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Crítica

Sem Dor, Sem Ganho | Crítica

Michael Bay barato, mas cheio de ação, comédia e minutos a mais

22.08.2013, às 19H12.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H44

Michael Bay é um cineasta polêmico. Ao seu apreço por explodir coisas e mostrar mulheres voluptuosas na tela deve-se somar um pé no que há de mais brega no cinema. Talvez por isso ele  fique tão à vontade em Miami, onde já rodou Bad Boys e voltou agora com Sem Dor, Sem Ganho (Pain and Gain, 2013). O projeto o acompanha há uma década, desde que ele leu um artigo do Miami New Times sobre a história de um grupo de marombeiros que decide usar a única parte do corpo que eles aparentemente não exercitavam, o cérebro.

Sem Dor, Sem Ganho

Sem Dor, Sem Ganho

Sem Dor, Sem Ganho

Sem Dor, Sem Ganho

A fórmula para o fracasso é seguida à risca pelos ratos de academia em busca de dinheiro fácil. Tudo começa quando Danny Lugo (Mark Wahlberg) vai a uma palestra de auto-ajuda e sai de lá evangelizado. Ele coloca na cabeça que ele é um cara que vai fazer acontecer e não ficar reclamando do que deu errado até agora em sua vida.

Sua porta de entrada no "Sonho Americano" passa pelo sequestro e tortura de um dos frequentadores de sua academia (Tony Shalhoub, o Monk), um sujeito cheio de dinheiro, mas asqueroso, do tipo que ninguém ia reclamar se sumisse. Seria um trabalho rápido e fácil, com dinheiro suficiente para acabar com os problemas de seus colegas de crime, interpretados por Dwayne "The Rock" Johnson e Anthony Mackie. O primeiro é um ex-presidiário com problemas de temperamento e dificuldade para encontrar um bom emprego. E o outro sofre com problemas eréteis depois de anos utilizando substâncias em seu corpo para ficar cada vez maior.

Seria um trabalho fácil, mas acaba se tornando uma divertida comédia de erros, que o roteiro repetidamente lembra ser baseado em fatos - o que torna cada deslize dos vilões mais divertido. Toda a apresentação dos personagens, até o momento que eles conseguem o dinheiro passa de forma rápida e leve. Porém, deste ponto em diante o tom do filme muda completamente e a falta de raciocínio do trio de criminosos leva os três e o longa-metragem para uma trilha escura e sangrenta.

Michael Bay barato

O que mais chamou a atenção no projeto foi o seu custo. Acostumado a trabalhar com orçamentos de mais de 200 milhões de dólares, Michael Bay conseguiu fazer Sem Dor, Sem Ganho com pouco mais de 10% deste valor - estima-se algo em torno de 26 milhões de dólares. Mas não parece. O estilo do cineasta, com muitas cenas de ação, câmeras-lenta e contra-luz, prevalece e o resultado é bonito de se ver.

Seria ainda melhor se tivesse uns 30 minutos a menos. Sua longa duração, 129 minutos, e o excessivo uso de "voice-overs" do protagonista cansam até o mais fervoroso defensor da cinematografia michalbayana. Assim como seus protagonistas, Bay abusa dos anabolisantes para impor suas marcas registradas e acaba deixando o resultado final doloroso como uma rotina nova na academia. Sem benefício físico, claro.

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Nota do Crítico
Bom