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Hitman - Assassino 47

Filme do agente 47 atira e mata, mas não convence

13.12.2007, às 00H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H31

Acho que está na hora do pessoal de Hollywood deixar de lado os filmes adaptados de games. Pelo menos por um tempo, para ver se aprendem a tratar melhor o gênero ou, ao menos, fazer o público esquecer que dos consoles e PCs já saíram pérolas como Street Fighter (1994), Mortal Kombat (1995) e BloodRayne (2005). O máximo que se conseguiu extrair até agora foram longas-metragens meramente aceitáveis, como Final Fantasy (2001), Doom (2005), o primeiro Tomb Raider (2003) e a trilogia Resident Evil (2002, 2004, 2007).

Hitman

Hitman

E não é Hitman - Assassino 47 (Hitman, 2007) que vai mudar esta imagem. A trama que reúne espionagem, ação e aventura diverte e nada mais. Apesar dos temas semelhantes, o filme fica anos-luz atrás de um Bourne, por exemplo. Cheio de fórmulas recauchutadas, o roteiro tem desde a donzela em perigo até um desgastadíssimo vilão russo. Não é possível que em pleno século 21 ainda tem gente pensando nos anos da "Guerra Fria".

A história é bastante simples. Assassino de aluguel, o agente conhecido apenas pelo número 47 (Timothy Olyphant) chega com seu bem cortado terno preto, faz o serviço para o qual é contratado e parte carregando seu arsenal móvel. Seu único contato é a voz mecânica que sai do seu computador, passa as missões e se encarrega dos volumosos pagamentos. Os problemas começam quando ele é enviado para matar o atual presidente russo. Trabalho dado, trabalho feito. Exceto que algumas horas depois, o alvo aparece na TV com apenas um curativo na testa. O detalhe é que 47 não erra. E começa então um plano de eliminação do assassino, trama que envolve traições, clones, traficantes de armas e, como se pode perceber, explicações estapafúrdias.

A ação, embora bem feita, nada acrescenta ao gênero. Trata-se apenas de mais seqüências de tiros certeiros disparados pelo protagonista contra balas desperdiçadas pelos seus adversários, que sequer conseguem arranhá-lo. Entre as lutas, a melhorzinha acontece dentro de um vagão de trem e coloca 47 contra outros agentes tão bem treinados como ele, porém não tão eficientes.

Falta ao personagem uma alma. Algo que faça com que o público se importe com o seu paradeiro. Nem o apreço pela linda prostituta russa Nika (Olga Kurylenko) e suas longas pernas conseguem torná-lo mais humano. Neste ponto, méritos para Timothy Olyphant, que atua roboticamente. Sua cara petrificada e a forma de andar sem mexer os braços são reflexos da falta de sentimentos à qual foi doutrinado desde criança. Pena que nada disso foi usado de forma positiva pelo diretor francês Xavier Gens, que como um assassino de aluguel foi, filmou, recebeu seu cachê e não vai deixar saudade alguma.

Omelete entrevista: Timothy Olyphant
Assista a uma cena do filme na íntegra