Divulgação

Filmes

Crítica

Foo Fighters une clichês do rock e do terror para divertir em estreia no cinema

Com 26 anos de estrada, banda se aventura na telona trazendo a galhofa dos clipes com muito sangue, mortes e possessões

17.03.2022, às 08H00.
Atualizada em 17.03.2022, ÀS 10H12

Quem acompanha a carreira do Foo Fighters sabe que eles sempre tiveram um pezinho na atuação. Desde seu primeiro álbum - homônimo à banda, de 1995 - apostaram em clipes engraçados e que interpretam personagens, como é o caso de "Big Me", "Learn to Fly", "Long Road to Ruin" ou "Walk" –talvez o mais exemplar nesse sentido. Mas Dave Grohl e sua trupe resolveram levar essa experiência para outro patamar.

A banda estrela o longa Terror no Estúdio 666, onde pode colocar à prova toda essa experiência de quase três décadas à frente das câmeras, agora como atores de verdade. 

O nome traduzido para o português (em inglês é Studio 666) já entrega boa parte da premissa da produção. Pressionados pela gravadora para gravar seu 10º álbum de inéditas, eles decidem procurar um lugar para fazer com as músicas soem completamente diferentes de tudo que eles já tenham feito na carreira. Eles então alugam uma mansão, onde situações muito sinistras começam a acontecer desde o primeiro momento.

Vendo assim por cima, poderia ser o roteiro de qualquer terror B, e parece ser essa, mesmo, a intenção deles. Logo nas primeiras cenas, fica claro o que vamos encontrar: um banho de clichês de filmes de horror e de clichês sobre o rock. E isso é necessariamente ruim? De forma alguma.

A história criada por Dave Grohl, roteirizada por Jeff Buhler e dirigida por BJ McDonnell em momento algum se compromete a ser inédita ou disruptiva. E é aí que reside a diversão, porque sem grandes pretensões, eles podem se jogar na galhofa para entreter tanto os fãs do Foo Fighters quanto fãs de filmes de terror.

Claro que encontramos muitas piadas autorreferentes da própria banda, que só os seguidores mais fervorosos vão entender, mas temos muitas brincadeiras com o meme de Dave Grohl ser o dono do Foo Fighters, sobre bloqueio autoral de artistas e, principalmente, sobre rock ser “coisa do diabo”. Sobra até cutucada no Coldplay.

Já pelo lado do terror temos uma mistura de slasher com muita possessão. Órgãos decepados a todo momento, partes de corpos voando, fantasmas e mortes pavorosas que deixariam Wes Craven e John Carpenter (assumidamente inspirações de Grohl e do diretor) empolgados. 

Para quem estiver procurando diversão descompromissada, embalada por muito sangue e rock pesadíssimo (mais pesado que qualquer música que o Foo Fighters já tenha feito), Terror no Estúdio 666 é uma boa pedida.

Nota do Crítico
Bom