things ter ficado nas mãos de Ross e Matt Duffer mostra que, mesmo entre erros e acertos, a essência nunca se perdeu. Se havia o medo de que a série virasse um Game of Thrones em seu final, ele não se concretizou. Isso porque quem cuidou da história o tempo todo foram os irmãos, e não novos showrunners tentando ajustar a narrativa ao que a nova teoria da internet dizia.

O final de Eleven é mais uma prova disso. Sua jornada ao lado de Hopper, seu encontro mental com Mike e até o último momento em que aparece dialogam perfeitamente com quem ela era quando surgiu em Hawkins, quando quis explorar novos caminhos, quando conheceu Max (Sadie Sink) e descobriu que existia um mundo além do grupo de meninos. Tudo isso mostra que a personagem amadureceu, tornando-se a heroína que, mesmo rodeada de amigos, sempre sentiu que a solidão era parte de sua trajetória.

Stranger Things se encerra com um ponto final marcante, em um episódio de mais de duas horas que os fãs poderão ver e rever sempre que quiserem reviver essa aventura. Uma jornada longa, que exigiu paciência pelos hiatos, pelos episódios longos e pelas histórias inchadas que o formato Netflix exige. Mas que entregou momentos de pura diversão e amizade, como os clássicos nos quais tanto se apoiou — Os Goonies, Conta Comigo, O Clube dos Cinco… E que, com certeza, deixou sua marca para sempre em uma geração.

Essa história, assim como uma boa mesa de D&D, não conseguirá ser contada da mesma forma novamente. Outros já tentaram imitar. E a Netflix vai tentar de novo. Mas Eleven, Mike, Dustin, Will, Lucas, Max e todos os outros ficarão guardados apenas para esta mesa.

Nota do Crítico

Stranger Things 5 - Volume 3

Criado por: Irmãos Duffer