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Frozen - Uma Aventura Congelante | Crítica

Nova animação da Disney reúne elementos dos velhos clássicos do estúdio com toques atuais

20.10.2014, às 17H18.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H38

As Princesas da Disney são assim grafadas, em caixa alta, porque já viraram uma marca registrada no meio da gigante do entretenimento. Antes apenas símbolos de um romântico sonho infantil do "... e viveram felizes para sempre", elas se tornaram um dos principais produtos da empresa, que faz desde fantasias, bonecas e kits de maquiagem a jantares "reais" em seus parques temáticos - além, é claro, de filmes! Para os pais, as Princesas são tão ou mais onipresentes que qualquer outra franquia masculina, que vai se revezando de Ben 10 a Homem de Ferro, dependendo do que está nas telas das TVs ou cinemas. E, na verdade, elas são ainda mais poderosas, afinal seu histórico já bate nos 77 anos de sua mais famosa princesa que virou rainha, Branca de Neve, tema do primeiro longa-metragem animado da história.

Frozen

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Desde que a Pixar foi comprada pela Disney e John Lasseter assumiu todo o departamento de animação, a Disney tem alternado animações com temas mais aventurescos voltados para os meninos, como Bolt e Detona Ralph, com a inclusão de novas candidatas à realeza, como A Princesa e o Sapo e Enrolados. E tudo isso sem nunca deixar a balança pender muito apenas para um lado ou outro. Há nos quatro filmes acima elementos que agradem tanto os meninos quanto as meninas.

Chegada a hora de apresentar uma nova princesa, os criativos da Disney foram atrás de outro clássico da literatura infantil, o conto de fadas A Rainha da Neve, do dinamarquês Hans Christian Andersen, o mesmo de A Pequena Sereia. Depois de muitas modificações e apenas alguns elementos do original mantidos, o roteiro de Jennifer Lee (roteirista de Detona Ralph) para Frozen - Uma Aventura Congelante foi aprovado e ela assina a co-direção da animação ao lado de Chris Buck (Tarzan, Tá Dando Onda).

Na história, Elsa, a princesa de Arendelle, possui o poder de Criocinese. Gerar neve e gelo parece ser uma divertida brincadeira para ela e sua irmã mais nova, Anna, até que um dia acidentalmente ela acerta sua irmãzinha, que quase morre congelada. Depois deste dia, seus pais a condenam a uma reclusão completa para que seus poderes sejam controlados antes que se tornem uma maldição. No dia de sua coroação, porém, nem tudo sai como planejado e todo o reino de Arendelle acaba embaixo de neve.

Desde o início desta nova aventura percebe-se os elementos clássicos de uma animação Disney ali presentes - a começar pelos números musicais, que estão ali para ajudar a contar a história - quer você goste ou não daquela cantoria toda. São belas músicas compostas pelo casal Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, daquelas que grudam na cabeça e têm tudo para aparecer mais uma vez no Oscar, como também já é tradição nas animações da Disney. E ainda temos a bela trilha sonora composta por Christoph Beck (Buffy - A Caçadora de Vampiros e da trilogia Se Beber, Não Case). Depois temos também ótimos personagens principais e também secundários, que conseguem emocionar e arrancar risos do público nas horas certas, méritos de um roteiro muito bem escrito. Por fim, temos um visual mais uma vez impecável, como já é de se esperar. Os flocos gelados, as florestas e todos os reflexos e transparências do gelo criam um visual 3D lindíssimo, mas que também pode ser apreciado em um cinema normal.

Embora divertidíssimo, o filme não é impecável. Toda a parte de fantasia poderia ser melhor trabalhada. Os trolls aparecem e somem da tela sem mostrar muito o que são e o que faz deles seres tão especiais naquela região. E, principalmente, o poder de Elsa é muito mal explorado. Não há uma explicação sobre o surgimento, nem surpresa por ela ser a única daquele jeito, nem uma espécie de treinamento para que ela aprendesse a controlar algo tão fantástico e, como ela própria experimentou, perigoso. Mas estes são apenas detalhes em um roteiro que sabe cativar o público e aplicar reviravoltas como poucas vezes se viu em uma animação voltada às famílias - sempre muito previsíveis em seus desfechos.

Se Frozen - Uma Aventura Congelante é ou não um novo clássico Disney, só o tempo vai dizer. Mas o que já dá para afirmar agora é que ele explora muito bem o que o que Walt Disney e John Lasseter fazem de melhor, unindo o clássico ao moderno sem pesar a mão para nenhum dos dois lados.

Nota do Crítico
Ótimo