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Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado

Nova aventura tem mais ação e humor que a primeira adaptação

28.06.2007, às 15H00.
Atualizada em 03.11.2016, ÀS 11H04

Se você gosta do primeiro, vá com tranquilidade assistir à continuação, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. O filme, entregue novamente ao sem-sal Tim Story, cumpre tudo o que a série promete: aventura, diversão fácil e trama muito bem explicadinha. Afinal, com o sucesso que o primeiro fez junto às crianças, nada mais lógico que os produtores resolvessem tornar a série ainda mais acessível aos pequenos.

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Nada contra as decisões da Marvel em relação a esse supergrupo icônico da editora, afinal, o Quarteto sempre foi o carro-chefe das aventuras-família da Casa das Idéias e super-heróis no sentido mais convencional da palavra. Mas se você espera algo mais do gênero, algo que só Sam Raimi, Christopher Nolan, Ang Lee e Bryan Singer conseguiram nos últimos anos, deve se decepcionar.

O grande problema do filme, quando comparado aos dos cineastas citados, é a ausência total de carga dramática. Basta acontecer qualquer evento minimamente preocupante para que uma piadinha seja disparada na seqüência, seja pelo Coisa (Michael Chicklis) ou pelo Tocha Humana (Chris Evans, ao lado do Sr. Fantástico, o herói com mais tempo de tela), dissipando a tensão. Por esse ângulo, o novo Quarteto Fantástico parece um episódio de Friends, algo estranhíssimo quando se considera que o que está em jogo ali é o fim de todo o planeta, com a ameaça de Galactus, o Devorados de Mundos.

O vilão, um dos mais legais dos quadrinhos Marvel, aqui é uma nuvem faminta com proporções planetárias (os mais atentos, porém, verão vislumbres de sua forma nas HQs). Para preparar o planeta para sua chegada - uma idéia boa, afinal, dá um sentido extra à existência do arauto -, chega o Surfista Prateado, causando pânico e alterações climáticas e geológicas por onde passa. Cabe ao supergrupo impedi-lo, ao mesmo tempo em que precisa lidar com o retorno do Doutor Destino (Julian McMahon, péssimo e canastrão). Se a versão cinematográfica (e com verba insuficiente) do grandão funciona, seu final, porém, é desanimador - pelo menos para quem cresceu lendo os embates épicos dos quatro fantásticos contra Galactus.

Já o Surfista está perfeito. Dá pra sentir que a verba do filme foi quase toda nela. Surpreendente mesmo - e totalmente real. Criado por CGI e manipulado digitalmente pelo sensacional Doug Jones (abençoado seja Guillermo del Toro, que encontrou uma utilidade para os mímicos!), o herói cósmico prova que merece um filme-solo - e que pode funcionar muito bem nele. O personagem é o melhor da aventura, ao lado de algumas ótimas seqüências cômicas que, quando colocadas no lugar em que devem, funcionam perfeitamente. Entre elas, a dança disco elástica de Reed Richards (Ioan Gruffud), suas "pernas moles" quando cai na real sobre a iminência de seu casamento, as brigas dos noivos Reed e Sue (Jessica Alba "deslatinizada" não tem graça) e a melhor participação especial de todos os tempos de Stan Lee, co-criador da equipe ao lado de Jack Kirby em 1961, no cinema (bom, talvez a segunda, a de Barrados no Shopping continua imbatível).

Mas seria um desserviço aos fãs não mencionar outro elemento lamentável. O exagero de produtos anunciados no filme é digno dos filmes da Xuxa. Pasme, mas até o Fantasticarro, veículo voador construído pelo Sr. Fantástico, tem o logo da Dodge... e quando aparece é numa cena digna de comercial de carro. Só faltou um narrador dizendo "sua vida, nas nuvens" ou outra baboseira marqueteira do tipo. O filme até assume isso com certo orgulho, quando o Tocha Humana diz "qual é o problema de um pouco de capitalismo?". Para os donos do filme, nenhum mesmo.

Em síntese, uma aventura inofensiva, cheia de ação e humor. Definitivamente não é um filme perfeito. Longe, muito longe disso. Mas não é exatamente esse o espírito da superequipe nos quadrinhos?