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Crítica: O Sequestro do Metrô 1 2 3

Nem Denzel Washington e John Travolta impedem Tony Scott de fazer mais um filme de Tony Scott

03.09.2009, às 17H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H52
Estilo e técnica, o diretor Tony Scott

O Sequestro do Metrô 1 2 3

O Sequestro do Metrô 1 2 3

O Sequestro do Metrô 1 2 3

tem e todo mundo sabe. Mas ele não consegue se segurar e sempre acaba deixando os seus filmes formulaicos, previsíveis. É assim desde sempre, quando estourou com Top Gun - Ases Indomáveis
(1986). É assim de novo em O Sequestro do Metrô 1 2 3 ( Taking of Pelham 1 2 3 , 2009), adaptação do livro homônimo escrito por John Godey
, que há havia sido filmado em 1974, no cultuado Sequestro do Metrô (1974), estrelado por Walter Matthau
e Robert Shaw nos papeis que agora ficaram nas mãos de Denzel Washington e John Travolta
.

Travolta é Ryder, o líder de um grupo que vai sequestrar o tal metrô que sai à 01h23 da estação de Pelham, no Brooklyn, em direção a Manhatan. Seu plano é complexo e muito bem executado. Depois de conseguir render o maquinista e parar em um ponto estratégico que lhes dá boa visão periférica, Ryder faz contato com a central do metrô nova-iorquino e pede 10 milhões de dólares. O prazo para entrega é de uma hora. Cada minuto de atraso equivale a um refém morto.

Do outro lado da linha está Walter Garber (Washington), um executivo da companhia de metrô que está sob investigação de ter recebido propina em uma licitação e apenas por isso estava no comando das linhas de trem naquele horário. O velho caso do cara errado na hora errada, Garber acaba virando a única pessoa com quem Ryder aceita negociar. As conversas entre os dois vão dando pistas dos seus passados, e o sequestrador não cansa de dizer que eles são muito parecidos: serviram a cidade por muito tempo, foram traídos e agora é a hora da desforra.

A construção dos personagens principais é tão bem feita que entre um trem e outro até dá para perdoar as tentativas anteriores do John Travolta em fazer um vilão (O Justiceiro, A Senha: Swordfish, Battlefield Earth). Ryder é esperto, rápido, sabe o que quer e adora fazer joguinhos psicológicos com as pessoas. Mas isso acaba apagando os secundários John Torturro (que faz o negociador da polícia), James Gandolfini (numa paródia assumida de Rudolph Giuliani) e o eterno coadjuvante Luis Guzmán (integrante do bando que sequestra o trem).

O filme é recheado de citações ao filme de 1974. O "Walter" do personagem de Denzel Washington é uma homenagem ao Walter Matthau e até a sua roupa mantém o amarelo e o marrom do original, mas invertendo as cores da gravata e da camisa. Tudo na medida certa, incluindo até mesmo a nova contextualização do sequestro para o cenário pós 11 de Setembro, celulares, notebooks e terrorismo.

Mas daí vem o desfecho. E Tony Scott prova mais uma vez que não consegue escapar de si mesmo. A inverossimelhança que já se espera de um filme desse gênero escapa de suas mãos, personagens tomam atitudes que não condizem com a sua personalidade e o desnecessário dramalhão faz sombra onde antes havia um certo brilho. Se o filme 1974 serviu de influência até para Quentin Tarantino - que utilizou no seu Cães de Aluguel a ideia de chamar os comparsas do crime por cores (no original, Robert Shaw era Mr. Blue, Martin Balsam, o Mr. Green, Héctor Helizondo, o impulsivo Mr. Grey e Earl Hindman, o quietão Mr. Brown.) - fica difícil imaginar quem vai se lembrar deste novo Sequestro do Metrô 1 2 3 daqui a alguns meses. Vale mais a pena esperar o próximo trem.

Nota do Crítico
Regular