O Brasil é conhecido por ser o lar da maior população japonesa fora do Japão, com grande parte dela localizada na cidade de São Paulo. Foi para falar sobre os temas de identidade, xenofobia e racismo vividos por esta população que o cineasta André Saito fez o curta Amarela, que está disputando uma vaga na categoria de Melhor Curta-Metragem no Oscar 2026.
Em entrevista ao Deadline, ele deu mais detalhes sobre o processo de criação e sobre suas próprias experiências como uma pessoa amarela. "Anos atrás, quando fui para o Japão pela primeira vez, foi muito poderoso me conectar com os ancestrais", disse. "Conhecemos parte da nossa família no Japão e percebemos o quão brasileiros nós somos. [...] Comecei a ficar em paz com essa identidade que eu tenho e neguei por mais de 30 anos, que é ser nipo-brasileiro. Sempre quis se considerado brasileiro, mas é algo que meu fenótipo não permite. É esquisito se sentir um estrangeiro em seus próprio país, mas penso que o cinema trouxe muita cura, conexões fortes e a oportunidade processar isso com a minha família, para que eu pudesse expurgar essa dor e retratar as belezas de estar no mundo."
Em Amarela, acompanhamos uma jovem brasileira de 14 anos de família japonesa durante a Copa do Mundo de 1998. A escolha do tema surgiu através do fanatismo do diretor por futebol e pela euforia coletiva que o evento causa em nosso país, o que serve de pano de fundo para o conflito interno da protagonista.
"Ela quer e deseja ser brasileira e torcer com outras pessoas, mas ao mesmo tempo, todo mundo ao redor dela exclui ela deste senso de pertencimento que vem com um evento desses. E também, existe esse falso patriotismo por conta da um evento deste tamanho, e a cultura esportiva contém muita discriminação. Achei que seria um bom jeito de mostrar essa jovem que não tem o visual padrão e lida com xenofobia, machismo e outras agressões com que filhos de imigrantes asiáticos lidam", relatou Saito.
Amarela pode ser assistido na íntegra abaixo: