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Crítica

A Viagem de Chihiro

Não há realmente ponto negativo na obra

17.07.2003, às 00H00.
Atualizada em 27.05.2020, ÀS 16H00

Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim e do Oscar 2003 de melhor longa-metragem de animação, A viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001), de autoria de Hayao Miyazaki - o maior animador do Japão - é, sem exagero, um dos melhores desenhos animados de todos os tempos.

O filme começa com Chihiro, uma menina mimada e medrosa, viajando com seus pais para uma casa nova. A família pega o caminho errado e vai parar na entrada de um misterioso túnel. Eles decidem, então, ver o que há no final da passagem e encontram... Bom, não vou estragar as surpresas (que são muitas), mas Chihiro tem que salvar seus pais e aprender a superar seus medos e limitações em uma história que pode ser classificada como um conto de fadas moderno.

A trama é espetacular e, diferente da produção anterior de Miyazaki (Princesa Mononoke, inédita no Brasil), completamente livre de violência e recomendada tanto para crianças quanto para adultos. Há situações bastante esdrúxulas, que, somadas ao inexplicável discurso anti-animação que Miyazaki fez ao receber o Urso de Ouro, levam-nos a duvidar da sanidade do bom velhinho - embora nunca de seu talento e genialidade. Em todo caso, a narrativa é magnífica e justifica, por si só, o prestigioso prêmio.

Não bastasse isso, o filme também conta com uma animação espetacular, superior a qualquer produção japonesa recente (mesmo Metrópolis e Jin Roh) e a qualquer desenho americano não 3D. De fato, é provavelmente a animação convencional de melhor qualidade de todos os tempos, um tributo ao enorme talento dos animadores do Studio Ghibli (do próprio Miyazaki), que se superam a cada nova investida. Daí, o imenso respeito que os animadores do poderoso estúdio Walt Disney têm por Miyazaki.

Por isso, Spirited Away, como ficou conhecido nos Estados Unidos, foi distribuído por lá pela própria Disney, que fez um cuidadoso trabalho de dublagem/adaptação comandado pelo diretor John Lasseter - ele próprio um gênio da animação e criador da série Toy story.

A viagem de Chihiro também retoma muitos dos antigos conceitos de seu autor, utilizando elementos de Mononoke, Porco Rosso e Meu Amigo Totoro (estes últimos lançados no Brasil em VHS pela Flashstar) para produzir uma espécie de afirmação definitiva de Miyazaki na animação. Aliás, na época do lançamento do filme, o diretor tencionava que este fosse o último de sua carreira. Contudo, já está trabalhando em Howls moving castle e revelou que fará uma animação totalmente em computação gráfica ao lado do Pixar Animation Studios (leia aqui).

Merece destaque também a trilha sonora do filme, criada pelo compositor habitual dos filmes do Ghibli, Joe Hisaishi, que mostra a competência de sempre, complementando as imagens com perfeição.

Enfim, não há realmente ponto negativo na obra. Alguns adultos mais cínicos podem achá-lo um tanto infantil (não é!) e crianças mais sensíveis podem se assustar com certas seqüências, mas nada demais se comparado à morte da mãe do Bambi...

Esta é uma animação que o Omelete recomenda enfaticamente. Não deixe de assistir. E leve a família!

Nota do Crítico
Excelente!