Divulgação

Filmes

Artigo

Elvis é Baz Luhrmann puro e coloca Austin Butler na corrida pelo Oscar

O ator, escalado para a parte 2 de Duna, está perfeito na pele do cantor Elvis Presley

26.05.2022, às 10H41.
Atualizada em 07.06.2022, ÀS 08H44

O que se poderia esperar de um filme de Baz Luhrmann sobre Elvis Presley a não ser um filme de Baz Luhrmann sobre Elvis Presley? Ou seja: excessivo, colorido, frenético, por vezes um pouco ridículo, com figurinos extravagantes, muita música. Intenso, em suma. Elvis, do diretor de Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2011) e O Grande Gatsby (2013), fez sua pré-estreia mundial no Festival de Cannes, fora de competição.

Fosse outro o personagem, talvez não funcionasse. Mas Elvis Presley também era um artista e um homem de excessos, então a combinação é perfeita. O filme é uma cinebiografia tradicional no sentido de cobrir toda a vida do biografado, da infância à morte aos 42 anos de idade. Mas claro que Luhrmann não consegue fazer nada muito tradicional. O cantor era fã de quadrinhos, especificamente de Capitão Marvel Jr., personagem no qual moldou seu visual, e o diretor usa história em quadrinhos para mostrar parte da vida de Elvis menino.

Para dar conta de tudo isso, ele precisava de um ator à altura. E encontrou em Austin Butler, que canta quase todas as músicas do Elvis jovem sozinho – em algumas músicas, sua voz é misturada à do próprio Elvis, e no Elvis mais velho, foram usadas versões originais do cantor. O ator fez séries como iCarly e Hannah Montana quando era bem novinho e mais recentemente esteve em Arrow, The Shannara Chronicles e Era uma Vez... Em Hollywood, de Quentin Tarantino. Aos 30, Butler, escalado para a parte 2 de Duna, tem tudo para virar astro e conquistar uma indicação ao Oscar por sua interpretação do “rei do rock” (uma definição que o próprio recusava). O ator arrebenta nas cenas de apresentações e vai bem também nos momentos mais dramáticos.

Elvis foca bastante na história de Elvis Presley com a música negra. Desde sua infância, primeiro no Estado do Mississippi, depois no Tennessee, sendo o único menino branco a crescer em um bairro negro, o cantor sofreu influência da música negra, frequentando apresentações de artistas negros e igrejas de pessoas negras. O filme mostra como ele misturou o country e o gospel branco com o rhythm & blues e o gospel negro em um país em que existia segregação racial.

A dança que via nas festas e bares para pessoas negras também foi fundamental para a maneira de se apresentar. Seu requebrar dos quadris levava as mulheres à loucura, o que não era bem-visto na década de 1950, pré-revolução sexual. Elvis tinha a vantagem de ser branco, de olhos azuis, bonito.

O longa também é a história da relação do artista com o “Coronel” Tom Parker, vivido no filme por um Tom Hanks cheio de maquiagem prostética. Parker descobriu o artista no início da carreira e virou seu empresário por toda a vida. A relação dos dois era complicada, paternal e abusiva, responsável pelo sucesso do cantor e por ele não ter conseguido ir ainda mais longe.

Luhrmann também quer derrubar a imagem de que Elvis Presley não ligava para política. O cantor sempre foi discreto, sim, mas nasceu no sul dos Estados Unidos e estava vivo em um período turbulento de luta pelos direitos civis e pelo fim da segregação racial, com os assassinatos de Martin Luther King e Bobby Kennedy, por exemplo.

Elvis é mais do que uma cinebiografia do artista. Seu personagem serve como espelho da sociedade e da história americanas no período, unindo em sua música o que era separado fisicamente pela segregação racial e sendo alçado ao estrelato, apenas para ser destruído por ele.

Tudo isso, claro, embalado por uma trilha sonora com os maiores hits de Elvis Presley, além das tradicionais versões luhrmannianas com trechos e integrações de músicas modernas feitas por gente como Doja Cat, Maneskin e Eminem. A estreia nos cinemas brasileiros está prevista para julho.