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Beijos e Tiros | Crítica

Beijos e Tiros

01.12.2005, às 00H00.

Beijos e Tiros
Kiss Kiss, Bang Bang
EUA, 2005 - 112 min
Policial/Comédia

Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, baseado em livro de Brett Halliday

Elenco:
Robert Downey Jr., Val Kilmer, Michelle Monaghan, Corbin Bernsen, Dash Mihok, Larry Miller, Rockmond Dunbar, Angela Lindvall, Indio Falconer Downey, Ariel Winter, Josh Richman, Shannyn Sossamon

Beijos e tiros (Kiss Kiss, Bang Bang, 2005) é uma verdadeira metralhadora. Mas não de beijos, tampouco de tiros. Dispara, sim, diálogos afiadíssimos e piadas inteligentes.

O responsável pela comédia policial é Shane Black, que estréia como diretor, mas já foi bastante conhecido como roteirista. O seu surgimento e sucesso foi instantâneo e tão grande que ele era acusado por algumas pessoas de ter parte com o capeta (viu? não é só a J.K. Rowling). A origem do mito veio do avassalador Máquina mortífera, cinessérie que ele criou em 1987 e que lhe rendeu a alcunha de o roteirista mais bem pago da história. O sujeito é um verdadeiro patrimônio cultural da década de 1980, mas sumiu do mapa após uma série de fracassos retumbantes. O derradeiro foi O Último Boy Scout, que em 1991 enterrou o cinema de ação daquela época e, com ele, o próprio Black (ok, houve mais um, A.W.O.L., mas é tão obscuro que nem conta).

O que Beijos e tiros faz pelo gênero é uma espécie de homenagem satírica, algo que a fita estrelada por Bruce Willis bem que tentou, mas talvez ainda fosse cedo demais para tanto. Nesta sua volta, Black emprega situações da série Máquina mortífera - como a dupla de protagonistas homens que mais parecem um casal - e os potencializa com elementos que lembram também o cine noir, trazendo o gênero aos dias de hoje (já notou que as duplas atualmente são sempre formadas por um homem e uma mulher?). O casal da vez é formado por um hétero fracassado e um gay machão, mas o texto é suficientemente inteligente para não estereotipá-los. O resultado é fenomenal. Robert Downey Jr. (Na companhia do medo) e Val Kilmer (Spartan) nunca estiveram tão bem na telona. Aliás, a seleção dos dois é curiosa. Talentosos, estes atores são freqüentemente subaproveitados pela fama fora das telas. Beijos e tiros, com sorte, deve mudar isso.

Na trama, um ladrão pé-de-chinelo (Downey Jr), durante uma perseguição policial em Nova York na qual perdeu o parceiro, acaba numa sala de seleção de elenco para uma série de TV. Para a sorte dele, trata-se de um teste para o papel de um detetive que... adivinha... acaba de perder o parceiro. Sem entender bem o que está acontecendo, ele é contratado e levado para Los Angeles.

Na Meca do cinema estadunidense, ele é colocado pelos produtores ao lado de um detetive de verdade (Kilmer) que será seu treinador para o papel. No entanto, depois do que parecia ser uma investigação de rotina, acaba envolvido até o pescoço num assassinato - ou vários! - ao lado da garota mais popular de seu antigo colégio (Michelle Monaghan). Tudo acontece de forma tão frenética e cheia de reviravoltas que fica até difícil reproduzir aqui sem deixar passar alguns importantes detalhes.

Apesar da violência - que pode atrapalhar o filme para os que não apreciam piadas com cadáveres, mutilações e assassinatos - trata-se de uma diversão como poucas nas últimas temporadas. Black escancara clichês para depois ridicularizá-los usando um sarcástico narrador. Não se preocupe, eu vi O Senhor dos Anéis, não vou colocar 17 finais aqui, explica a voz onisciente quase ao fim da projeção. Hilário!

Para quem teve sua dose de filmes de ação nos anos 1980, Beijos e tiros é indispensável. Resta torcer para que Black não desapareça outros 15 anos...

Nota do Crítico
Ótimo