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A Babá | Crítica

Mistura de Esqueceram de Mim com Pânico, comédia de terror da Netflix diverte ao abraçar a tosquice

20.10.2017, às 16H33.
Atualizada em 20.10.2017, ÀS 18H00

O gênero de terror é, sem dúvidas, um dos mais versáteis da ficção. Há vertentes para todos, desde quem ama a sanguinolência dos torture porns até obras que misturam horror com comédia. É o caso de A Babá, a não-muito divulgada aposta da Netflix para o Dia das Bruxas.

Comandado por McG (As Panteras) o longa acompanha Cole (Judah Lewis), um garoto de 12 anos que, por ser ansioso e sensível, ainda é supervisionado por uma babá - Bee (Samara Weaving), pela qual nutre uma paixão secreta. Uma noite, ele decide ficar acordado para ver o que ela faz após colocá-lo para dormir, apenas para descobrir que a garota comanda com um ritual satânico com outros quatro adolescentes. Cole é descoberto, e assim inicia-se uma sangrenta perseguição ao menino.

A premissa, por si só, é tosca, mas o filme reconhece isso e utiliza a própria estupidez como ponto-chave, investindo fortemente em um humor irônico. Os comentários e atitudes dos agressores não só brincam com o estereótipo de millennial viciado em redes sociais como também aproveitam para satirizar clichês adolescentes e do gênero de terror.

A violência exagerada também marca presença. Assim que decide combater os jovens, Cole passa a utilizar itens do cenário para criar armadilhas caseiras que vão desde utilizar um rojão e uma lata de inseticida para incendiar uma pessoa até o clássico carrinho na beira da escada - porém com um fim violento. Junte esses dois elementos e você terá uma mistura estranha entre Esqueceram de Mim e Pânico que acaba funcionando surpreendentemente bem.

O ponto alto fica por conta da atuação de Weaving com Bee. A atriz, que já teve passagem por Ash vs. Evil Dead, é cheia de carisma e personalidade. Sua relação com Cole não é muito aprofundada, mas a forma como é conduzida agrada, diverte bastante e segura facilmente os minutos iniciais. Os diálogos que compartilham sobre filmes de faroeste e ficção científica são naturais, dignos de melhores amigos.

Apesar de se vender como um filme de terror, fica claro que seu objetivo não é assustar. O longa até consegue criar tensão em alguns momentos - como quando Cole tenta fugir de seu quarto logo que a Babá percebeu que algo está errado - mas ainda assim não é um thriller que te deixará roendo as unhas. De qualquer forma, as melhores partes são quando o roteiro subverte as expectativas do espectador e parte em direção inusitadas.

O que realmente deixa a desejar é a parte visual. Enquanto as transições e a trilha acertam o tom sarcástico da história, a fotografia é apenas apagada e sem graça. Como todas as demais partes não se levam a sério, existe uma oportunidade de experimentação para entregar algo mais marcante - ou ao menos compatível com o resto do longa.

Ainda assim, A Babá acerta no que se propõe a fazer: divertir, sem poupar no exagero e na tosquice. Comédias adolescentes com toque de terror e suspense não são necessariamente algo inédito, mas o filme da Netflix entrega algo aproveitável ao reconhecer isso e suas várias outras limitações, utilizando-as como combustível para humor e violência. Não é particularmente memorável, mas A Babá é uma boa pedida para quem quer reunir os amigos e aproveitar uma boa galhofa durante o Dia das Bruxas.

Nota do Crítico
Bom