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Sete Dias com Marilyn | Crítica

Michelle Williams brilha ao mostrar charme e inseguranças da deusa hollywoodiana

27.04.2012, às 09H12.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H43

Em uma das sequências de Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn, 2011), Michelle Williams aparece andando pelo castelo de Windsor, na Inglaterra. No fim de sua visita ao local, ela e seu acompanhante, Colin (Eddie Redmayne), são recebidos com aplausos pelos funcionários do local. Ao perceber a comoção, ela se vira para ele e pergunta: "Devo ser ela?", para logo em seguida começar a fazer poses, dar tchauzinhos e jogar beijos. A cena é apenas um dos inúmeros exemplos que mostram bem a separação que Norma Jean fazia de sua personagem mais famosa: Marilyn Monroe.

Sete dias com Marilyn

Sete dias com Marilyn

Sete dias com Marilyn

A protagonista que vemos no filme é tão linda e sensual, quanto insegura e volátil. E todas essas sensações, mesmo as que se referem aos atributos físicos de Marilyn só conseguem ser sentidos porque Michelle Willams está perfeita como a curvilínea atriz, que aos 30 anos estava no ápice de sua carreira e foi convidada para ir a Londres estrelar um filme dirigido e coprotagonizado com Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh), tão apaixonado por ela quanto qualquer outro homem que viveu nos anos 1950, para o desespero de sua esposa, Vivien Leigh (Julia Ormond).

Esta tensão sexual causada por onde a loira californiana passava é outro ponto bastante destacado no longa. Apesar de chegar à Inglaterra ao lado de seu terceiro marido, o escritor Arthur Miller (Dougray Scott), ela seduz com extrema facilidade os homens ao seu redor. Seu sócio na Marilyn Monroe Productions, Milton Greene (Dominic Cooper), já havia passado por isso e saído com o coração despedaçado, cenário do qual ele tenta afastar o jovem Colin. Sem sucesso. Mesmo apaixonado pela jovem Lucy (Emma Watson), que trabalhava no figurino do estúdio Pinewood, Colin acaba se deixando enfeitiçar pelo enigma que era aquela mulher.

O diretor Simon Curtis e o roteirista Adrian Hodges erram ao repetir tão exaustivamente os dilemas internos enfrentados por Marilyn sem se aprofundar de verdade. Eles a mostram inúmeras vezes perdida no set de filmagem com o sistema Stanislavski de atuação - aquele que prega viver o personagem para entender seus sentimentos e assim agir como ele, em vez de apenas "fingir". Os dois não se cansam também de apontar as incontáveis horas que ela deixou seus colegas atores e a equipe técnica esperando "achar a personagem" ou em uma de suas crises de insegurança. Deixam mais do que claro também o problema com as pílulas que - na versão oficial - acabaram vitimando-a em 5 de agosto de 1962.

Mas a repetição que pega mal para os cineastas vira elogio para Michelle Williams, que em todas as cenas consegue mimetizar impecavelmente trejeitos, timbre de voz e poses de Marilyn. Ela consegue passar também o tanto que a atriz sofria com o excesso de atenção, dando a entender que ela sofria com algum distúrbio psiquiátrico como uma síndrome do pânico ou algo do tipo e tinha problemas mal resolvidos com os pais ausentes.

O filme é baseado nos livros The Prince, The Showgirl and Me e My Week with Marilyn, que relatam as memórias de Colin daqueles dias em que participou das filmagens de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl, 1957) ao lado da loira. Sete Dias com Marilyn acaba se tornando uma declaração de amor a uma mulher que era perfeita até nas suas imperfeições e continua imaculada em suas mentes mesmo depois de destroçar seus corações. Se já é assim na interpretação, imagine o estrago que a original não fazia.

Voltando ao castelo, em uma outra passagem, Marilyn e Colin passeiam pela biblioteca do local e veem um desenho de Holbein, que chama a atenção da moça pela sua beleza. Ao saber que a obra de arte já tinha 400 anos, ela diz "Espero estar bonita assim quando tiver 400 anos". Ao morrer jovem e ainda sedutora, ela chegará com facilidade aos 4 séculos ainda linda, sensual e enigmática.

Nota do Crítico
Bom