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100 anos de Jack Kirby | Quando o lendário quadrinista lutou contra nazistas

Kirby participou da Segunda Guerra Mundial e foi um oficial condecorado

04.08.2017, às 19H47.
Atualizada em 07.08.2017, ÀS 11H05

Jack Kirby se tornou um dos maiores nomes dos quadrinhos graças ao seu trabalho em personagens como Quarteto Fantástico, X-Men, Hulk e diversos outros heróis do Universo Marvel e, também, da DC. Não bastando, o desenhista ainda foi fundamental na Segunda Guerra Mundial e esteve na linha de frente contra os nazistas.

No início dos anos 40, Kirby começou a se tornar conhecido na indústria dos quadrinhos americana por ser um dos criadores do Capitão América, HQ que foi lançada um ano antes do ataque de Pearl Harbor e logo na primeira capa contou com um dos momentos mais famosos do herói - onde ele aparece dando um soco em Adolf Hitler. Após um breve período no estúdio de animação Fleischer,onde trabalhou em desenhos como Popeye, ele acabou na DC Comics e, em 1943, foi convocado pelo Exército americano.

Após passar por um severo treinamento nos EUA, Kirby entrou para o 11º Regimento de Infantaria, Companhia F. “Ele desembarcou na praia de Omaha, na Normandia, dois meses após o Dia D. Seu talento artístico lhe arrumou serviço no reconhecimento avançado, desenhando mapas e figuras de localizações estratégicas”, escreve Brian J. Robb em seu livro A Identidade Secreta dos Super-Heróis - A História e as Origens dos Maiores Sucessos das HQs: Do Super-Homem aos Vingadores.

Confira uma galeria da época publicada no site oficial da Marvel

Uma das responsabilidades de seu Regimento era a Operação Lorena, que tinha como objetivo avançar até Moselle, destruir as guarnições alemãs em Metz e avançar até o Saar. O soldado conseguiu avançar até Metz, onde foi parado não pelo inimigo, mas sim pelo severo inverno que chegou até a cidade. Juntamente com outros soldados, ele sofreu com o gelo e o frio.

“Ele levantou em uma manhã e desmaiou de febre. Os pés dele estavam tão inchados que tiveram que cortar as suas botas”, afirmou Neal Kirby, filho do desenhista, ao site oficial da Marvel. Os ferimentos estavam tão sérios que os médicos chegaram a considerar a amputação, mas o desenhista foi mandado para um hospital na Inglaterra onde conseguiu se recuperar e foi mandado de volta para os EUA.

Kirby, então, passou seis messes na frota de veículos militares, pois durante a sua época de treinamento ele ficou um período trabalhando na escola de mecânica. “Essa, provavelmente, é a maior piada da Terra. Meu pai não conseguia trocar uma lâmpada!”, afirmou Neal. “Ele e o amigo apenas deitavam embaixo de um caminhão e quando alguém chegava perto eles pegavam as ferramentas e batiam no caminhão”, completou.

Mesmo assim, os serviços de Kirby criando mapas foram fundamentais e ele foi liberado do exército em julho de 1945. Ele recebeu uma medalha de Combate de Infantaria e uma estrela de serviço de batalha de bronze, dada para soldados que participaram de uma batalha específica durante a guerra.

Kirby, então, pôde mais uma vez se dedicar apenas aos quadrinhos e ajudou a revolucionar as HQs com personagens e desenhos históricos. Neste mês de agosto, o quadrinista completaria 100 anos e seu trabalho continua influenciando gerações.