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Crítica

Crítica: O Amor Segundo B. Schianberg

Beto Brant volta a analisar relações, desta vez com um híbrido de Crime Delicado e Cão Sem Dono

07.10.2009, às 12H00.
Atualizada em 15.11.2016, ÀS 13H08

O cinema sociopolicial de Beto Brant definitivamente ficou para trás. O diretor de Os Matadores (1997), Ação entre Amigos (1998) e O Invasor (2002) hoje se ocupa de entender o amor, e o seu mais recente trabalho, O Amor Segundo B. Schianberg, dialoga diretamente com Crime Delicado (2005) e Cão Sem Dono (2007).

o amor segundo b schianberg

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Na verdade, parece mais uma fusão desses dois últimos filmes, "comentada" por Benjamim Schianberg, personagem do livro de Marçal Aquino Eu Receberia as Piores Noticias dos seus Lindos Lábios que empresta sua considerações ao filme - e à minissérie, já que o longa originalmente fora estendido em capítulos e exibido na TV Cultura este ano.

De Cão Sem Dono, temos novamente um casal jovem enclausurado em um apartamento, tentando entender o que se passa entre eles. Felix (Gustavo Machado) é ator de teatro. Gala (Marina Previato) é videoartista. Acabaram de se conhecer, e rapidamente estão dividindo cafés da manhã. A formação dos dois permite (ou força) que enxerguem aquilo tudo com um olhar exterior. Felix e Gala evitam DRs, mas no fundo o que mais fazem é discutir a relação - ou pelo menos é o que Brant faz.

É aí que O Amor Segundo B. Schianberg se aproxima de Crime Delicado, o melhor filme do diretor, com sua proposta de falar de uma história de contemplação do belo ao mesmo tempo em que questiona essa contemplação. Aqui, Felix e Gala estão a todo momento problematizando o amor, ainda que em diálogos e situações banais, como quando testam a diferença entre beijo técnico e beijo de verdade, ou quando se pintam para uma "encenação" a dois.

O limite que separa o olhar crítico da entrega emocional (que pressupõe suprimir o olhar crítico), elemento central em Crime Delicado, é também o nervo de O Amor Segundo B. Schianberg. Já a paixão que não se verbaliza mas está nascendo ali na nossa frente, apesar de todo tipo de defesa levantada, reaproxima o filme de Cão Sem Dono.

É um caminho bastante psicologizante esse que Beto Brant anda trilhando, mas o mais interessante é que esse caminho, apesar de todo o olhar intelectualizado, não elimina a aproximação e a harmonia de corpos mais sensorial. Antes de ser um filme sobre relações, O Amor Segundo B. Schianberg é um filme de relações.

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Nota do Crítico
Ótimo