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Crítica

A Morte do Demônio | Crítica

Sem humor, nova versão do clássico carrega na violência

18.04.2013, às 18H25.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H37

Em 1981, A Morte do Demônio (Evil Dead) colocou no mapa o aspirante a cineasta Sam Raimi. O inventivo filme misturava sustos e gore (sangue e nojeiras) com um bom-humor caricato, capitaneado pelo proeminente queixo de Bruce Campbell, o protagonista.

A Morte do Demônio

A Morte do Demônio

A Morte do Demônio

Três décadas depois, o gênero do filme-de-cabana que Evil Dead ajudou a definir chegou ao ponto de exaustão. Do terror simplista do "cinco vítimas à espera de seu destino" passou por mudanças, reviravoltas e tentativas de reinvenção, culminando no exagerado - e que de certa forma representa esse descontrole temático - O Segredo da Cabana.

Nada mais justo, então, que o próprio Raimi, hoje um superastro da direção, retorne à cabana abandonada na floresta para assumir o controle desse subgênero do medo mais uma vez.

No entanto, Raimi, sabiamente, entrega o filme a um estreante, emulando seu próprio passado. Fede Alvarez, o uruguaio que realizou o curta Ataque de Pánico! em 2009, dirigiu e corroteirizou A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013). A história acompanha cinco amigos (Jane Levy, Lou Taylor Pucci, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas e Elizabeth Blackmore) que se hospedam numa cabana isolada numa floresta para o tratamento de desintoxicação da mais jovem deles (cujos sintomas da possessão misturam-se aos reflexos de sua abstinência). Como no original, porém, lá descobrem o "Livro dos Mortos", que liberta um espírito demoníaco que possui, um por um, os incautos.

Incialmente, o grande diferencial é mesmo o tom. Esqueça o humor histérico/grotesco do filme de Raimi. Alvarez está nessa pelo choque. Através de efeitos práticos - que na tela ficam extremamente realistas -, o diretor uruguaio busca algumas das cenas mais graficamente intensas do terror recente. E tome caixas d´agua de sangue vomitado, lâminas cortando membros diversos, cérebros espatifados, unhas soltas e outras aflições violentas. Não há espaço para o alívio cômico, mas o tom 100% devotado ao gore acaba, como todo bom filme do gênero, tirando força dessa violência. Quanto tudo é violento, perde-se o referencial. Ao menos para quem já não se impressiona com esse tipo de produção.

O novo A Morte do Demônio surpreende mesmo em seu terceiro ato, distanciando-se do original e dando ideias novas à série, que são coerentes com o todo e suficientemente interessantes. E se os trailers vendiam algo que parecia um reinício para Evil Dead, basta ficar atento para a cabana para perceber que na verdade trata-se de uma continuação (fique também até o final dos créditos). O curioso agora é ver como Sam Raimi, Bruce Campbell e cia. vão continuar a saga demoníaca com protagonistas (e tons) tão distintos.

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Nota do Crítico
Ótimo