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Crítica

Destruição Final 2 inverte filme anterior com resultados decepcionantes

Continuação com Gerard Butler e Morena Baccarin coloca a família Garrity em nova migração

4 min de leitura
04.02.2026, às 09H18.

Créditos da imagem: Lionsgate

Destruição Final, lançado no Prime Video em plena pandemia de 2020 e um bom exemplo recente de filmes de desastres, combinando o suficiente de investimento emocional na jornada em busca de sobrevivência com visões apocalípticas que, para ser honesto, tinham uma força adicional na época. Seis anos depois, Hollywood decidiu que a destruição, porém, não era tão final assim, e a solução do diretor Ric Roman Waugh para Destruição Final 2 foi simples: inverter o original.

Se antes assistimos à família Garrity – encabeçada pelo John de Gerard Butler e pela Allison de Morena Baccarin – cruzando a América do Norte rumo à Groenlândia para se proteger, dentro de um bunker, de um cometa que ameaçava a vida no planeta, agora é hora de ver a jornada oposta. Batizado em inglês com o subtítulo “Migração”, Destruição Final 2 é novamente um filme sobre ir do ponto A para o ponto B, mas dessa vez o início é o bunker e o final é a cratera do tal asteroide Clarke. Lá, teoriza a Dra. Amina (Amy Rose Revah), há um paraíso verde sendo desenvolvido graças às características do meteoro. Uma espécie de oásis no meio de uma Terra agora devastada por tempestades radioativas.

Passamos algum tempo com os Garritys no bunker. É o suficiente para descobrir que Roman Griffin Davis, de Jojo Rabbit, agora interpreta o filho do casal, e para perceber que os tremores estão abalando as fundações do abrigo. Eventualmente, a família é forçada a fugir e buscar salvação em outro lugar. Para a cratera, nós vamos. O roteiro de Chris Sparling e Mitchell LaFortune basicamente imagina uma série de cenários desafiadores para Waugh ilustrar – ondas agitadas; milícias perigosas; fragmentos de cometa caindo; terremotos aleatórios; assim vai. Até aí, temos uma situação parecida com o primeiro Destruição Final. O problema vem na execução.

Lionsgate

Recheado de coincidências e sem potência dramática, Destruição Final 2 se revela incapaz de criar um vai-e-vem interessante para essa odisseia. Algumas cenas de ação possuem méritos visuais, como quando uma chuva de meteoritos gera uma ventania, mas o filme passa a esticar nossa paciência quando fica claro que as coisas sempre vão piorar instantaneamente logo antes de se resolverem milagrosamente toda vez que John, Allison e o jovem Nathan pisam num novo ambiente. Um checkpoint militar será, enfim, derrubado pela multidão raivosa, só para que John convença uma das únicas pessoas com um carro funcional a lhe dar uma carona. Um soldado francês vai proibir o trio de avançar numa zona de guerra, só para então lhe dar passagem (e oferecer um guia) quando John implora por sua ajuda. Assim vai.

O tempo todo, Destruição Final 2 insiste para o público que o risco em frente dos Garritys é altíssimo, e o tempo todo, o filme oferece as saídas mais fáceis imagináveis. Enquanto somos frequentemente alertados do perigo, pessoas topam arriscar suas vidas assim que ouvem o próximo discurso comovente de John sobre a necessidade de levar sua esposa e filho para um local seguro. A situação só não é pior por conta do trabalho de Butler, que sempre encontra uma mistura ideal de clichês básicos e carisma exagerado para segurar as pontas de filmes de ação como este. Ao seu lado, Baccarin faz um trabalho decente como a responsável por responder emocionalmente às situações mais dramáticas do filme, mas a tentativa de Waugh de pintar um arco narrativo entre pai e filho cai por terra devido às limitações da atuação travada de Griffin Davis.

Ao todo, na verdade, a família tem um efeito curiosamente danoso para o filme. Ninguém duvidou de que eles sobreviveriam ao primeiro filme, mas Destruição Final tinha a vantagem de ser um filme de, bom, destruição. Há um prazer estranho em ver cidades indo abaixo e ruas se abrindo. Destruição Final 2 aposta em quanto nos importamos com seus protagonistas, mas deixa claro desde o começo quem pode ou não morrer, e qualquer urgência restante é dissolvida pelo roteiro preguiçoso e sua mania de constantemente colocar os personagens em becos sem saídas só para oferecer um deus ex machina. Ao fim, toda essa manipulação gera um alto custo, e o filme sai no prejuízo.

Nota do Crítico

Destruição Final 2

Greenland 2: Migration

2026
99 min
País: Reino Unido, EUA
Classificação: 14 anos
Direção: Ric Roman Waugh
Roteiro: Chris Sparling, Mitchell LaFortune
Elenco: Gerard Butler, Roman Griffin Davis, Morena Baccarin