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Crítica

Crítica: Comer Rezar Amar

Jornada de transformação pessoal perde pela mesmice de Julia Roberts

30.09.2010, às 18H11.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 14H08

Comer Rezar Amar (Eat Pray Love, 2010) conta a história de Liz (Julia Roberts) que, ao perceber que está infeliz em sua vida, decide que é preciso mudar. Primeiro, remove o obstáculo mais evidente: seu casamento, iniciando assim um doloroso processo de divórcio. Depois, a tentativa de viver uma vida normal e buscar novos relacionamentos amorosos. Ela então conhece David (James Franco), um ator mais novo que ela. No entanto, a aparente felicidade inicial logo dá lugar ao mesmo vazio existencial que ela antes sentia.

Comer Rezar Amar

Comer Rezar Amar

Comer Rezar Amar

Liz então embarca em uma viagem de um ano pela Itália, Índia e Indonésia. Na Itália ela se dedica a um período de indulgência, apreciando o melhor da culinária local e permitindo-se engordar alguns quilos, vivendo apenas para buscar o "prazer de não fazer nada", pregado pelos italianos. Neste trecho fica a evidente a diferença que faz o orçamento de 60 milhões de dólares, com caprichados takes aéreos de Roma.

Na Índia, Liz pretende dedicar-se à meditação e à busca do equilíbrio espiritual. Em sua estadia em um ashram hindu, ela confronta a dor da qual pensava já estar curada para, finalmente, perdoar-se. Depois, ruma para Bali, ilha que ela já havia visitado (na visita anterior, um xamã havia previsto que ela retornaria para que ele pudesse ensinar-lhe todos os seus conhecimentos).

No período em Bali, Liz redescobre o amor em Felipe, personagem brasileiro vivido pelo espanhol Javier Bardem. Ao ouvir Bardem falando português e a trilha de bossa nova, sentimos aquela vergonha alheia de ver nossa cultura representada nas telas por estrangeiros - provavelmente sentida também pelos italianos, indianos e indonésios ao assistir esse filme. No entanto, essa representação não é caricata e descuidada, ficando nítido que a produção empenhou-se na fonética dos sotaques. Não chegou-se à perfeição, mas o trabalho foi bem executado.

Para aqueles que amam ou sonham viajar, a fotografia de Comer Rezar Amar estimula aquela vontade de embarcar no próximo avião. No entanto, apesar do filme ter realização técnica esmerada, falta ousadia à atuação de Julia Roberts, que nunca sai do território seguro já explorado em seus filmes anteriores. A autora do romance best-seller que originou este filme, Elizabeth Gilbert, que trilhou a jornada relatada, é uma mulher real - não a figura de estrela idealizada que Roberts parece incapaz de abandonar. O demérito dessa falta de contrastes é também da direção do diretor Ryan Murphy, que não explora a profundidade da tristeza do início a fim de evidenciar a transformação de Liz ao final.

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Nota do Crítico
Bom