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Zathura: Uma Aventura Espacial | Crítica

Zathura: Uma aventura espacial

12.01.2006, às 00H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H19

Zathura: Uma aventura espacial
Zathura
EUA, 2005
Aventura - 113 min

Direção: Jon Favreau
Roteiro: David Koepp, John Kamps, baseado em romance de Chris Van Allsburg

Elenco:
Jonah Bobo, Josh Hutcherson, Derek Mears, Tim Robbins, Dax Shepard, Kristen Stewart, Douglas Tait

Qualquer semelhança entre Zathura (2005) e Jumanji (1995) não é mera coincidência. Os dois filmes infantis são baseados em livros do escritor Chris Van Allsburg, autor também de O expresso polar. Ambos mostram um tabuleiro mágico que transporta crianças para dentro de um jogo. Tanto em Jumanji quanto em Zathura, há um adulto preso lá, tentanto sem sucesso, por anos, chegar ao fim do tabuleiro. Deste modo, os filmes tratam, metaforicamente, de gente grande infantilizada e de pequenos em processo de amadurecimento precoce.

Na esteira de Jurassic Park (1993), do então deslumbramento das pessoas com a magia dos bichos computadorizados no cinema, Jumanji se passava entre animais das selvas africanas. O livro era de 1981, mas o momento propício da adaptação, tecnológica e mercadologicamente, era mesmo 1995. O filme foi um sucesso. Zathura é diferente. Van Allsburg escreveu-o em 2002, muito provavelmente já pensando nos desdobramentos na telona. A preocupação com o visual é evidente. O tema agora é a ficção científica espacial - no fundo, uma homenagem estilizada às aventuras moldadas por Flash Gordon e Buck Rogers nos anos 30, época em que Van Allsburg, hoje com 56 anos, sequer havia chegado ao mundo.

Antes do espetáculo, porém, há um preâmbulo dramático. Apresentados no final de Jumanji, os irmãos Walter e Danny viram protagonistas. E eles não se dão bem. O primeiro, mais velho (interpretado por Josh Hutcherson, do fofo e inédito por aqui ABC do amor), de doze anos, joga em cima do caçula (Jonah Bobo) a culpa pela separação de seus pais. Certa tarde, aborrecidos, sozinhos em casa e com ordens para não passar da porta da frente, eles encontram o tal tabuleiro. A história começa de verdade no primeiro giro da manivela. E não faltarão robôs descontrolados, naves espaciais, alienígenas reptilianos, asteróides e perigosas forças gravitacionais no filme dirigido pelo também ator Jon Favreau (Um duende em Nova York). E o perrengue estelar só passará quando o jogo chegar ao fim.

Zathura é superior a Jumanji não só pela variedade temática (as surpresas são mais diversas a cada nova e aguardada rodada do tabuleiro) como também pelo estofo dramático. O filme de 1995 não apresentava aos pequenos um desafio maior do que chegarem vivos ao final. Aqui, a idéia é que Walter e Danny não apenas sobrevivam como se entendam. O ponto chave da trama não é o futuro que o tabuleiro reserva, mas o futuro que os irmãos escolherão para si. O livre arbítrio, enfim, essa conquista da maturidade, é a grande novidade que Van Allsburg reserva para Zathura - e que faltava em Jumanji.

Não que o resultado aqui seja irretocável, pelo contrário. Como Favreau ainda é diretor iniciante, um narrador em gestação, a história fica um pouco verborrágica. Muita coisa que poderia ser apenas sugerida visualmente, ou mesmo implícita nas entrelinhas, acaba acumulada nos diálogos e na ação. O conflito familiar é um dos elementos saturados. É como os cartões numerados que os meninos puxam do tabuleiro: nós estamos vendo os cartões, vemos os números que saem, "dois", "seis", mas a câmera precisa se voltar para os rostos, e eles repetem em voz alta, "dois", "seis".

Por isso também Zathura parece um filme moroso, empacado especialmente nos tempos fracos, nos intervalos entre os picos de ação. Para agravar, há todo o embaraço do CGI. Trabalhar com crianças não deve ser fácil, mas colocar atores-mirins diante do chroma-key pode ser muito mais difícil. Às vezes Bobo e Hutcherson simplesmente não parecem ocupar o mesmo espaço dos personagens digitais. Esse deslocamento se confunde com a homenagem anacrônica à ficção dos anos 30. É como se dois universos tentassem coexistir - o ontem e o hoje, o real e o computadorizado - sem conseguir achar um ponto de equilíbrio, ou mesmo algo em comum.

Nota do Crítico
Bom