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Texto sobre violência da Turma da Mônica gera controvérsia

E gera também um Tumblr com a paródia das queixas contra a criação de Maurício de Sousa

05.03.2010, às 00H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H59

"Violência na Turma da Mônica" é o título do artigo do jornalista Dioclécio Luz publicado no final de fevereiro no Observatório da Imprensa. O texto vem provocando controvérsia entre leitores de quadrinhos e internautas na última semana, seja na própria seção de comentários do Observatório, seja em fóruns e sites de relacionamento.

Mônica

O argumento principal de Luz é que Mônica representa o bullying, fenômeno comum entre as crianças mais conhecido como tomar-porrada-do-valentão-do-colégio, e por isso ensina violência aos leitores infantis.

"[Mônica] tem uma característica: ela resolve as coisas na porrada. Tudo. Este é um elemento educativo complicado. Ao invés do diálogo, da negociação, apela-se para a violência. Quando está em apuros, é no braço, ou fazendo uso do seu coelhinho, que Mônica resolve. Moral da história: em situações de conflito, ganha o mais forte", coloca o texto.

O autor compara as situações em Turma da Mônica aos conflitos mais intelectuais nos quadrinhos de Calvin e Mafalda (lembrando, porém, que estes não se dirigem a um público da mesma faixa etária). E segue para outros personagens da Turma, como Magali - "se uma criança que tenha obsessão por comer se identificar com Magali, não vai se esforçar para romper com essa obsessão" - e Chico Bento, "uma visão burguesa - distante e elitista - do campesinato".

Luz encerra o texto colocando que os personagens criados por Maurício de Sousa são "um retrocesso", "um monte de clichês", "sem opinião e naturalmente conservadores" - no caso destes últimos adjetivos, ressaltando semelhanças com os personagens de Walt Disney. O jornalista também coloca que não se vê esse tipo de crítica à Turma da Mônica na imprensa "por razões nacionalistas".

O artigo lembra outro conhecido ensaio de crítica aos quadrinhos, o livro Para Ler o Pato Donald, do chileno Ariel Dorfman com o belga Armand Mattelart. Muito lido no Brasil na década de 1970, é uma visão marxista das histórias de Donald, Huguinho, Zezinho, Luizinho, Tio Patinhas e o resto dos patos, que destaca como as HQs incutem valores capitalistas nos leitores, entre outras questões.

O artigo nega, porém, visões mais contemporâneas da própria psicologia infantil, como as apresentadas no livro Brincando de Matar Monstros, de Gerard Jones. Analisando os games, animês e HQs violentos, Jones consulta especialistas para chegar à conclusão de que a violência nesse tipo de entretenimento age sobre as crianças mais como válvula de escape do que com a função, à primeira vista mais óbvia, de promover violência real.

Seja como for, o texto de Dioclécio Luz gerou uma série de reações negativas na Internet, em blogs e discussões no Twitter. O autor Maurício de Sousa preferiu não se manifestar. Dois fãs, Fernando Marés de Souza e Pablo Peixoto, resolveram contestar de forma mais brincalhona: em Porra, Maurício!, publicam cenas dos quadrinhos e das animações da Turma tirando-as do contexto para reclamar com Maurício de Sousa do "desvirtuamento" que promovem.

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