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Lollapalooza Brasil 2015 | Robert Plant e o Led Zeppelin, Jack White, Skrillex, Bastille e mais

Bom clima, show cancelado e apresentações alternativas marcaram o começo do festival

29.03.2015, às 12H04.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H41


O primeiro dia de Lollapalooza Brasil 2015 surpreendeu em vários sentidos. Com atrações supostamente menos badaladas do que nas edições anteriores, o festival trouxe bastante público (66 mil pessoas, segundo a contagem oficial da organização). O clima também colaborou e, ignorando previsões de chuva, contribuiu para uma ótima tarde no Autódromo de Interlagos. KasabianSt. VincentRobert PlantSkrillexJack White foram os pontos altos de um dia que misturou música alternativa e apresentações poderosas.

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No começo, veio uma surpresa: Marina and the Diamonds não poderia se apresentar porque o vôo que a banda pegaria de Nova York foi cancelado após um atraso de sete horas. O show ocorreria às 20h15.

BANDA DO MAR

Não eram nem 14 horas quando Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira subiram no palco Skol. Com o Sol ameno em Interlagos, a Banda do Mar fez um show que mesclou algumas faixas dançantes com as mais lentas, predominantes na carreira do casal vocalista. A presença do público surpreendeu os dois, que disseram duas vezes não esperar aquela quantidade de gente. “Não esperávamos vocês aqui em grande número e animados, isso é muito importante para nós. Muito obrigado”, comentou Camelo.

A apresentação dá preferência às músicas da Banda, mas atende aos pedidos dos fãs individuais de Camelo e Mallu. "Velha e Loca" e "Sambinha Bom”, por exemplo, foram cantadas pela moça em um momento em que ficou só no palco. Depois, com a volta do companheiro, eles cantaram “Morena” e “Além do Que Se Vê”, do Los Hermanos. Independente da música escolhida, o povo parecia realmente devoto à apresentação. E não era pra menos, para um show de horário ingrato e que iniciava as atividades do Lollapalooza 2015, a Banda do Mar fez uma performance acima das expectativas.

BOOGARINS

Com o cancelamento de Marina and the Diamonds, os horários do palco Axe foram rearranjados e o Boogarins acabou se apresentando às 14h, uma hora depois do previsto, no mesmo slot da Banda do Mar. Com a concorrência de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, o público ficou reduzido, mas quem ficou pôde conferir de perto o franco amadurecimento da banda de Goiânia, que tem se apresentado em diversos festivais por todo o mundo.

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Em quase uma hora de duração, o grupo entrou numa viagem coletiva com a plateia. "Estamos aí fritando junto", disse ao público o vocalista e guitarrista Dinho Almeida. O grupo entregou o já conhecido som psicodélico com mais peso - sinal de um entrosamento maior com o baterista Ynaiã Benthroldo, ex-Macaco Bong, que se juntou aos goianos em setembro do ano passado. Foi uma apresentação para justificar um melhor posicionamento no line-up de futuras edições.

FITZ AND THE TANTRUMS

Do outro lado do Autódromo de Interlagos, às 15h, o Fitz and the Tantrums botou quem chegou cedo no Lollapalooza para se mexer. Em sua primeira vez no Brasil, o grupo comandado pela dupla de vocalistas Michael Fitzpatrick e Noelle Scaggs promoveu uma baladinha que mistrou elementos de música eletrônica com um ritmo dançante, especialmente em uma versão cheia de groove de "Sweet Dreams", do Eurythmics.

ALT-J

O local começou a encher na hora do show do Alt-J, que se comprovou como um dos grupos mais promissores no line-up de sábado. Faixas como "Fitzpleasure", "Something Good", "Matilda", "Tesselate" e "Breezeblocks" foram tocadas de forma impecável, em um som que, apesar de um baixo estourado no comecinho, teve qualidade de estúdio.

Se o show parecia animado, entretanto, era por conta dos fãs, que compareceram em massa e cantaram com entusiasmo as músicas do grupo de Leeds. Quem não conhecia a banda, entretanto, pode ter ficado entediado com um set de faixas introspectivas, com muito silêncio, tocadas por um grupo nada empolgado em cima do palco.

KASABIAN

Kasabian mudou o clima do Lollapalooza. Até aquele momento, somente bandas com uma cara mais independente e alternativa tinham passado pelo autódromo. Quando os ingleses entraram no palco Onix, os primeiros acordes da guitarra simobilzavam uma guinada para o rock, que ainda seria homenageado por Robert Plant e Jack White naquela noite. A apresentação, porém, não se limitou a isso e tornou o morro de Interlagos numa festa que misturava rock, música eletrônica e dance. Resultado: um dos melhores shows da edição 2015 do Lollapalooza Brasil.

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A interação com o público, um dos atributos principais do grupo, vinha tanto de Tom Meighan, vocalista principal, quanto do guitarrista Sergio Pizzorno. Mais do que se divertir ao lado da plateia, o Kasabian montou o setlist de uma maneira diversificada, podendo mostrar as várias facetas que possui, sem perder a animação ou o companherismo do fãs na hora de cantar, pular e dançar. “Shoot The Runner”, “Days Are Forgotten” e “I.D.” foram algumas das representantes do início de carreira, enquanto “Stevie”, “Eez-eh“, “(Shiva)” e a ótima “Bumblebee” fizeram as honras do novo disco, 48:13, que estampava o fundo do palco.

Dentro do line-up do Lollapalooza 2015, o Kasabian representa não só uma mudança de ares pela animação com que se apresentou, mas também a oportunidade de experimentação de estilos musicais. Ao sacudir um pouco o marasmo hipster que se instalava no autódromo no sábado, o Kasabian deve ter angariado um bom número de novos fãs, que estavam ali para conferir os headliners do dia.

ST. VINCENT

Quem deu aula de performance em cima do palco foi Annie Clark, a frontman do St. Vincent. De voz delicada e presença fortíssima, a vocalista esbanjou talento na guitarra em melodias que parecem um sampler no disco, mas são tocados por Clark. A banda é pequena (são apenas ela, um baterista, um tecladista e uma baixista), mas a força dos riffs e a mistura de ritmos faz parecer que há uma multidão tocando em cima do palco.

Em uma apresentação performática e empolgada. Clark deixou a melhor parte para os momentos finais, no qual colocou uma bandeira do Brasil nas costas, subiu nos ombros de um seguranças e encheu o público de high-fives. Depois, voltou ao palco e permaneceu deitada por alguns instantes, simbolizando a poderosa viagem de quase uma hora de show.

ROBERT PLANT

No comecinho da noite, a expectativa era alta por conta da apresentação de Robert Plant, cuja apresentação estava marcada para às 18h20. Cercado de atrações alternativas, indies e eletrônicas, o ex-vocalista do Led Zeppelin se arriscou no português - disse "ei galera" e "muito obrigado" - e entregou o que o público queria: músicas da banda que o lançou ao estrelato.

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A vontade de quem compareceu ao show do frontman de 66 anos ficou clara. O setlist intercalou músicas de sua carreira solo com clássicos como "Babe I'm Gonna Leave You", "Going to California" e "The Lemon Song", e a empolgação do público voltava a cada acorde que iniciava uma música do Led. Acompanhando o vocalista, a competente banda Sensational Space Shifters esbanjou virtuosismo e precisão.

A maioria das faixas do Led Zeppelin tinham arranjos similares, mas outras foram repensadas, com menos guitarras e mais ritmos dançantes. As mudanças deram certo em "Black Dog", que perdeu peso e ganhou groove, mas não ficaram tão boas em "Rock N'Roll", a última música da setlist e um dos hinos do gênero, que acabou estragada na versão de Plant e sua banda.

MARCELO D2

A adição de Marcelo D2 ao time de atrações do Lollapalooza foi o melhor problema da edição desse ano, que sofreu com cancelamentos de última hora. O show cantor do cantor substituiu como terceira opção as apresentações de SBTRKT e Kodaline no palco AXE, que estava com um bom público, mesmo dividindo atenções com Robert Plant e sua surpreendente homenagem ao Led Zeppelin.

Não existe surpresa no show de D2. Tudo que é esperado está lá. Do Planet Hemp às incursões de hip hop e samba que faz até hoje na carreira solo - sempre acompanhado por Fernandinho Beatbox. Houve tempo também para uma homenagem a Chorão, vocalista do Charlie Brown. Jr, falecido em 2013. “A gente se encontrava para fumar um”, disse, antes de cantar “1967”. A apresentação se encerrou com “Qual É”, sucesso de A Procura da Batida Perfeita, um dos símbolos do hip hop brasileiro.

Há quem condene os que estavam se divertindo com D2 enquanto Plant entoava clássicos do Zeppelin; mas é justo dizer que, para quem é fã do gênero, não é simples achar um show com tanta competência e entrega quanto esse.

SKRILLEX

Skrillex colocou fogo no Lollapaloza. Depois de se apresentar na tenda eletrônica em 2012, o rei do dubstep ganhou espaço em um dos palcos principais do festival e não fez feio, em uma apresentação frenética e explosiva. O público respondeu à altura, correndo ensandecidamente para o palco Onix e, confirmando, já nos primeiros minutos, que aquela seria a apresentação mais lotada do primeiro dia.

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Durante mais de uma hora, Skrillex não parou, emendando todas as músicas em uma colagem digna de vídeo caótico do YouTube, colando pedaços das músicas mais imprevisíveis - uma hora, era "Fat Lip", do Sum 41; na outra, "Summer", de Calvin Harris, antecipando o show deste domingo. Teve até um pedacinho de "Ciclo Sem Fim" ("Circle of Life"), o clássico composto por Elton John para O Rei Leão.

Se o som (e o público) pareciam fora de controle, a parte técnica mostrava que tudo estava no controle. Visualmente, foi a apresentação mais impressionante da noite, misturando jatos de fumaça com um fluxo incessante de imagens no telão e uma explosão de lasers azuis, verdes e vermelhos que se adequaram perfeitamente ao caos promovido pelo DJ.

JACK WHITE

Fechando o primeiro dia, Jack White fez um show de rock à moda antiga: intenso, com influências claras de gêneros como o blues e o country, mas sem deixar de lado os improvisos e o experimentalismo que são sua marca registrada. Acompanhado por músicos extremamente competentes - com destaque para a violinista Lillie Mae Rische e o baterista Daru Jones -, White fez um show preciso tecnicamente, mas com um feeling daquelas bandas que parecem que vão sair do controle a qualquer momento.

White não parou em cima do palco. Uma hora, estava com a característica guitarra. Em outra, pulava para o piano. Em "Three Women", fez uma jam comandando o teremim, um instrumento eletrônico russo com duas antenas que detectam a posição das mãos do músico no ar.

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No setlist, músicas de sua carreira solo - em especial do disco mais recente, Lazaretto, do qual ele faz turnê - foram intercalados com sucessos de suas diversas empreitadas pela músicas, como o Raconteurs (representado por "Top Yourself"e por "Steady As She Goes") e, claro, por "Seven Nation Army", o hit do White Stripes que fechou a noite com estilo.

A única tristeza no show de White ficou pela expectativa de uma aparição surpresa de Robert Plant. O público esperava que o ex-Zeppelin subisse ao palco como fez no Lolla argentino, quando a dupla tocou "The Lemon Song". Infelizmente, a dobradinha não aconteceu em Interlagos.

BASTILLE

O Lollapalooza 2015 guardou a sua única banda pop para o final do primeiro dia. Quando o Bastille apareceu e o telão mostrou as fãs chorando de emoção ao som de “Bad Blood” ficou claro que ali estava um grupo de sucesso imediato e com um público mais jovem. O restante da plateia do Lolla estava no palco Skol acompanhando o rock de Jack White - e a divisão estava equilibrada, talvez um pouco maior para o roqueiro, mas nada absurdo. Os dois lugares estavam com o bom número de pessoas.

Simpáticos nas palavras (Dan Smith falou bastante em português) e na vestimenta (o baterista Chris Wood usava uma camiseta da Seleção Brasileira), os ingleses fizeram uma apresentação animada, que mesclou bem as baladinhas lentas com as batidas dançantes de faixas como “Things We Lost In The Fire”, “Bad Blood”, “Of The Night” e, claro, “Pompeii” - escolhida para encerrar o dia com fogos de artifícios ao fundo.

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Não existe nada de espectacular no show do Bastille, ao mesmo em que nada fica abaixo da média. As músicas são exemplo do bom pop britânico recente e as referências espalhadas pela banda ao longo de quase 1h30 também ajudam a tornar tudo mais curioso - Smith e Cia falaram sobre Twin Peaks na música "Laura Palmer", sobre Drive em "Torn Apart" e Corona, ao mesclar o sucesso "Rythm of The Night" no single “Of The Night”. Em um dia de altos e baixos no Lollapalooza 2015, o Bastille encerrou as atividades com competência, de maneira digna e empolgada.

Crédito das fotos: Facebook T4F