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Pokémon - o Filme: Eu Escolho Você | Crítica

Com visual caprichado, filme honra legado da franquia e moderniza a história

01.11.2017, às 13H35.
Atualizada em 01.11.2017, ÀS 16H04

Quem viveu no Brasil no começo dos anos 2000 testemunhou a febre do anime Pokémon, que começou a ser exibido na TV e criou uma legião de fãs entre jovens e crianças, que colecionava cards, bonecos, álbuns de figurinhas e tudo que tivesse relação com a história dos monstrinhos. Agora, para comemorar os 20 anos do anime (que começou a ser exibido em 1997), a produtora OLM e a Pikachu Project lançaram Pokémon - o Filme: Eu Escolho Você, um longa que consegue como poucos honrar o legado de sua versão anterior e modernizar a história.

A trama não tem muito mistério: com o sonho de se tornar um Mestre Pokémon, Ash se atrasa no seu primeiro dia e começa sua jornada com o Pikachu, um pokémon fofo e poderoso, mas extremamente temperamental. Ao longo de seu caminho, ele cria uma amizade com o bichinho, encontra outros treinadores, captura mais pokémon (sim, a palavra não tem plural) e aprende várias coisas sobre esse universo fantástico.

Um dos pontos positivos da animação é ambientar bem o mundo habitado pelas criaturas: seja na água, no céu ou na floresta, há sempre um pokémon passando em algum lugar e isso é colocado de forma extremamente natural em tela. Há também um grande cuidado na animação em mostrar um visual primoroso e bem feito: as cenas são cuidadosamente desenhadas e finalizadas; os momentos com computação gráfica não ficam artificiais, uma vitória e tanto para o filme, já que várias animações 2D se perdem com o uso da tecnologia, e as batalhas entre os pokémon ganham novas nuances e mais movimento.

Porém, o trunfo de Pokémon - o Filme: Eu Escolho Você é conseguir homenagear o anime de uma forma que agrada os adultos e também é atraente para o novo público infantil. Vários momentos importantes da jornada de Ash acontecem ou são referenciados: as evoluções de Charmander, a despedida de Butterfree e até mesmo o momento em que o garoto vira pedra, para a tristeza de Pikachu. Para os mais velhos, há uma ponta de nostalgia gostosa em acompanhar tais cenas, enquanto os mais novos assistem tudo isso pela primeira vez, e de forma crível, dentro da 1h e meia de filme.

O longa oferece ainda algumas camadas a mais para quem há 20 anos acompanha a franquia. Vemos, por exemplo, que uma das grandes batalhas de Ash é contra seus próprios sentimentos. Obstinado, ele tem dificuldades em aceitar a derrota e por muitas vezes deixa a emoção tomar conta em momentos em que a técnica seria mais necessária. Há também uma crítica bem clara na relação entre os humanos, animais e natureza. Os bons treinadores são aqueles que querem sim capturar pokémon, mas respeitando as criaturas e criando um vínculo com elas, ao invés de apenas tirá-las de seu ambiente natural.

Por tudo isso, o longa deixa claro que Pokémon é uma franquia que nunca deixará de ser relevante na cultura pop. Seja com jogos, filmes especiais, animes ou mangás, a história de Ash e Pikachu é encantadora e sempre terá espaço para conquistar novas gerações.

Nota do Crítico
Ótimo