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Como Não Perder Essa Mulher | Crítica

Joseph Gordon-Levitt estreia na direção em longa desencontrado

06.09.2013, às 00H44.
Atualizada em 29.06.2018, ÀS 02H37

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon) é o primeiro longa-metragem escrito e dirigido por Joseph Gordon-Levitt. Para sua estreia como cineasta, o ator parece inspirado em uma mistura de Os Sopranos (pela ambientação em Nova Jersey, aqui ainda mais caricata) com Os Embalos de Sábado à Noite (pelo charme e o personagem).

Gordon-Levitt também protagoniza o filme. É ele o personagem título, Johnny, um Don Juan incurável, habituado com festas, obcecado com o corpo, seu apartamento, sua família e seu carro. Todas as noites ele farreia e leva uma mulher diferente para casa - que categoriza de zero a "dice".

Don Jon

Don Jon

O problema é que Johnny é também viciado em pornografia na Internet - mesmo que não saiba disso. Os anos de "abuso" do gênero o levaram a perseguir a mulher perfeita, uma que fará com ele tudo o que as mulheres dos vídeos fazem. Mas a realidade é muito mais parecida com a manipuladora garota - dez perfeito - vivida por Scarlett Johansson, que arrebata sua vida e começa a controlá-la em poucas semanas. E Johnny continua infeliz.

Sempre competente como ator e aqui em sua melhor persona macarrônica, Gordon-Levitt cercou-se de talentos para sua estreia na direção. Julianne Moore vive uma mulher mais velha que desenvolve uma inusitada relação com o seu personagem, mas é no núcleo familiar que o filme se mantém realmente divertido. Tony Danza e Glenne Headly estão impagáveis como o pai e a mãe italo-americanos que infernizam a vida do filho.

Mas apenas do bom elenco e de algumas piadas interessantes, O cineasta novato não consegue transformar Don Jon em algo realmente memorável. A trama desequilibra-se entre o drama e a comédia com mão pesada - e a edição ora modernosa, ora convencional, resulta igualmente desencontrada. Também não há muito estofo na história e sobram situações repetitivas, o que faz com que o filme se arraste especialmente do meio para o fim.

Salva-se a intenção. Gordon-Levitt tem uma intenção clara de discutir a torrente de sensualidade gratuita que é frequente nas mídias, de questionar seu impacto nas pessoas e nas relações. Mas talvez tenha tentado voar alto demais enquanto ainda não domina todas as ferramentas de um bom diretor.

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Nota do Crítico
Regular