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Crítica

Trolls | Crítica

Nova animação da Dreamworks empaca no fofo

28.10.2016, às 14H20.
Atualizada em 15.02.2017, ÀS 19H28

A mistura de cores e texturas de Trolls dá aos olhos uma experiência cinematográfica. Os detalhes das imagens criadas em computação gráfica comunicam ao cérebro uma sensação de realismo, como se fosse possível segurar os bonequinhos ou passar os dedos pelos pequenos pedaços de feltro que compõem os cenários.

A trama, porém, não acompanha o impacto visual. Todos os personagens podem ser descritos simplesmente como fofos, até os vilões, o que implica em uma narrativa adorável, mas limitada. Ainda que todos aprendam pequenas lições sobre amor, amizade e felicidade, a regra máxima do filme é abraçar e, acima de tudo, cantar.

Com Justin Timberlake como produtor musical, Trolls usa músicas pop conhecidas para interligar a história, misturando o mundo adulto e infantil. A construção é entusiasmada, mas superficial e parte do seu encanto desaparece na versão em português. Apesar do excelente e necessário trabalho de adaptação (afinal as crianças precisam entender o que está sendo cantado), a essência da mistura musical do longa se perde na tradução para quem já escutou a maior parte das canções. Além disso, a escolha de não adaptar faixas como “The Sound of Silence” e “Can't Stop The Feeling” deixa a versão brasileira um tanto desconjuntada.

Comandado por Walt Dohrn e Mike Mitchell, dupla que já trabalhou em franquias como Shrek e Bob Esponja, Trolls precisava de mais ousadia e autoconsciência para rir da felicidade absurda dos seus personagens-título. Tronco, dublado por Timberlake no original, deveria fazer esse contraponto, mas no fim das contas ele está lá apenas para aprender a cantar, dançar e abraçar. É tudo muito bonitinho, mas não passa disso.

Tecnicamente impecável, Trolls é uma diversão momentânea, como uma boa música pop, que passa meses tocando por todos os lados, e depois é facilmente substituída por outra boa música pop. Não é esquecível, sempre retornando em alguma playlist, mas está longe de se tornar um clássico.

Nota do Crítico
Bom