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Gato de Botas | Crítica

3D exemplar + boa história = diversão

08.12.2011, às 20H30.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H38

No Rio de Janeiro para promover Gato de Botas (Puss in Boots, 2011), Antonio Banderas disse em uma entrevista para a imprensa nacional que os fãs não devem ir ao cinema esperando uma continuação de Shrek. "Tem mais de Sam Peckinpah e Sergio Leone do que Shrek", resumiu muitíssimo bem o ator espanhol, que mais uma vez empresta sua voz ao gato laranja de sotaque espanhol, muita habilidade com a espada e uma irresistível cara de coitado. E é verdade. Apesar de ser um projeto derivado da franquia do ogro verde, Gato de Botas está mais para os westerns cheios de drama e aventura do que para a paródia, apesar de também ter a sua graça.

Gato de Botas

Gato de Botas

Gato de Botas

A animação também se ambienta neste mundo de contos de fadas, mas o felino que não anda descalço é o único personagem já conhecido da série. A trama mostra o dia em que o pequeno animal chega a um orfanato e logo se torna o melhor amigo do ovo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis). Os dois andam para cima e para baixo juntos, se ajudam e defendem um ao outro nos momentos mais difíceis. Até que certo dia, um ato de traição acaba com esta relação e eles se tornam inimigos mortais.

Quando os dois voltam a se encontrar, o Gato está com sua cabeça a prêmio e fará de tudo para limpar seu nome. Até mesmo tentar reatar sua amizade com o ovo falante. Ao lado dos dois está a gata Kitty Pata Mansa (Salma Hayek), ladra sorrateira e de mãos leves. Juntos, cérebro, músculos e estilo planejam o grande golpe: roubar os feijões mágicos que estão em posse de Jack & Jill (Billy Bob Thornton e Amy Sedaris), subir até as nuvens, entrar na casa do gigante e roubar sua gansa dos ovos de ouro.

Pelo seu tom aventuresco, a animação é cheia de perseguições pelas ruas, pelos telhados das casas e até por alguns buracos, tudo para mostrar a excelência que a DreamWorks Animation alcançou no 3D, um dos mais belos e bem utilizados da atual safra. Parece que finalmente, depois de muita gratuidade em filmes que tentaram se aproveitar da onda tridimensional, os produtores entenderam o que o público já tinha percebido: não dá para gastar dinheiro em qualquer porcaria só porque está em 3D. Gato de Botas é a resposta para isso, um filme pensado para criar um 3D imersivo de ótima qualidade que não fica só atirando coisas na cara do espectador enquanto bate sua carteira. Aliás, toda a parte estética é impressionante. O grau de realismo dos animais, seus movimentos e seus pelos é absurdo.

Menos empolgante, porém, é a escolha do "elenco" secundário - pelo menos para nós, brasileiros. Por aqui, pouco ou nada significam os nomes Humpty Dumpty e Jack & Jill. E este é o contraponto para a raiz de tudo, Shrek, que fazia graça com "nomes de peso" como Branca de Neve, Pinóquio e Os Três Porquinhos, conhecidos por qualquer criança de colo.

Mas engana-se quem acha que um filme derivado de um personagem que surgiu em Shrek 2 seja algo totalmente desnecessário. Eu achava isso. Mas uma história decente, o uso perfeito da tecnologia e aquele olhar de gato pidão são suficientes para adotar sem problemas o gato e aceitar desde já que ele ganhe uma franquia só sua.

Nota do Crítico
Bom